Busco prazeres imediatos. Nego tudo aquilo que me toma tempo. Pois estou cansado de esperar; foi o que sempre fiz e nunca me levou a nada. Sento paciente, procuro em catálogos, adentro algumas frestas, mas tudo o que me contém é a contemplação das meras possibilidades. Pela manhã, vigio; a noite, desmorono; e então me deito na frustrada esperança de que o amanhã possa ser diferente. O coração no peito esmaga, a garganta a minha respiração tapa. É a convocação por se tornar um algo a mais; um calejo que em virtudes e desavenças aprendi a costurar; apego-me a ele, ainda que me roube a paz. Os prazeres? São apenas tapa buracos para as brechas que sequer sei onde ficam. Estão escondidas, talvez suas origens, em locais que me soam estranhos, mas possuo. Desminto, reconto, nego. Atribuições que aprendi a fingir controlar. Estratégia de quem ama e tem medo de amar. Sonho de quem respira, mas crê que talvez na vida não há de encontrar: o eterno amanhã que se molda em laços e desprendimentos; o descobrir que talvez a dor nunca passará.
— Destrinchado


















