( ☾ ) —— A centuriã chegou no Acampamento em plena madrugada, com o silêncio caindo por todo o espaço. Era até meio estranho andar ao longo da Via Principalis sem o falatório dos semideuses, que descansavam em seus respectivos alojamentos. Miranda acompanhou o semideus que foram buscar até sua respectiva coorte, fazendo questão de saber se ele estava bem antes de partir para o seu quarto afim de fazer os seus preparativos.
Algo lhe dizia que o dia seguinte seria tão cheio quanto os anteriores.
Com o passar dos dias, Miranda estava usando ainda mais os poderes durante as patrulhas, se conectando com a sua parte divina e finalmente entendendo a complexidade daquilo. Algumas coisas passavam a fazer mais sentido agora: seus grimórios escritos em latim ao longo dos anos pareciam menos complicados, como se as peças daquele quebra-cabeça começassem a reaparecer. Por isso, assim que voltou aos seus aposentos, soube que precisava fazer algo para testar seu conhecimento recém recuperado.
Gray pegou um dos livros de capa dura, um dos que pareciam mais antigos. Ela não passava de uma criança quando começou a escrever tudo aquilo, uma semideusa recém chegada no acampamento que anotava tudo o que as sombras faziam ao seu comando e o seu progresso no treinamento militar. Ao passar as páginas, acabou dando um risinho por conta do conteúdo, intercalado com as suas experiências adolescentes. Passou as páginas que descreviam seu primeiro beijo correndo, como se não quisesse ver por vergonha, até notar que precisava avançar um pouco até chegar onde queria.
Assim que chegou numa receita que poderia recriar, Mira pegou os seus materiais e abriu a janela, deixando a luz da lua entrar em seu quarto. Apagou as luzes e acendeu diversas velas, que criavam sombras dançantes pelo cômodo. Miranda começou a moer grãos e ervas secas num pilão, tomando cuidado com as quantidades e a qualidade dos ingredientes escolhidos.
Quando havia separado todos em pequenos potes, passou a preparar uma mistura com água, um pouco de ambrosia — não muita, senão as sombras seriam subjugadas — e algumas gotas de seu sangue, virando um líquido escarlate e brilhante. Ao misturar as ervas de Trívia, toda a cor desapareceu, criando um preto absoluto que absorvia a luz de todas as velas. Passou então a montar algumas lentes na janela, canalizando um raio forte de luz do luar para o frasco. Algum tempo depois, o líquido tomou um aspecto metalizado, como se estivesse contendo uma nuvem de brilho em um recipiente pequeno.
A filha de Trívia então pegou um papel, molhando uma pena de grifo na tinta recém feita. Suas mãos habilidosas criaram um símbolo circular que continham três caminhos escuros, além de pequenos arabescos precisos em honra à deusa da bruxaria. Assim que terminou o desenho, usou o resto da tinta para escrever o nome do feitiço embaixo: Via Tenebris, o caminho das sombras. O papel brilhou em prata, desfazendo-se logo em seguida.
Era só lembrar o nome do feitiço quando fosse necessário. Miranda não sabia, entretanto, que o usaria mais cedo do que esperava.
VIA TENEBRIS, path of darkness — umbracinese I.
50 (Inteligência) + 50 (Umbracinese I) = 100 de dano de habilidade.