RESENHA: O QUARTETO SMYTHE-SMITH
Quem já leu algum dos romances de época da renomada Julia Quinn, em algum momento deve ter se deparado com o sobrenome Smythe-Smith. A famosa família já foi citada diversas vezes nos livros dos nossos queridos Bridgertons, e seus recitais são conhecidos por serem um tanto quanto memoráveis. A tradição que nasceu 18 anos antes dessa saga começar, consiste em fazer com que a cada ano um quarteto de primas Smythe-Smith toque em um recital, onde grande parte da sociedade londrina estará presente, e o mais engraçado de tudo isso é que as meninas não levam o menor jeito para a música.
Honoria Smythe-Smith sabe que, para ser uma violinista ruim, ainda precisa melhorar muito…Mesmo assim, nunca deixaria de se apresentar no concerto anual das Smythe-Smiths. Ela adora ensaiar com as três primas para manter essa tradição que já dura quase duas décadas entre as jovens solteiras da família. Além disso, de nada adiantaria se lamentar, então Honoria coloca um sorriso no rosto e se exibe no recital mais desafinado da Inglaterra, na esperança de que algum belo cavalheiro na plateia esteja em busca de uma esposa, não de uma musicista.
Marcus Holroyd foi encarregado de uma missão…Porém não se sente tão confortável com a tarefa. Ao deixar o país, seu melhor amigo, Daniel, o fez prometer que vigiaria sua irmã Honoria, impedindo que a moça se casasse com pretendentes inadequados. O problema é que ninguém lhe parece bom o bastante para ela. Aos olhos de Marcus, um marido para Honoria precisaria conhecê-la bem (de preferência, desde a infância, como ele), saber do que ela gosta (doces de todo tipo) e o que a aflige (como a tristeza pelo exílio de Daniel, que ele também sente). Será que o homem ideal para Honoria é justamente o que sempre esteve ao seu lado afastando todo e qualquer pretendente?
No primeiro volume dessa série conhecemos Honoria, uma garota que em seus 21 anos e na terceira temporada como debutante, está encontrando problemas para arranjar um marido. A família da garota sempre foi muito grande e barulhenta, e mesmo sendo a caçula, ela estava acostumada com uma casa cheia, mas o casamento de suas irmãs e a fuga do seu irmão, acabou fazendo com que ela ficasse sozinha com a mãe e desesperada por um casamento.
Do outro lado da trama temos Marcus, o mocinho que foi uma criança solitária, filho único de filhos únicos, que passou boa parte da infância tendo como companhia apenas os funcionários da casa onde morava. Em sua adolescência tudo mudou ao conhecer Daniel Smythe-Smith, irmão de Honoria, que está exilado na Itália após entrar em um duelo com o lorde Hugh. Ao se tornar melhor amigo do conde de Winstead, Marcus passou a conviver com a numerosa família, com quem passava boa parte das férias e feriados. Os anos passaram, as responsabilidades como conde chegaram e após seu melhor amigo ter que fugir do país lhe pedindo uma única coisa, que ele fique de olho em Honoria e a impeça de se casar com um pretendente inadequado, Marcus se vê em uma situação um tanto quanto complicada.
Comecei a leitura sem saber ao certo o que esperar e me surpreendi ao ver quão doce pode ser um romance da Julia Quinn. Acostumada com seus livros cheios de sedução e personagens que se conhecem nos bailes londrinos, me vi encantada por esse casal que cresceu junto e viu de uma amizade surgir o amor. Invertendo um pouco os papéis, nesse primeiro volume da série nós nos deparamos com um mocinho tímido, que prefere levar a vida no campo, ama doces e não faz ideia de como cortejar uma garota, enquanto temos uma mocinha cheia de atitude, que faria de tudo pela família e que mesmo odiando tocar violino nos recitais Smithy-Smith, procura enxergar o lado bom nisso e nunca decepcionaria aqueles que ama.
Honoria e Marcus se conhecem desde que se lembram por gente, tem uma grande consideração por sua longa amizade e fazem parte da história um do outro de formas que eles nem tinham se dado contato, é delicioso ver essa amizade ressurgindo e acendendo sentimentos que eles nunca chegaram a cogitar.
Gostei muito dos laços de amizade que foram retratados, não só entre os personagens principais, mas entre a família e a lição que deixa mostrando que família é quem a gente escolhe ter por perto.
Anne Wynter pode não ser quem diz que é… Mas está se saindo muito bem como governanta de três jovenzinhas bem-nascidas. Seu trabalho é bastante desafiador: em uma única semana ela precisa se esconder em um depósito de instrumentos musicais, interpretar uma rainha má em uma peça que pode ser uma tragédia ou, talvez, uma comédia – ninguém sabe ao certo – e cuidar dos ferimentos do irresistível conde de Winstead. Após anos se esquivando de avanços masculinos indesejados, ele é o primeiro homem que a deixa verdadeiramente tentada, e está cada vez mais difícil para ela lembrar que uma governanta não tem o direito de flertar com um nobre. Daniel Smythe-Smith pode estar em perigo… Mas isso não impede o jovem conde de se apaixonar. Quando ele vê uma misteriosa mulher no concerto anual na casa de sua família, promete fazer de tudo para conhecê-la melhor, mesmo que isso signifique passar os dias na companhia de uma menina de 10 anos que pensa que é um unicórnio. O problema é que Daniel tem um inimigo que prometeu matá-lo. Mesmo assim, no momento em que vê Anne ser ameaçada, ele não mede esforços para salvá-la e garantir seu final feliz com ela.
Conhecido como o irmão mais velho da mocinha do volume anterior, o personagem principal desse romance é Daniel Smythe-Smith. Um jovem conde que após ter disputado um duelo que o obrigou a fugir do país, se vê novamente fazendo parte da sociedade londrina, ao mesmo tempo em que se vê encantado pela governanta das primas.
Diferentemente de Marcus, seu melhor amigo e agora marido de sua irmã caçula, Daniel sempre foi extrovertido e fazia amizades por onde passava. Após passar 4 anos na Itália, fugindo da morte, esse rapaz volta para Londres e está em busca de estabelecer sua vida, quando conhece a misteriosa Anne, e percebe que não medirá esforços para conhecê-la melhor.
Anne tem um segredo, e faz de tudo para esquecer do passado e tentar viver sua nova vida em Londres, como governanta de uma família aristocrata. A garota não tem tempo para pensar em relacionamento ou no amor, mas tudo isso muda quando ela conhece o famoso conde Daniel Smythe-Smith.
Em um romance cheio de sedução, aventuras e mistérios, vemos esses dois personagens se apaixonando e lutando contra traumas do passado e empecilhos do presente, que vão desde as normas da sociedade, até o vilão da história. A leitura é divertidíssima já que conta com a participação das três pequenas primas de Daniel, e ao mesmo tempo deixa nosso coração na boca com segredos e vilões que querem fazer de tudo para impedir a felicidade do novo casal.
Gostei muito da forma como esse casal superou os empecilhos e se respeitam acima de tudo. Diferentemente do livro 3 dos Bridgertons onde o personagem do Benedict passa por uma situação parecida, aqui o Daniel é muito mais rápido e incisivo a respeito de colocar o amor acima das normas sem sentido da sociedade. Só gostaria que o final não tivesse passado tão rápido, queria ter visto mais desses personagens que me cativaram tanto.
A soma de todos os beijos
Um brilhante matemático pode controlar tudo… A não ser que um dia exagere na bebida a ponto de desafiar o amigo para um duelo. Desde que quebrou essa regra de ouro, Hugh Prentice vive com as consequências daquela noite: uma perna aleijada e os olhares de reprovação de toda a sociedade. Não que ele se importe com o que pensam dele. Ou pelo menos com o que a maioria pensa, porque a bela Sarah Pleinsworth está começando a incomodá-lo. Lady Sarah nunca foi descrita como uma pessoa contida… Na verdade, a palavra que mais usam em relação a ela é “dramática” – seguida de perto por “teimosa”. Mas Sarah faz tudo guiada pelo bom coração. Até mesmo deixar bem claro para Hugh Prentice que ele quase destruiu sua família naquele bendito duelo e que ela jamais poderá perdoá-lo. Mas, ao serem forçados a passar uma semana na companhia um do outro, eles percebem que nem sempre convém confiar em primeiras impressões. E, quando um beijo leva a outro, e mais outro, e ainda outro, o matemático pode perder a conta e a donzela pode, pela primeira vez, ficar sem palavras.
No terceiro volume da série, e o meu favorito, nos deparamos com personagens já conhecidos das histórias anteriores e temos a possibilidade de conhecer mais sobre o famoso Hugh Prentice, que após duelar com Daniel, teve sua vida mudada para sempre., e a dramática Sarah Pleinworth, que no livro anterior deixou suas primas na mão ao fingir uma doença para não ter que tocar piano no recital da família.
Hugh é o filho mais novo de um nobre, e nunca achou que assumiria o título da família, mas a grande mudança em sua vida aconteceu após duelar com Daniel e ter sua perna ferida de forma que deixou grandes sequelas. Com o auxílio de uma bengala, ele tenta viver sua vida e impedir que seu pai continue a perseguir seu amigo, o que só consegue com um difícil acordo que coloca a sua vida em risco.
Sarah, assim como suas primas, está presa no recital da família até que consiga se casar, o que ela deseja fazer o mais rápido possível, mas esse não é o maior de seus problemas no momento. Sua prima Honoria vai se casar e pede para que ela seja a acompanhante do Lorde Hugh durante o casamento, o que para Sarah é quase uma afronta, já que ela odeia o rapaz e o culpa por ter feito o primo ficar tanto tempo longe da família.
O romance nasce de um bom gato e rato, mas dessa vez o que mais me prendeu na história foram os diálogos. Sarah e Hugh são completamente diferentes, ou pelo menos acham isso, e se envolvem nas mais diversas discussões enquanto se veem obrigados a fazerem companhia um ao outro. Mas as coisas começam a mudar quando eles percebem coisas que podem admirar e aprender juntos, Sarah não é a garota mimada e superficial que Hugh pensava, assim como ele não é o vilão imperdoável que ela tinha orgulho em odiar.
Uma história sobre superação, traumas, amor e muito mais, que nos deixa com lágrimas nos olhos e vontade de entrar no livro para abraçar e confortar os personagens. Sem contar nas cenas hilárias que as três irmãs de Sarah nos proporcionam, com muitos unicórnios e peças teatrais.
Eu amei a forma como esse relacionamento foi surgindo e me surpreendendo e digo com tranquilidade que esse é um dos melhores livros da autora, com um romance que nos deixa com um sorriso bobo no rosto e pelo menos me deixou pensando em diversas cenas por dias e mais dias.
Os mistérios de Sir Richard
Sir Richard Kenworth tem menos de um mês para encontrar uma esposa… Por isso sabe que não pode ser muito exigente. Mas, quando vê Iris Smythe-Smith ao violoncelo no tradicionalmente desafinado recital de sua família, pensa que o destino trabalhou a seu favor. Ela é o tipo de garota que não atrai muitos olhares, porém algo o faz ter certeza de que é a escolha perfeita. Iris Smythe-Smith já se acostumou a ser subestimada… Com seu cabelo muito claro, a pele alva e o jeito discreto, ela quase sempre passa despercebida, ainda que seja a única do Quarteto Smythe-Smith que realmente sabe tocar um instrumento – não que alguém consiga escutá-la em meio à cacofonia dos concertos. Por isso, quando o charmoso Richard Kenworthy pede para ser apresentado a ela, Iris fica envaidecida, mas também desconfiada. E quando o pedido de casamento dele se transforma numa situação comprometedora, Iris tem a sensação de que ele está escondendo algo… ainda que Richard pareça mesmo apaixonado e que o coração dela esteja implorando para que diga sim.
Encerrando essa série temos a observadora Iris Smythe-Smith, uma garota que pode passar despercebida por muitos, com seus cabelos e olhos claros, mas que por baixo da pele pálida esconde uma personalidade forte e uma mente astuta e cheia de opiniões.
Iris está acostumada a não chamar atenção pelos salões de baile, passa boa parte do tempo observando as pessoas e em sua terceira temporada não acredita que alguém possa se apaixonar por ela, por isso acha totalmente estranho quando os papéis se invertem e ela vira alvo da atenção do misterioso Sir Richard.
Richard precisa urgentemente se casar e quando se depara com Iris no recital da família Smythe-Smith, tem certeza que ela é a garota perfeita para esse papel e não pensa duas vezes antes de cortejá-la a levá-la ao altar, mesmo que tenha que usar de mais do que palavras para conquistar seu objetivo.
Nessa história, diferente das outras onde o casamento é resultado de declarações apaixonadas e personagens que não podem viver sem o outro, a personagem principal se vê casada com um homem que mal conhece e sente que ele esconde algo por trás do seu pedido de casamento. Iris acredita que possa vir a amar o marido, mas a maior dificuldade é conseguir entender os motivos que o levaram a pedi-la em casamento.
Foi angustiante ver o sofrimento dessa mocinha, suas incertezas em relação ao marido e seu desespero ao ver que talvez nunca seja amada, enquanto Richard tem que escolher entre lutar contra segredos que podem destruir sua família ou se entregar aos sentimentos que sente pela esposa.
Eu gostei da trama ser bem diferente dos outros livros da Julia, mas confesso que fiquei um pouco decepcionada com esse mocinho e com a forma como o livro só me deu praticamente 2 capítulos felizes. Foi uma leitura que me deixou aflita 99% do tempo, e com vontade de entrar na história e dar uma bela chacoalhada no personagem principal. Mas não desistam, a trama aborda o perdão, o amor nascido dentro do casamento e os erros, e tem um epílogo lindo.
Amei essa série e confesso que me surpreendi positivamente, foi muito bom rever personagens já conhecidos de ‘Os Bridgertons’ e conhecer um pouco mais sobre a família mais musical - e menos talentosa - da aristocracia britânica da Julia Quinn. Já leu ou ficou curiosa (o) para ler? Deixe sua opinião nos comentários!