Ela se sente a beira de um precipício e, à medida que se arrisca mais, parece chegar mais perto do fim. Se o ciclo se completa, é anunciada a chegada da morte. Tudo o que era bonito pode ser findado em questão de segundos. Há sempre um culpado – ou mais de um. E um deles pode vir de dentro dela. Sentimentos assassinos fazem o seu trágico trabalho movimentados por uma energia pequena, mas que causa enorme estrago. Seu alimento é a ilusão, que acaba sendo um veneno. As pessoas não sabem, mas toda vez que iludem essa menina, acabam a matando aos poucos. Muitas partes dela já se se extinguiram, embora nasçam outras em seu lugar – como acontece com uma estrela-do-mar, quando perde um de seus braços, é um processo parecido com a regeneração. Quando perdeu a confiança, ganhou esperteza. Na morte da mania de acreditar em tudo o que lhe é dito, surgiu o hábito de desconfiar.
A vida a tem ensinado a fazer bom uso do que recebe. E a não ser tão vulnerável aos seus próprios sentimentos. Nada pior do que uma morte que começa por dentro.