Nada do que você me disse, ou poderia ter dito seria capaz de me machucar tanto quanto o dia que você olhou nos meus olhos, e disse: “nossa! Por que você está sempre sorrindo?”. Talvez se um dia você soubesse… talvez se algum dia você notasse, que essa é a minha maior armadura, meu maior escudo contra o mundo, e também foi a válvula de escape que usei pra me esconder de ti. Quando me dei conta de que esse sorriso constante é uma forma de me trancafiar a sete chaves, a figuração precisamente planejada que uso todas as vezes que sinto que preciso me camuflar, que preciso fingir que não sinto, que eu uso pra não demonstrar minhas vulnerabilidades.
Isso me machuca tanto, porque eu sei que você me procurou, ou ao menos tentou me achar, e ao ouvir isso eu soube que você foi incapaz de me encontrar. Não foi culpa sua, mas também não sei se consigo chamar essa culpa de minha, talvez seja o medo, medo de que você pudesse me ver de verdade, sem feições capazes de cobrir minhas tristezas e inseguranças, por isso me encondi atrás de não só essa, mas de inúmeras fortalezas. Mas nesse momento a única coisa que eu queria, era que você tivesse me encontrado.
Já me quebraram ao meio tantas vezes, e desde a nossa primeira conversa, eu sabia que você logo mais teria poder suficiente de me bagunçar internamente de novo, mas você sabe quanto tempo levou para que eu organizasse tudo da última vez? Nem eu sei ao certo, mas se que não consegui achar todos os pedaços de mim. Eu nem nos dei uma chance, não permiti que pudéssemos começar, não te dei a chance de me conhecer de verdade, por inteira. Mas talvez seja melhor assim, talvez eu tenha idealizado um “a gente” impossível de existir, mas agora, viverei com essa dúvida pra sempre. Vou sentir falta de ti, de acordar do teu lado, de contar como foi meu dia e de ouvir o seu. Talvez algum dia a gente tenha uma chance de recomeçar.