É, eu realmente mudei. Quando paro pra pensar em tudo o que eu já fiz na vida é que eu percebo como me transformei. Não estou me lastimando, nem devo fazer isso, mas é que antes tudo era mais simples.
Eu era a filhinha perfeita, a aluna número um da classe, a amiga sem defeitos, e principalmente vazia e infeliz. Eu comecei a perceber o quão idiota eu era por não viver a minha vida de adolescente como se deve, por não me divertir, por não sair, por não namorar, por não me meter em confusão.
No fundo eu sei que era assim por medo, por insegurança, por ter receio de que as pessoas me desprezassem mais do que já me desprezavam. Já chorei muitas vezes calada, já fui muito rejeitada, muito discriminada, sofria demais e muitas vezes não tinha um momento feliz para suprir tanta dor. Eu me mascarei por anos, passava a impressão de estar satisfeita com tudo, feliz com a vida que eu levava, uma vida tão monótona quanto as estações de trem. Achei que deveria mudar, não radicalmente, mas tentar aproveitar um pouco essa fase que julgam ser a melhor da nossa vida.
Tentei... é realmente tentei aproveitar, tentei sair mais, sorrir mais, viver mais. A única coisa que consegui com isso foram problemas e mais problemas. As pessoas começaram a se incomodar com tudo o que eu fazia, uma amizade nova, uma brincadeira, uma saída. Tudo foi motivo para fofocas e confusões.
É, eu realmente mudei, e com isso vieram as decepções, as inimizades, as noites em claro, as lágrimas derramadas. E apesar de toda essa dor, eu fui mais feliz, eu sorri de coisas tolas, eu chorei de alegria, eu me apaixonei e me joguei de cabeça sem medo nem insegurança.
E apesar de tudo isso, eu fui mais feliz.
Agora tudo está se perdendo novamente, sinto que vou voltar a ser aquela garota vazia e infeliz que era, tudo pra acabar com os problemas, tudo para agradar as pessoas, tudo para não perder quem mais amo (por que um dos maiores motivos da minha alegria também foi um dos meus maiores problemas).
Não sei como terminar esse texto. Sinto como se voltasse a estaca zero. Vou para por aqui, palavras não conseguem mais definir o que se passa em mim.