newt comia aquela maçã do amor fazendo caretas, não que estivesse ruim, na realidade, estava deliciosa, docinha na medida certa e, de vez em quando, o caramelo derretido grudava nos dentes e nos lábios, mas não de maneira irritante. sendo honesto, fazia caretas porque não tinha ninguém para dividir a dita cuja. naqueles momentos o rapaz, aparentemente, fazia questão de lembrar a si mesmo o quanto era um fracasso em diversas coisas, incluindo em encontrar um namorado. e falando nisso.... o moreno se remexeu de maneira desconfortável ao lado de meili no banco. como iria dizer aquilo para meili? será que devia dizer aquilo ‘pra ela? existiam mais coisas em jogo além de sua necessidade quase incontrolável de conversar com alguém a fim de desabafar e desestressar. com um suspiro pesado, decidiu falar, afinal, newt era do tipo falante, precisava conversar com as pessoas sobre o que estava acontecendo em sua vida, ou enlouqueceria! ele não era o tipo de pessoa que conseguia passar muito tempo engarrafando sentimentos. - ok, @fameili , eu vou te contar isso porque confio em você e sei que você não vai contar ‘pra mais ninguém. é algo bem pessoal também, então você vai ser a primeira pessoa a saber. - já que eu não sei se quero conversar sobre isso com minha irmã. confiaria sua vida a jane, porém, não sabia se queria ouvir conselhos românticos da mais velha, afinal, o padrão dela era... o aspen. - rolou uma coisa entre mim e o... o ...... um garoto, na festa, no banheiro... - começou a contar e imediatamente se arrependeu, uma vez que a frase não apenas soou estranha, como completamente errada. também havia gaguejado um pouco no meio da sentença ao lembrar, no último segundo, que talvez não devesse mencionar o nome de bartolomeo. eu mal abri a boca e já deu tudo errado. - não desse jeito. - foi rápido em acrescentar. - a gente chegou muito perto de se beijar. só isso. - continuou, tentando esconder o rosto vermelho atrás da maçã do amor, talvez, se a deixasse bem perto de suas bochechas, a chinesa pensasse que a vermelhidão fosse, na verdade, a maçã. - mandando a real: eu fiquei muito decepcionado que a gente não se beijou... ele diz que só perdeu o equilíbrio, então eu não sei o que pensar disso. mas o fato é que agora eu ‘tô muito confuso, sabe? e agora eu quero muito beijar ele. - admitiu, ainda sem olhar para a mais velha. não havia mencionado o nome de bart uma única vez, pois não queria expor o amigo daquela maneira. bart ainda estava namorando e, tecnicamente, ainda era hétero. - o grande problema é que eu não sei se é só vontade ou se eu... gosto dele. - falou a última parte bem baixinho, de forma quase inaudível. a cada palavra, o garoto afundava mais no banco, deixando o corpo escorregar, como se estivesse lentamente chegando ao fundo do poço metafórico em que estava.