Fragmentação do humano entre humanos.

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Fragmentação do humano entre humanos.
Força humana II.
Como quando Farapous enfrentou bandidos armados quebrando seus ossos com socos e entrou sozinho no bordel que funcionava nas casas das baladas com piscina que ficavam no fim da vila depois da linha do trem e resgatou duas moças menores de idade que estavam presas obrigadas a se prostituírem. Depois ficaram morando um tempo na casa do benfeitor e na imaginação de Renato, que ainda era virgem, várias combinações de romances começaram a vir por mais que repelisse. Eram lindas e pareciam parentes uma da outra, Lubiana e Olena naturalmente andavam pela casa, talvez influenciadas pela pureza de Farapous, como se fossem vindas de um convento e não do prostíbulo, e Renato mortalmente ferido se habitava de toda a descoberta sexual e conflito e culpa, e até medo, mesmo sabendo que seu segredo íntimo estava seguro em seu próprio órgão viril, não deixava de se policiar nervosamente e até evitando de ir a casa de Farapous algumas vezes, apesar de uma dor fina no coração clamar que passasse o dia lá. E de noite quando dormia sonhava que Farapous o surpreendia embolado em um amálgama úmido e sexual com as duas e estourava sua cabeça com os socos de toneladas, porém mesmo com a cabeça esbagaçada a enorme ereção não cedia e sua aflição era que sem uma cabeça não podia comandar o corpo para se encolher e ocultar a verga apontada para cima do olhar decepcionado do amigo. No fim culpava Farapous por tudo. Pela sua cabeça perdida do início ao fim dos fatos. Ao acordar respirava aliviado que tudo fora apenas sonho, entretanto intimamente continuava culpando o culpado.
Desde essa época teve o receio da vingança dos bandidos, e que houvesse uma aliança entre os Ricos e os bandidos, o que podia muito bem ser provável à luz dos ensinamentos de um tal promotor americano chamado Robert Rice para quem "o crime seria a extensão lógica de um tipo de comportamento perfeitamente respeitável no mundo dos negócios". No entanto estava despreparado para a combinação entre Ricos e o governo. Porque Renato havia destruído a rede de dados da escola com um vírus, em retribuição a todo o mal que aquele ambiente obrigatório havia lhe proporcionado. Dizendo que naquela escola trabalharam arduamente para limitar sua inteligência em dezenas de pontos, continuou na sequência do acesso ilegal às redes e fez a exposição de dados sigilosos das secretarias e dos energúmenos professores. Porém nas consequências legais tomadas pelos agentes estatais, foi a influência do pai do Rico Enzo que fez chegar a investigação aos interesses dos escalões mais altos do estado, e a persecução foi federalizada.
Alguns anos depois quando o cerco se fechou, Renato esperava realmente resolver tudo utilizando as próprias entranhas do monstro burocrático. Entretanto as coisas se deram de maneira diferente. Vários agentes federais chegaram cedo em sua casa e foram entrando, o portão estava aberto e a porta da garagem também. Haviam acabado de chegar da casa de Farapous e se preparavam para sair quando viram os agentes. Farapous avançou sobre eles e Renato o segurou. Iniciaram uma conversa quase amistosa dentro do cinismo próprio de funcionários do estado advindo dos grupos de concurseiros de nível superior — que difere, por um brilho de estupidez estudada na legitimação falsa, do cinismo fisionômico dos criminosos que passam longos períodos em cadeias —, enquanto informavam sobre os procedimentos de busca pela casa. A tragédia descambou quando um dos agentes disse algo para Farapous que gargalhando como sempre respondeu com sinceridade demasiada. O agente se alterou e sacou a arma para se alterar mais. Renato estava afastado prestando atenção no documento que haviam apresentado, e olhou em direção aos barulhos e gritos, viu o amigo que segurava um braço inteiro do agente nas mãos. No chão, o policial ferido e mais outro, tapavam o que restava do ombro e a poça de sangue se alastrava. Gritou "Guiamambaba" e só deu tempo de empurrar com toda força o agente em vias de disparar sua arma e passar por Farapous puxando-o pela camisa para que corressem juntos. No carro Farapous carregava o braço, a mão ainda viva tremelicava os dedos e em um deles o anel enorme desses de doutor produzia um barulhinho contra o vidro enquanto sinalizava um tchau a todos e ao mundo.
Renato ía se resignando pensativo, aceitando enfim que não podia de maneira alguma culpar o amigo depois de tê-lo culpado por anos. Por mais de uma maneira já estavam ligados para sempre e agora eram apenas os dois na vida clandestina da fuga. Uma sombra acusativa de traição passou por seu rosto e se fosse dar luz ao que ela traria como lembrança, rememoraria a noite que tocou a almofada de pelos crespos, sentindo segurança no ressonar longo, forte e inocente de Farapous no meio do sono imperturbável, e afundou a mão no bolo escuro tateando o fundo da pele, que por intuição e certeza terminaria por afundar em uma surpresa a qualquer momento, porém antes teve que reconhecer os lábios grossos e pensava, "ahhh... é assim!", e o clítoris ressaltado, "ahhh... um mini o quê?", e voltando pelo centro do vão da carne viva, o coração disparado porque a temperatura em volta dos dedos aumentava e a textura sentida nas pontas dos dedos afinava em um desconhecimento delicioso, e enfim afundava úmido no orifício magnético. Então tateou as bolas, e durou um segundo até reconhecer o material e retirar a mão assustado.
(fim)
Força humana.
Farapous era o único na terra, que todos vieram a conhecer, o de nome cronográfico. E Renato o conheceu na escola onde aprendiam sobre o mundo e suas injustiças. Graças a inteligência de Renato obtiveram uma boa inferência sobre as verdades ocultas e sobre as máscaras da sociedade, e no final das contas, a escola não fora toda a maledicência que este expressava sempre com rancor. Os Ricos, que eram os brancos e altos, loiros, as famílias de comerciantes grandes e os descendentes dos funcionários do estado, que sabiam tudo que acontecia no mundo pela TV e conheciam os produtos e marcas e modas, e eram católicos sociais, ou hedonistas mundiais, habilitados para o bullying e o saque, tinham como representante notável o Rico Enzo, o mais girafa, o perseguidor especial do Renato. Foi esse que o cercou na rua da cervejeira, que na lembrança do Renato ficou escura e sombria, molhada da umidade que se acumulava debaixo da copa das árvores, com o cheiro abafado dos excrementos dos pássaros que superpopulavam devido a abundante alimentação nos dejetos da fábrica. Mesmo com medo, Renato acertou o peito do Rico Enzo e evitou o próprio desmembramento, ou outra coisa que fosse. E foi Farapous que protegeu sua caminhada até à segurança do lar sendo um muro contra o resto dos Ricos. Desde aquela hora foram irmãos.
O tombo de Rico Enzo marcou Renato por mais de um aspecto. O primeiro foi pela surpresa com o resultado. A reação foi pensada e calculada no momento e dentro dos instantes da janela do medo, com cálculos e pensamentos que Renato nunca havia experimentado antes. O segundo aspecto foi sobre a cinética atuando no corpo sem chance de Rico Enzo e a morte. Renato por uns instantes viveu um arrependimento total porque no fundo não cria no resultado, e depois de acontecido, soube que mediu muito mais força do que teria julgado necessário. Mas a genética dos Ricos era das melhores e seus corpos resistentes, e seu atingido sobreviveu na rua que agora na lembrança era escura, molhada de chuva, onde as caras das casas um tanto antigas e estáticas olhavam para a calçada e para o meio da rua com a fatalidade triste de um sonho urbano.
Farapous era peludo, sobrancelhas faltando pouco para serem unidas, pele escura, alto e muito forte. Dormia com um ronco inacreditável como um motor sendo acelerado em um sono que nada podia despertar, falava gritando e gargalhava como um estrondo. Muito mulherengo, no sentido que estava sempre paquerando uma garota que se aproximasse, paquerando na maior altura e sem nenhum embaraço. As mulheres, mesmo sendo alvos dos gracejos românticos de um homem feio, aceitavam bem sua presença porque ocorria com naturalidade, altissonância e o humor voraz de uma criança crescida, a voz de Farapous cobria a fala de qualquer pessoa, o que desencorajava um ímpeto de contestação, e também Farapous era geralmente a maior pessoa em qualquer ambiente e a mais forte sem dúvida. Porém havia algo, as moças logo notavam que ele era totalmente seguro, sendo que se estabelecia esta sensação nos primeiros minutos, talvez pela limitação espacial dos gestos, e certamente pela forma como as risadas enormes tomavam conta de tudo com os temas mais ingênuos. Farapous era totalmente inofensivo para as mulheres. Com o tempo Renato descobriu, não sem susto, que ele não tinha um pênis e bolas, tinha uma vagina e bolas.
Seria normal pensar de Farapous, tão forte e bronco, com aquela linguagem quase pura e o humor infantil, que pudesse mesmo ser mensurado algum nível de retardo metal. O mundo é malicioso e está nas mãos dos mais inteligentes. No entanto em seu quarto havia uma coleção de medalhas. Era o campeão em anos seguidos na agremiação de competidores de Go, um exercício conhecido por exigir grande habilidade cognitiva, e esteve invencível até o ano que perdeu seu pai e não mais pisou no clube. Seu modo de jogar inesperado também refletia a lógica posicional das estrelas nas horárias de astrologia, e apenas Renato descobriu isso anos mais tarde quando exilado leu o livro estranho, Gimnore Xioge, encontrado na biblioteca dos desertos. Nos estudos levantados por essa descoberta então soube mais sobre Farapous, encontrou escrito a comparação entre os jogos mais antigos da humanidade. O jogo do Gamão era o homem contra os deuses, o Xadrez era o homem contra o outro, e o Go era o homem contra si mesmo. Aquele massivo ser levava em si as fundações e resultados arquetípicos dos dois primeiros estágios, porém seu espírito, na verdade, esteve sempre além da compreensão das pessoas, no último conflito de sua espécie.
Renato passou a frequentar a casa do amigo e talvez nessas horas de convivência que aprendeu as particularidades do seu nome. O assunto se transformou em uma curiosidade na escola porque Farapous não atendia se chamado pelo nome quase nunca, para uma interpelação era necessário ser explícito no direcionamento ou tocá-lo fisicamente, procedimento com qual as pessoas estavam normalizadas já que o tinham como autista. Chamá-lo às vezes era usado como bullying e era um dos bullyings praticáveis, devido ao seu tamanho e força todos tendiam a corresponder com amizade e acompanhar suas risadas, então nas ironias, duplo sentido e outras malícias se resumiam as ações públicas dos que lhe queriam o mal, e chamá-lo era uma delas, o que faziam rindo do fato de que não era capaz de atender ao próprio nome. Farapous não tomava conhecimento e era como se estivesse em outra frequência audível apesar do riso contido de todos.
Porém tudo isso mudou no dia que alguém chamando Farapous foi corrigido por Renato, "Hampsape", ele chamou Farapous que moveu o rosto na direção o atendendo prontamente. Então todos vieram surpresos chamar "Hampsape" para testar e crer por seus próprios olhos. Durou alguns dias e Farapous voltou ao modo sem nome. Quando questionaram Renato, este naturalmente o chamou "Amnonbaboque". Nesse ponto que teve que explicar um pouco do que sabia, que simplesmente o nome de Farapous era um nome cronográfico e se alterava conforme os céus se alteravam, e naquele dia a horária astrológica apontava que o nome seria lido como "Amnonbaboque".
Outra descoberta que acabou ocorrendo pela convivência próxima entre os dois concerniu ao xixi. Renato notou que o amigo avançava o corpo por cima de onde estivesse urinando e mantinha as pernas um tanto abertas concluindo um movimento de projeção estranho enquanto a mão que levava à frente não parecia estar segurando o pinto, mas fazendo alguma outra coisa como abertura usando dois dedos pressionados. Tudo isso notou com inferições que de estranheza em estranheza foram se firmando na curiosidade específica. Quando fez a constatação do que acontecia, na verdade, havia em si um pleno conhecimento vindo da soma de pequenos sinais que mais pareciam encerrar em uma intuição forte. Por algum tempo alimentou uma curiosidade intensa pela confirmação, e este estado de espírito o mergulhava em conflito, traindo a confiança do amigo, mortalmente, ao mesmo tempo que se amargurava da confiança que perdia até em si mesmo, ainda assim sentia permanecer a capacidade de querer saber como era o que já sabia.
(continua)
Agentes da ONU.
Saímos de entre as residências e estávamos avançando além da linha do último círculo de casas do conjunto habitacional. Depois de vencermos um pequeno vale fomos cercados pelos agentes da ONU e presos. Nos rendemos. Fomos conduzidos presos ao longo da linha do trem. Íamos rastejando, sem permissão para nos levantarmos, e os agentes atrás andando. Uma pessoa se adiantou no rastejamento e à frente tinha espaço para levantar e correr. Então me apressei sobre ele, abracei seu corpo para impedi-lo de correr, até que o agente chegou perto, fiz algum sinal de que estava tudo bem.
Acho que agente fez de propósito ao permitir aquele distanciamento. Era para ele tentar fugir e o agente ter um motivo para atirar. Não sei, não entendi muito bem. Depois chegamos em um posto militar e fomos presos. Logo fugimos. Não sei se foi suborno ou se os soldados do posto nos ajudaram. Porque fugimos com algemas. Eu algemada nas outras três pessoas.
Voltamos na direção do mesmo lugar que tínhamos sido presos. Encontramos uma oficina onde havia uma furadeira de coluna que usamos para furar as algemas. Saímos dali correndo e o dia estava amanhecendo. Era manhãzinha da madrugada. Quando eu ia saindo, um motoqueiro que já vi trabalhando com entregas na região, passou e me olhou demoradamente.
Cheguei numa esquina ele estava parado, me esperando acho. Pulei na garupa da moto dele fazendo careta e ameaçando com uma arma fictícia debaixo da blusa. Era um pedaço de ferro parte das algemas. O motoqueiro me deu a moto com uma facilidade que estranhei, mas quando montei na moto e acelerei, vi que que ele tinha desencaixado o cabo do acelerador, era uma armadilha. Precisava das duas mãos para encaixar e ele vinha para me bater. Não dava tempo de pôr a moto no chão, ou jogar a moto e correr, não havia como me desvencilhar da moto sem que fosse alcançada por ele. Estava presa ao peso da moto e à posição do meu corpo. Foi uma boa armadilha.
Pensei um pensamento derrotista de Mahatma Gandh. "O mundo não é totalmente governado pela lógica. A própria vida envolve certa espécie de violência. A nós compete escolher o caminho da menor violência.” Derrotista para mim, no caso, porque o Mahatma, pessoalmente, parece que venceu.
Luz e o cérebro.
Estávamos em frente uma igreja. Encostadas num dos muitos carros estacionados ao redor. Víamos os vitrais e a luz muito branca e forte que saia de dentro do prédio da igreja. Uma energia vibrava lá dentro. Não sei se a proximidade nos abençoava e não sei o que poderia nos abençoar ou fazer bem às nossas almas. No entanto tínhamos algum interesse genuíno ali. Alguma inteligência nos permitia decifrar um pouco daquela luz. Daquela energia que vibrava, nós sabíamos ou intuíamos alguma coisa.
Talvez sobre a inteireza do assunto, sobre a luz, sobre o que víamos, nos faltava ainda processos mentais, compreensões e pensamentos. Agora, friamente, penso que foi exatamente isto. Havia uma certa busca em nós, mas também uma incapacidade, ou a constatação de uma incapacidade.
Falo isto por causa do que se seguiu. Quando dei por mim estava tirando do bolso uma cocaína. Um saquinho plástico pequeno do tipo ziplock. Simplesmente, sem cerimônia alguma, derramei um tanto na xícara de chá da moça que estava comigo, minha amiga. E outro tanto na minha xícara. Era um chá vermelho hibisco porque cheirava vermelho esmaecido como hibisco, e não lembro se ela tomou imediatamente, mas eu sim. E o efeito foi quase instantâneo, comecei a pensar numa velocidade absurda. Milhões de inferências sobre a luz e sobre vibrações.
A torrente de atividade cerebral ficou tão intensa que acordei. E comecei a desconfiar que posso ter um tumor no cérebro, e que está aqui há muito tempo.
Rotação.
Estava numa clínica para fazer uma cirurgia. As paredes brancas eram de um tom tecnologicamente avançado que talvez ainda surgirá em algum tempo, não sei, se acontecerá estas paredes ou pinturas com nanotecnologia ativa que neutraliza patógenos e regula o equilíbrio do ar, até mesmo a temperatura pode ser controlada por isto. Na sala havia uma cadeira muito intrincada e moderna, parecia uma cadeira ginecológica. Era onde eu ficaria para o procedimento. Eu devo estar afetada pelos aparelhos da Anna Uddenberg, certeza, porque embora eu não lembre mais com precisão, posso garantir, tinha uma correlação estética entre a clínica e sua tecnologia, tal como a cadeira cirúrgica com a instalação Continental Breakfast, Meredith Rosen Gallery, New York, 2023. A isto corrobora o fato de que a cirurgia era nas costas.
No entanto, antes de eu ser colocada ou me colocar naquilo, pedi para ir ao banheiro. Pois é, tive uma vontade urgente e sabe como é. Ou não sabe. Aí demorei no banheiro fazendo o xixi. Demorei tanto que e o sonho virou. O mundo rodou, o cosmo reiniciou e mudou o mundo, mudou a realidade e perdi a cirurgia.
Saí do banheiro em um outro lugar e aconteciam umas outras coisas. O sentimento de culpa, alívio, recuperar a realidade sabotada, sei lá. Aconteceram muitas coisas.
Duas mocinhas conversando.
A alternância musical e initerrupta de duas mocinhas coloridas conversando se embola ordeiramente na minha cabeça. Dengosas e melosas, falam do repentino desconhecimento que me cabe. Só o papiamento e as diversas tonalidades reconheço como delícias da cultuação brasileira. Porque, de resto, fiquei sem entender coisa alguma, em meio aos quase flashes do brilho de brincos, piercings e aparelho nos dentes.
Ataque da frente ampla.
Um ataque mundial perpetrado por grupos ditatoriais em cada país aconteceu e no Brasil os ditadores decretaram perseguições em massa a partir dos dados fornecidos pelas plataformas sociais e o fechamento de todos os meios de comunicação.
Todos os jornalistas foram para uma embaixada e eu estava lá também, naquele momento, saindo do prédio. Encontrei muitas pessoas paradas pela rua que olhavam o final da avenida, alguma coisa vinha de lá, disparos ou ação de luta. Dentro de um veículo do tipo van, que estava com a porta lateral aberta, vi jornalistas das redes de televisões principais do Brasil, todas vestiam blusas verdes, que me pareceu um sinal em código para alguma facção das forças que formavam a frente ampla democrática, o clima era de incerteza e medo e a frente ampla bombardeava os resistentes que lutavam por liberdade.
Acho que nunca mais vou esquecer o que eu estava vestindo, no entanto estava sem um casaco e começava a esfriar, parei entre as pessoas que encaravam o horizonte atarantadas e pensei se valia a pena voltar. Estava mesmo esfriando, embora ainda confortável, decidi retornar às instalações onde estávamos abrigados. Dentro do prédio muitas pessoas, de vários países, e nas mesas do meio do salão, um grupo de diplomatas e jornalistas africanos cantavam uma canção evangélica muito linda que eu nunca havia ouvido. Passei por eles e vi seus rostos reconhecendo apenas um, o que estava com o violão. De algum modo ele era meu pai.