Ele era frio, arrogante, calculista e machista. Ela era quente como sol, sensível, impulsiva e feminista. Ele era alto, branco, quase como a neve, tinha sorriso e olhos bonitos. Ela era baixa, parecia ter sido beijada pelo sol, usava sempre os cabelos jogados; Cabelos estes, que ele amava. Ele era psicopata. Ela tinha tendências suicidas. Ele falava, ela brigava. Ele era calmo, ela discutia. Ele se achava maioral, era anti-social. Ela se achava inferior, era amiga de tudo e de todos. Dois mundos se colidiram pelo melhor dos piores acasos da vida. Foi romance passageiro, amor de verão. Foi brisa ardente em noites frias. Ele foi a cura para todas as doenças que ela tinha. Ela foi a melhor entre todas as outras. Ele dizia que sempre fazia o certo. Ela nunca admitiu estar errada. Eles eram do signo de Capricórnio. Ele era noite, ela era dia. Ele gostava de ler e ela gostava de dançar. E, no pior dos clichês, ele gostava de filmes de ação e ela preferia romances que lhe fizessem chorar. Ele era quieto, observador. Ele era espontânea. Eles eram opostos um do outro, mas, na maior ironia possível, eles pensavam claramente de formas parecidas. Então, se foi o destino, acaso, o universo, chame como quiser, eles se encontraram. Eles se permitiram. Ele tinha palavras bonitas na ponta da língua, acostumado com conquistas e sedução. Ela tinha um coração quebrado, implorava cura para a sua dor, mas insistia dizendo não acreditar no amor. Ele foi como analgésico instantâneo, curou cicatrizes incuráveis, levou embora lembranças amargas de um passado cruel, como se este nunca tivesse realmente acontecido. Ele prometeu a ela que faria tudo aquilo passar. Ele disse que ela seria amada. Ela foi amada. Ela amou. Amou da forma que achou não ser capaz. Ele era Yin. Ela era Yang. Eles eram perfeitos da forma mais imperfeita possível. Ele era dela; Ela sempre foi dele. Eles planejaram um futuro, lutaram contra o mundo e contra todos e qualquer força que ousassem querer interferir naquele amor.
Ele a amava. Ela o completava. Uma pena que, como toda história de amor verdadeiro, eles não ficaram juntos.
- Clarisse was loved.








