O OLHAR ATRAVÉS DA MÁSCARA . Ao sair de casa me deparei com uma imagem vista apenas pela televisão e nos grandes centros onde a epidemia se manifestou avassaladora e impiedosa. Todos mascarados e eu também! Fiquei por alguns momentos a observar e sentir a situação, me deixando envolver pelos olhares que sobressaiam daquelas pessoas desconhecidas que, como eu, estavam seguindo as regras de prevenção. Foi engraçado, em uma padaria perceber as pessoas mesmo que há dois metros de distância querendo reconhecer umas as outras através das máscaras, eu mesma, me deparei com pessoas que achava parecida com alguém e fiquei olhando até ter a certeza de que não era. Para pedir algo ao atendente o olhar tomou lugar do verbo, era possível notar satisfação, impaciência e tranquilidade das pessoas nessa nova forma de interação. Sim, com parte de nossa “identidade” escondida, o olhar, saltou para se fazer presente e ser visto. Comecei a pensar sobre a representação daquelas máscaras para além delas. A máscara se compõe de múltiplas linhas silenciosas que se encaminham para o encontro com o olhar, provoca a curiosidade e o encantamento na exploração da imaginação através do que está exposto. Através do olhar, vemos o outro que nos olha, reflete semelhanças, diferenças e a condição única, de sermos humanos em busca de sentidos, caminhos e significados. O ato de olhar pode nos abrir para espaços que habitam a nós e aos outros, pode ser capaz de nos expandir para vermos além, pode nos revelar para o vazio ou nos preencher de significados, depende da nossa permissão para ver. Há quanto tempo não olhas profundamente nos olhos de alguém? Há quanto tempo não olhas profundamente para teus olhos? Olhar, nos faz observar a vida e suas interações, nos devolve o próprio olhar transformado a partir da nossa permissão para ver. Danielle Buna . #daniellebuna #covid19 #reflexoescovid_19 #poesiaepandemia #olhares https://www.instagram.com/p/B_qz3W4Jkbt/?igshid=ivbt9kr6s540







