“Sem a música, a vida seria um erro — disse Nietzsche ao mundo. Eu, em minha simplória sabedoria, digo mais: Sem a arte, a vida seria um erro. Sem a música, a vida perderia seus raros momentos de harmonia. Sem a literatura, a vida seria um mero engano e a realidade não seria tão suportável. Sem a pintura, a vida não seria colorida como é, e possivelmente não perceberíamos que a loucura também é um meio de genialidade. Sem a fotografia, a vida não seria tão memorável e seriam mais raros os momentos onde nos aproximamos da eternidade. Às vezes, me pergunto como algo tão inútil para a lógica social, pode continuar sendo uma atividade cada vez mais viva, mais buscada… Talvez, seja porque a arte é a própria vida, a projeção das angústias humanas, a representação de nossa incompletude insaciável. E se eu estiver certo sobre isso — e acredito que estou, em certa medida —, podemos nos alegrar um pouco mais, despertar em cada um de nós a vocação artística e reavivar a genialidade criadora que os Românticos tanto exaltaram. Pois se a arte é a própria vida, ela existirá enquanto existirmos, cumprindo o seu inefável papel de nos oferecer a beleza, o encanto e a catarse que a crueza da realidade tanto nos nega.”