Durante muitos anos era aqui que depositava os meus pensamentos, muitos deles de forma encriptada e lírica no blogue que deixou de fazer sentido. Esse tempo terminou, como terminam todas as coisas, mesmo as mais belas. Mas tudo renasce, os sonhos, as crianças, as nuvens, tudo renasce. Isto para dizer que muitas vezes acabo e começo os meus dias em frente a uma tela em branco, que é apenas um mural de uma rede social em decadência, dizem. Todos os dias recebo os melhores conselhos, das pessoas mais próximas, para eventualmente não partilhar algumas partes da minha vida, para ter uma certa coerência em tudo o que faço e produzo, seja na minha vida pessoal ou profissional. Existe um grave problema nessa abordagem que muito prezo: dessa forma eu seria um ser incompleto, amputado. Sou incoerente, excêntrico, melancólico e completo por natureza. Nada do que vivo pode ser moldado ou aprimorado à imagem do outro, isso levaria a uma anulação do que sou. Tudo passa pela forma como conseguirei equilibrar todas as facetas de mim próprio: a vontade de conhecer mais gente, a forma como me expresso, a maneira de poder pagar as contas ao fim do mês. Não costumo escrever tanto, nem de forma tão clara como o faço aqui hoje e agora. Mas é provável que possa ser um reflexo de ter feito uma directa, ter feito uma dupla saída à noite e de estar a ouvir Burial, 'Tunes 2011 to 2019'. Tudo normal para mim.








