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Os cabelos castanhos estavam soltos e, como se não bastasse tal raridade estar acontecendo, Elizabeth mantinha os lábios marcados com um tom arroxeado de batom. Péssima ideia. Manteve-se observando o letreiro do Borealis por longos e, quase eternos, cinco minutos. Deixar Deva com uma babá que conheceu por um aplicativo era de uma ideia irresponsável sem precedentes. Já havia visto crimes envolvendo babás e isso a atormentava desde o momento em que foi vencida pelo cansaço, convencida pela amiga de trabalho a sair com um homem desconhecida. De qualquer forma morava em Valletta, seu trabalho como policial era unicamente voltado para pequenos furtos e interditar prédios com suspeita de vazamento de gás, pensaria positivo. A babá tinha um bom histórico e seus vizinhos estavam em alerta para qualquer eventualidade, assim esperava.
Com os dedos batendo sem ritmo algum sobre a mesa de madeira e um vinho sedento por ser aberto, Elizabeth mantinha um olhar apreensivo e um corpo que claramente não aguentava esperar mais um minuto sequer. Passava das vinte e uma e, aparentemente, seu encontro havia sido desmarcado sem ela saber. Furiosa, frustrada e impaciente, a Balzan levantou da mesa, fazendo com a taça de cristal quase caísse, obrigada reflexo por ter funcionado impedindo de um acidente com prejuízo ocorrer. “Oi, eu queria saber se podem me emprestar o telefone pra uma ligação. É rápida. Prometo” sorriu para o atendente com a intenção de disfarçar qualquer mau humor que pudesse estar demonstrando naquele dado momento “Minha bateria tá no limite e é minha única forma de comunicação com a babá.” explicou mesmo sabendo que não devia explicar nada ao homem que permanecia ao seu lado no balcão. O rosto, inclusive, que não era desconhecido. Talvez tivesse o abordado dirigindo embriagado qualquer dia desses. Chutava que era o perfil do moreno. “Sim, eu acabei de levar um bolo. Tá tão claro assim? E não deveria ligar pro cara, deveria?”










