Preciso confessar que estudar o conceito de “rede” deu um verdadeiro nó na minha cabeça. Dependendo de onde a gente esteja, “rede” pode significar coisas totalmente diferentes.
Por exemplo, quando ouço essa palavra, a primeira coisa que vem a mente é a rede de internet. Se colocarmos somente a palavra “rede” no google, aparece aquela legítima, a rede criada por nossos antepassados para nos acolher nas horas de descanso.
Mas no final das contas toda rede é dinâmica, seja a de balançar, seja a rede da informática, da matemática, da física, seja a rede financeira ou a rede de pescar.
O professor Pierre Musso diz que o conceito moderno de rede nasce a partir do pensamento de um filósofo chamado Claude-Henri de Saint-Simon. Chique né?
Vamos conhecer um pouco o que pensava este rapaz
Saint-Simon começa a refletir a partir da estrutura do nosso organismo, que é uma rede em perfeito funcionamento, com o sangue correndo pelas veias, as quais bombeiam o coração e faz funcionar todos os órgãos, cada um com sua própria função.
Para este filósofo, assim também deveria funcionar a sociedade, ele diz que quanto mais um corpo é organizado, mais ele tem ação sobre seu ambiente. Ele diz também que a construção de redes de comunicação torna-se um objetivo de utilidade pública e uma garantia de felicidade material.
A ideia de Saint-Simon com o seu conceito de “rede” era fundar uma espécie de religião baseada em três elementos: a associação, a comunicação e a comunhão.
E você, qual a primeira coisa que pensa quando escuta ou lê a palavra “rede”?
A teoria ator-rede (TAR) teve origem na sociologia, com as contribuições de três feras chamados: Bruno Latour, Michel Callon e John Law.
Eles defendiam que o conhecimento não é um elemento elaborado por meio de um método científico privilegiado, defendem também que o conhecimento é um produto social gerado pela interação com objetos e humanos.
Na teoria ator-rede, o ator é definido a partir do papel que desempenha, do quão ativo é, e quanto efeito produz na sua rede. Já a rede representa interligações de conexões (como se fossem os nós) onde os atores estão envolvidos.
A rede pode seguir para qualquer lado ou direção e estabelecer conexões com atores que mostrem alguma similaridade ou relação. A rede é o lugar onde tudo interage, não há maiores ou melhores, tudo tem sua importância.
Você acha que a rede digital é democrática? O que você achou das ideias de Saint-Simon? Uma sociedade em rede funcionaria melhor que uma sociedade de grupos isolados?
Vou deixar vocês aí refletindo e próxima semana volto.
Bye!
Referências:
MUSSO, Pierre. A filosofia da rede. In: PARENTE, André (Org.). Tramas da rede. Porto Alegre: Sulina, 2004. p.17-38. PORTO, Cristiane; OLIVEIRA, Kaio Eduardo de Jesus. Educação e Teoria Ator-rede: fluxos heterógenos e conexões híbridas. Editus: Ilhéus, 2016.Disponível em: <http://www.uesc.br/editora/livrosdigitais2017/educacao_teoria_ator_rede.pdf> Acesso em: 4 mar. 2021.
Ilustrações: Raphaella Araújo
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