Este Jesus é franco e comunicativo; Ele lamenta as Suas necessidades; não esconde o Seu temor, e expressa vivamente a Sua alegria; não há nada de taciturno ou reservado em Sua natureza. E ao mesmo tempo, Ele é o recluso, o Homem que anda só, vigiando a noite toda na solidão; Ele pode possuir o que há de melhor e guardá-lo em Seu peito, dizendo aos Seus discípulos, no fim: "Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora" (Jo 16:12). Este Jesus é tão singularmente lúcido e sereno, tão curiosamente circunspecto e senhor de Si; mas ao mesmo tempo, tão empolgado que parece que a Sua reserva foi rompida, que o Seu equilíbrio interno foi perturbado. Ele é manso, mas ao mesmo tempo tão intenso em Seu fervor; o Seu caráter é heróico, contudo cheio de ternura. Todas as Suas palavras são maravilhosamente profundas, e ao mesmo tempo tão transparentemente claras. O Seu negócio é a conquista do mundo, mas Ele pode falar com uma mulher comum do povo, de maneira tão perscrutadora que chega-se até a pensar que a salvação da alma dela era a Sua única preocupação (Jo 4:27; cf. 5:17). Ele põe constantemente diante de Si a Sua grande tarefa; não obstante, pode dar toda a Sua atenção a pequenas coisas. Subjetividade e objetividade tornam-se uma só coisa nEle; a tranqüila serenidade está lado a lado com a atividade incessante.
Otto Borchetti Teólogo Alemao










