e logo Nietzsche diria que existo, porém logo sou humana.
E, portanto, me diferencio dos mamíferos, aves, insetos, etc, meus colegas que coabitam o mesmo mundo que eu. Penso -sou consciente-, logo crio linguagem. Porém, como nem de tudo tenho controle, Freud também diria que sou habitada pelo meu inconsciente. E assim, segundo Lacan, também sou o sujeito do meu inconsciente.
Aprendo tudo isso porém no final sei que nada sei. Mas também sei de muita coisa. Sei que sou humana e, portanto, tenho a capacidade de criar. Penso, falo, escrevo. Tenho polegares para me orientar.
Criamos a linguagem. Criamos a mitologia, a magia e a religião. Criamos a matemática e a filosofia. Guardamos nossa história e inventamos uma disciplina para ela. Inventamos a ciência moderna.
Analisamos, desbravamos, investigamos e inventamos o mundo e o nosso universo. Criamos um ego enorme, capaz de acreditar que o mundo é nosso. Conquistamos terras, como se essas pudessem ser nossa propriedade. Criamos guerras, como se fossemos deuses e acreditássemos que podemos determinar a hora que alguém deveria morrer. Construímos prédios enormes para empilhar o excesso que criamos da nossa espécie. Conseguimos desviar das forças da seleção natural. Nós selecionamos, modificamos e eliminamos o natural. Nós destruímos florestas inteiras.
Porém, também salvamos muitas vidas. Criamos a farmacologia, a química e a medicina. Tiramos dor daqueles que sofriam e daqueles que nem precisavam sofrer com procedimentos antigos.
Criamos ONGs para tentar salvar os estragos que nós mesmos fizemos. Mas também nos voluntariamos para ajudar aqueles que por um acaso do universo (ou da maldade humana) não nasceram nas mesmas condições que nós. Também cuidamos dos animais e das plantas. Aqueles que tanto exploramos, não só violentando, mas também usando destes como fotografia, como lazer e como paisagem.
Nós criamos a paisagem. Criamos o belo. E o feio. Criamos o bom e o mau. Criamos estética, a arte e a moral. Criamos e somos o cultural.
Criamos a psicologia como forma de tentar nos entender e entender aos outros. Criamos e descobrimos o consciente e o inconsciente. Descobrimos sentimentos, sonhos, desejos, prazeres e desprazeres. Descobrimos que somos tão iguais que não somos nada iguais. Porque todo e qualquer ser humano é habitado pela sua subjetividade. E mesmo que tenhamos tanto em comum, nunca vamos ter os exatos mesmos sentimentos, sonhos, desejos, prazeres e desprazeres.
E é exatamente isso que faz com que nossa vivência neste mundo com tão poucas respostas seja tão confusa e cheia de história.