Raquel Lira: minha coaching motivacional.
Há um tempo queria iniciar a escrita destas crônicas, não digo que me deixei rolar pelo chão, convulso, assim em louco desejo; mas, aos poucos, essa vontade foi se avolumando e ganhou corpo. Porém, alguns fatores corroboraram para a tomada da decisão.
O primeiro deles foi ter comprado a minha primeira camisa tamanho GG, quase a bandeira de Pernambuco, erguida no palácio das princesas, pano para abrir uma fábrica têxtil, assim como a de Caruaru, quiçá, Toritama ou Santa Cruz do Capibaribe. Vejam só, logo comigo, a vida toda magro, agora os amigos de copo, e de cruz, andam por aí a me apelidar de cobra grávida. Fico aqui pensando: Milton Nascimento não deve ter escrito a Canção da América para amigos assim. Mas, a inteligência popular parece ter trazido a resposta, pois fala ao meu ouvido: tem amigo safado quem pode. Naquela noite, no bar, posso ter fechado os olhos, três ou quatro vezes, enquanto falavam que ficar rico era uma questão de escolha, afinal, o coaching financeiro deles explicara a teoria em um curso on-line. Tudo por estar cochilando! Se até o final dessa crônica eu não me arrepender, mantenho no texto o apelido que está, o verdadeiro, os amigos do bar saberão que não lhes guardo rancor.
O segundo motivo é o nascimento de uma rede nova, a Threads, que liberta a escrita, sem reservas de caracteres, pois o “continua nos comentários” é o coito interrompido do mundo digital. E, ao que parece, não sei dançar, não tenho paciência para editar vídeo e não fico bem de biquíni, nem de Maiô. Nos blogs há aquela sensação de estar trabalhando na Voz do Brasil, tendo a quase certeza de estar falando sozinho, mas aqui, nesta liberdade assistida, parece que serei menos infeliz. Reunirei esforços para publicar, a cada domingo, pelo menos uma crônica, quem sabe você leitor não tenha a mesma sensação que eu, lá nos idos da memória, o jornal chegando no domingo pela manhã, o som da abertura do globo rural ao fundo, depois de algumas paginações, encontrar as crônicas do Macaco Simão. Ao ler, eu ria mais do que entendia, é verdade, mas sabia que não se tratava só de humor, mas de sagacidade, libertinagem, crítica apurada, colírio alucinógeno, ideia rápida exercida entre a manobra dos corpos e o momento do drible, não se tratava de fazer o gol, mas sim de participar ativamente do jogo.
Por fim, o desgoverno de Raquel Lyra, a imperatriz do sertão, ou Mainha como, ironicamente, fora apelidada em Caruaru, no seu curral eleitoral, digo, sua terra natal que está mandando e desmandando, mais como uma senhora de engenho, que como funcionária do povo.
O tilintar das línguas, não sei se más, se boas, ou se justas… Dizem que a oligarca se encastelou; que teve deputado estadual de oposição morfando na cadeirinha do pensamento, aguardando uma reunião, ficou com cara de tacho vendo os passos apressados dos subordinados ouvindo a risadagem desconexa que vasa dos gabinetes. A funcionária terceirizada que viu passando apressada com duas garrafas de café no braço, não está mais lá, foi demitida, assim como quase a totalidade dos funcionários terceirizados; as línguas ferinas, ou honestas, dizem que há ônibus indo e vindo de Caruaru para ocupar essas vagas. Será que tudo faz parte dos 72 dias do São João daquela cidade? Ou é amor ao curral eleitoral, quer dizer, terra natal?
Os servidores também vêm sendo engolidos pela máquina, como Carlitos, em Tempos Modernos, mastigados pelas catracas da engrenagem, o primeiro decreto da Virgulina do agreste mandou que todos os funcionários que estavam à disposição voltassem ao órgão de origem, a falta de método foi tão bizarra que, no momento seguinte, percebeu o quanto sua própria equipe seria impactada pela medida, então, voltou atrás, apenas no ponto que a interessava.
A máquina segue desbalanceada e desalinhada, muitos servidores ainda estão no limbo, pois não encontram trabalho efetivo no seu órgão de origem, e outros estão sobrecarregados, pois perderam a força de trabalho dos servidores cedidos. Além disso, perderam, sem aviso prévio, suas gratificações, para alguns representava metade ou até mais dos seus proventos, devendo ser colocado nesta conta os excessivos empréstimos que corroem seus salários, muito acima dos trinta e cinco porcento constitucional; um número de servidores, sem precedentes, está em petição de miséria, recebem entre duzentos e quatrocentos reais líquidos, no entanto, todos sabem, que um ato nessa dimensão precisaria de uma auditoria interna preliminar, e muitos se perguntam: ninguém vai fazer nada? Ao que parece, a bomba está armada, logo mais, Pernambuco explodirá.
As línguas vorazes ou altivas dizem que é governo de um mandato só, por isso fiz a minha matrícula na academia, não fico bem tão gordo em um terno, porém preciso me sentir bem, slim fit, para assistir a esse governo chegar ao fim. Obrigado, Raquel, tão diferente de sua irmã, a Ruth, meu Deus! Sem você nada disso seria possível.
Sigo por aqui na minha caminhada, sem fastio, com fome de tudo! Agora arrasta pra cima e manda pix, que estou no Onlyfans!












