#RicardoCoiro #LivrosQueAmo (em São Paulo, Brazil)

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#RicardoCoiro #LivrosQueAmo (em São Paulo, Brazil)
"Obrigada por me salvar da monotonia dessa vida!" Diz uma das personagens desse livro. Eu agradeceria ao autor por 🌹Me livrar das monotonias dos estereótipos; 🌹Me livrar da obrigação em ser perfeita; 🌹Me mostrar que tem pessoas que querem sim um relacionamento; 🌹E tem pessoas que não querem, mas está tudo bem; 🌹E o mais importante, por reforçar que sendo honesto com o outro ninguém sai machucado. (Às vezes só com um leve arranhão, mas sem corações irreparavelmente quebrados) A grande verdade é que eu não deveria poder falar do autor, sou grande fã, e sempre acho que ele me descreve melhor ronque jamais me descreverei. #livro #book #vicio #hobby #bookaholic #ricardocoiro #coirolovers #confissõesdeumcafamântico #❤️
"Se possível, julgue-me por aquilo que sou, apenas; e não por aquilo que fui antes de nossa trombada. O que fui, foi-se, para sempre, graças à foice do tempo. O que fui, não mais serei, acredite! Pois carrego cicatrizes, várias delas, que vivem a me lembrar das coisas que não devo repetir e, principalmente, do que devo regar para não murchar. O que fui, não pode influenciar no que somos. Nossa soma, fez-me fluir para longe dos velhos enganos. Jogue a última porção de terra sobre o meu passado, o punhado que falta para soterrá-lo de vez. Cubra a fonte dos seus pesadelos e inseguranças com a solidez do nosso presente, com um pedaço do terreno onde pode caminhar tranquilamente. O que fui não é páreo para aquilo que sou. O que fui bateu as botas em outro capítulo, de outro livro, sei lá. O que fui, foi-se, para sempre, como a nuvem alaranjada em formato de navio que um dia nos encantou, e que a brisa de agosto levou antes que pudéssemos fotografar. O que fui, neste momento, é só perda de tempo. E não temos todo tempo do mundo, certo? Aliás, quanto tempo temos? Respondo: pouco para desperdiçarmos com aquilo que fui, antes de você." Ricardo Coiro
Boa noite!! #boanoite #livro #dedicatoria #livroautografado #ricardocoiro #naoqueroumamormeiaboca #autografado #bonssonhos #frase
O homem de coração frágil
Se há algo sério entre nós?
Não, não há.
Acho que não.
Ou será que existe um tiquinho de qualquer coisa?
Porque, pensando bem, só com ela ao alcance dos meus dedos eu consigo ficar confortavelmente esparramado sobre o sofá da sala, sem sofrer a mínima “deprê” por causa dos domingos que têm a insuportável mania de terminar em segundas-feiras.
É, cá entre nós, deve haver algo.
Claro que deve.
Ou eu não inventaria desculpas malucas para justificar telefonemas como o de ontem:
– Já estava dormindo, né? – disse.
– Não, não estava – ela mentiu, com o timbre raquítico de quem havia acabado de acordar de uma anestesia geral.
– É que a minha internet caiu e eu não consigo encontrar o nome do último filme do Darín. Você sabe?
– “Sétimo”? “Relatos Selvagens”?
– “Relatos Selvagens”! Isso mesmo!
– De nada. Mas posso saber por que você precisa disso agora, antes mesmo de o galo acordar?
– É que eu… Na verdade, eu… Ah, eu não consigo dormir quando não me lembro de algo que já esteve na ponta da língua – inventei, ao invés de dizer o porquê real daquela ligação: a voz dela atenua a angustia insuportável que às vezes me invade sem razão aparente.
Apesar de andar por aí com cara de durão, de possuir os dedos tortos devido aos murros que já desferi e de ter mantido um sorriso no rosto enquanto tatuavam a minha costela, eu sou um covarde. É, é isso que sou, assumo.
Morro de medo de confessar que estou “completamente na dela”, como o meu melhor amigo vive a afirmar, quando me vê sorrir abestalhado por causa de um SMS-convite para um cineminha-jantar-trepada.
É que a vida me deixou com um enorme pavor de me entregar, de fazer planos para além da próxima semana. Você me entende? Claro que entende! Quem nunca esperou mais de seis meses por uma viagem e, quando já estava de malas prontas e passaporte carimbado, viu tudo desmoronar. Eu já!
Graças a essa e outras decepções, irmão, eu vivo a inventar motivos para não me doar de vez a pessoas como ela, que agora mesmo deve estar pensando seriamente em desistir de mim, devido à minha indecisão.
É, ela logo vai desistir. Eu sei.
Não tenho medo “quebrar a cara”, como dizem por aí. Se me olhar de perto, verá o bocado de cicatrizes que carrego no rosto. Garrafada. Poste. Cabeçada na trave. Já quebrei muito a cara. E sei que ainda vou quebrá-la.
Tenho medo é de quebrar o coração, mais uma vez, e de não conseguir juntar os cacos.
Então eu escondo o meu coração frágil e cheio de remendos sob frases bestas como “pego e não me apego” e “nasci para ser solteiro”. E, aos meus amigos de bar, entre uma dose e outra, finjo ser totalmente imune ao amor. Mas eu, definitivamente, não sou. Ninguém é, se quer mesmo saber.
(Ricardo Coiro)
A falta daquilo que faltou
Sinto um bocado de falta da sua boca e de como só ela sabia calar os meus problemas mais gritantes. Sinto um punhado de falta dos seus punhos e de ter que segurá-los para impedir que seu ciúme em forma de tapa espatifasse ardentemente em minha cara.
Sinto falta de procurar seus pés frios debaixo daqueles lençóis embolados enquanto compartilhávamos nossas insônias e controlávamos nossa respiração ansiosa, tentando, sem sucesso, fingir que dormíamos. Sinto falta dos seus livros coloridos e inutilmente ancorados em minha estante e de tudo aquilo que deixou não lido em um só instante.
Sinto falta das fotos que não tiramos em meio às muitas viagens, que nem sequer fizemos. Sinto falta dos muitos planos que hoje, sem você, nem sentido mais possuem. Sinto falta da casa em que nem chegamos a morar, da lareira que nunca tivemos a chance de acender, do cachorro sonolento que deixamos arranhando aquela vitrine abafada e das tantas coisas que queríamos para nós e não deram em absolutamente nada.
Sinto falta da geladeira vermelha que nunca foi nossa, dos ímãs bregas que nunca tiveram casa e dos potes de sorvetes que, agora, muito provavelmente já derreteram ou passaram do prazo de validade. Sinto muita falta daquilo que só foi feto, mas nunca nasceu de fato. Sinto falta do tanto que faltou em nossas festas. Dos brigadeiros que nunca enrolamos juntos e das velas que nem chegamos a acender para então, quem sabe, ter a chance imperdível de assoprar.
Sinto falta dos amigos que faltaram em nossos jantares, que foram adiados antes mesmo de o salmão descongelar e de a massa da torta resolver crescer. Sinto falta de nós. Sinto falta dos nossos insolvíveis nós. Sinto falta do seu timbre suave em minha voz e de tudo aquilo que abandonamos em nossos passos corajosos lá de atrás.
Sinto falta da jabuticabeira carregada de frutos, que não passou de semente em nossa mente, e das mentiras que ficaram enterradas entre nossos dentes manchados de uva fermentada. Sinto falta daquilo que o padre nem disse e do “sim”, que nunca pude gaguejar de cima do altar. Quer saber mesmo? Sinto falta daquilo que nem fizemos e das infinitas coisas que fizemos de conta que faríamos
Ricardo Coiro
Não tenha medo da luz
Você saiu da banheira de forma abrupta, de maneira acrobática aplicou um giro rápido de cento e oitenta graus e dirigiu-se ao banheiro fazendo um Moonwalk para que eu não pudesse olhar diretamente para sua bunda. Em um piscar de olhos, conseguiu esconder sua parte mais linda atrás de um desnecessário roupão. Sim, eu sei que mesmo depois de alguns bons meses juntos, fodas bem dadas, garrafas de vinho extintas e nossos suores misturados, você ainda tem vergonha de mim e, infelizmente, não consegue livrar-se do medo que tem de expor suas características humanas aos meus olhos, não menos humanos.
Pois saiba que, muitas vezes, priva-me de seus melhores ângulos como se eu fosse um crítico ranzinza do programa Ídolos e, a qualquer instante, pudesse tirar do bolso uma placa contendo a nota zero, para assim, humilhar você e fazer você sair do palco engolindo o choro. Quero que saiba, de uma vez por todas, que eu sempre aplaudirei seus passos ensaiados e que não deixarei de te amar nem um pouquinho, nas tantas vezes que ainda irá tropeçar e cair como qualquer pessoa faz. Pelo contrário, vou sempre levantar você pelos pulsos e, quando isso não for possível, vou jogar-me no chão junto com você para rirmos da vida deitados no asfalto.
Porque gosto mesmo quando você foge do script e não percebe que está com a pontinha do nariz suja de sorvete. Adoro quando nos teletransportamos da balada direto para cama e quando lá a deixo sem forças até para tirar a maquiagem, pois no dia seguinte você fica linda parecendo uma panda de ressaca.
Quero que saiba agora, e não amanhã, o quanto eu acho você bonita mesmo quando faz careta.
Não tem ideia de como eu ficaria feliz se você, ao menos uma vez, relaxasse e soltasse a barriga enquanto comemos Doritos sentados e pelados em cima da cama. Eu não tenho nada contra as suas dobrinhas e espero também que não tema minha barriga cultivada à base de Boêmia, bordas recheadas amanhecidas e ausências na academia.
É claro que acho você uma gostosa dentro daquele baby-doll preto, mas preciso realmente que saiba o quanto adoro ver você recheando aquela camiseta velha da sua formatura do terceiro colegial.
Adoraria que você se esquecesse de pedir para apagar a luz e me permitisse devorar com os olhos cada cantinho seu – porque, afinal, se estou com você agora, significa que é com você que quero estar e que acho você linda do jeitinho que você é.
E é óbvio que aquele saltão me dá uma puta vontade de morder suas panturrilhas, mas peço que use mais vezes aquela sapatilha vermelha super confortável, e sabe por quê? Pois tenho tesão também pelo seu bem-estar e por saber que, na minha frente, em cima de mim, do meu lado e comigo, sente-se realmente livre para ser humana.
Não estou pedindo para fazer cocô de mãos dadas comigo, nada disso. Peço apenas para despir-se de verdade, que remova não apenas as roupas, mas também essa desnecessária vontade de parecer perfeita.
Ricardo Coiro
Se eu quisesse, meu bem, eu poderia ter muitos homens, mais do que você pode imaginar. Mais de cem. Ou de mil, sei lá. Mas, se quer mesmo saber, eu escolhi ter só um: você.
Eu poderia ter muitos, mais só quero voce.