Muitos jovens, atraídos pelas propostas anarquistas, muitas vezes mais como uma forma de meramente revoltarem-se contra a tirania das instituições, da educação coerciva dos institutos educacionais, ou simplesmente do julgo familiar, adentram o movimento sem a devida reflexão e necessário amadurecimento pessoal, apregoando aos brados serem anarquista de primeira ordem. Contudo, leem e cultivam do anarquismo o que lhes seja conveniente e aprazível ao seu desejo de vingança contra a sociedade usurpadora de sua liberdade.
É certo que seja direito de todos rebelarem-se, base inquestionável do anarquismo, fato que aqui não estamos em hipótese questionando ou confrontando, porém, rebelar-se por si só não demonstra efetivamente progresso em direção à liberdade individual e, muitas vezes, trata-se apenas de passionalidade, um capricho frente às necessidades pragmáticas da vida.
Alguns destes mesmos jovens, ignorantes dos fundamentos anarquistas e de um estudo profundo de seus pensadores e da devida crítica pessoal e ambientação de suas obras, violam a lei mais fundamental e irrevogável do anarquismo, a da não coerção e a do respeito à liberdade alheia, tentando enfiar pela goela abaixo de outros, as idéias propagadas pelo movimento, discriminando, fazendo chacota, constrangendo, enfim, pecando em relação aos postulados mais essenciais do anarquismo.
O anarquismo não é de Proudhon, não pertence a Malatesta, não é propriedade intelectual de Bakunin, como também, de qualquer outro destacado anarquista histórico ou futuro. O anarquismo é orgânico e desenvolve-se sempre, não é sectário, nem partidário, não promove o endeusamento de qualquer de seus expoentes.
O anarquismo tem por base entre outros princípios simples, que devem fazer parte da constante reflexão de seus afinados: a não coerção, a liberdade individual, a ausência de autoridade, o humanismo (solidariedade, cooperatividade, colaboratividade, respeito mútuo, entre outros), antiautoritarismo, a ação direta, apoio mútuo e internacionalismo.
Não basta dizer-se anarquista, deve-se manifestar os princípios do anarquismo no dia a dia, em todas as atitudes e, principalmente, refletir intensamente sobre a condição e motivação individuais, coisa sem a qual é impossível a própria libertação do julgo dos condicionamentos autoritários.