For the life of me I cannot remember What made us think that we were wise and We'd never compromise For the life of me I cannot believe We'd ever die for these sins We were merely freshmen
2h07.
from: holly gurrrrrl. your boy is here at the party and he is wasted. you should come and get him
from: winnie who tf are you talking about?
from: holly kane
from: winnie as if. he hates parties
from: holly (attachment: video) i keep thinking what would happen if he loved it
e foi assim que winifred west foi parar na frente do bar favorito do campus, malone’s, e não demorou mais do que dois minutos pra encontrar dannel montoya-kane no meio do bar. mas demorou muito para que winnie processasse a cena que se desenrolava em sua frente.
dannel estava sem camisa, cercado de garotas — garotas lindas e loiras e usando uniformes de torcida e altas e de corpo delineado e de olhos que brilhavam e sorrisos que ofuscavam a luz do sol e risadas que poderiam curar o câncer — que pareciam se deliciar com a visão e o garoto a sua frente. e ele parecia estar se divertindo. não, risque isso, ele estava se divertindo. com certeza estava se divertindo. aliás, winnie nunca havia visto alguém se divertir tanto daquele jeito.
— oh, there you are!
holly era... bem, holly. ela era uma estudante de artes cênicas com quem winnie dividia o dormitório desde o começo do semestre e possivelmente a única e melhor amiga que ela tinha naquela faculdade. yale era, de certa forma, solitária. todos pareciam estar ocupados demais se destruindo para construir sua ladeira para o topo, e winnie gostava de vencer, mas não achava que alguém tinha que perder para isso acontecer. ou pelo menos não achava mais. mas, a mentalidade em yale não era a mesma que a dela, e assim os alunos seguiam se digladiando e sem tempo para small talk. de qualquer forma, holly e dannel — sim, o mesmo dannel que estava cercado de líderes de torcida naquele momento — já eram mais do que ela precisava. winnie aprendera a ser solitária durante a maior parte de sua vida, dois amigos já era mais do que sua vida toda.
— winnie?! hello?
— yeah. yeah, hi — winnie respondeu, sem tirar os olhos da cena.
quando ela disse nunca havia visto dannel sorrir daquele jeito, bom, ela realmente não estava mentindo. ela nunca havia visto, todos os trinta e dois dentes dele, jogando a cabeça para trás e gargalhando. ela nunca havia feito ele rir daquele jeito.
— crazy, right? who would’ve thought?! he just became the cheerleaders biggest sensation — holly riu pelo nariz — anyway, i only texted you because sean was worried about him. i thought it was fun.
oh, sean. certo. sean evans era o namorado de holly, um estudante de engenharia-de-whatever. ele era um frat boy legítimo (membro da kappa-delta-whatever), jogador de lacrosse e ele e holly namoravam desde antes da faculdade. os dois eram um daqueles casais que faziam tudo juntos e winnie foi obrigada a fórceps a aceitar a companhia de sean. mas, no decorrer do semestre, winnie percebeu que ele não era assim tal ruim, e visto que naquela noite havia se preocupado com dannel, realmente colocava a opinião de winnie sobre ele em outra perspectiva.
— i just saw him drink 5 shots of tequila. that boy is going down — e speaking of the devil, sean apareceu, passando um braço no ombro de holly. winnie acenou para sean, sem tirar os olhos da cena — so, winnie, i didn’t know you guys had an open relationship.
— what? — winnie indagou, sem mover seus olhos de dannel.
— sean, shut up — holly murmurou, dando o que parecia uma cotovelada em sean.
— i mean, that’s the only reason for you to be so cool while he’s being licked by cheerleaders- ouch, holly!
— we’re not together — winnie respondeu automaticamente, e então, se dando conta da conversa que havia acabado de se desenrolar ali — and i don’t care either. i’m just here to pick him up.
e num passe de mágica, dannel pareceu notá-la no meio da multidão. apenas literalmente, é claro.
— winnie! — ele gritou freneticamente, acenando de longe e fazendo aquela legião de garotas ao redor dele virar seus olhares para cima dela. respirando fundo, winnie juntou sua força e caminhou até dannel, agarrando-o pelo braço.
— party is over for you, come on — seu tom alternava entre o de uma mãe irritada e de uma namorada nervosa. e pelo menos era assim que as cheerleaders olhavam para ela.
— what? but we were only getting started! — dannel choramingou, enquanto winnie o arrastava em direção da porta. nunca a distância entre o balcão do bar no malone’s e a porta pareceu tão grande, a cada passo para frente que davam, dannel dava meia volta e surpreendentemente, ele era bem mais difícil de se arrastar do que parecia. quando finalmente chegaram até a porta, winnie acenou para holly e sean e todos os irmãos de fraternidade de sean, e não esperou uma resposta para empurrar a porta e sair — why are you so mad? i don’t like when you’re mad at me.
— then don’t make me mad — winnie rolou os olhos. dannel era sempre sensível, mas ele estava extrasensível naquele dia — just... hold me or whatever. and try not to vomit.
winnie esperava algum tipo de protesto, um choramigo, uma reclamação, bem como lidar com uma criança. mas dannel apenas fez o que lhe foi mandado, e colocou os braços em volta dela.
ela era capaz de contar nos dedos as vezes em que usara sua supervelocidade. nos dedos de uma mão. e não completava nem uma. aquela era a quarta vez em 18 anos que winifred west invocava seus poderes de flash, e ela com certeza iria usar aquele momento contra dannel em algum futuro próximo.
— wow. how did we get here so fast? — dannel perguntou, quando, milésimos depois, os dois já estavam no meio do dormitório — did we get on a plane?
— yeah. sure. listen. go take a shower, can you do that without drowning?
— your wish is my command! — dannel respondeu, com seu tom de voz obscenamente doce e aquele sorriso “aw shucks!”, enquanto entrava no banheiro. bom, agora ela tinha espaço e silêncio para processar o que havia acontecido
ele nem havia a convidado.
winnie afastou o pensamento enquanto buscava no guarda roupa de dannel uma roupa limpa. jogou uma camiseta cinza e uma calça de moletom na cama, e sentiu seu rosto ficar vermelho quando abriu a gaveta de cuecas dele. quer dizer, eles já haviam ultrapassado todas as barreiras de intimidade que a amizade poderia impor, já haviam se visto em tantas situações (situações lamentáveis e degradantes, inclusive) que uma roupa íntima não era nada, ou pelo menos, não deveria ser. escolheu qualquer uma entre as tantas (e desorganizadas) cuecas da gaveta, e jogou em cima da cama.
enquanto ouvia o barulho do chuveiro, o pensamento voltou. ele nem havia pensado em convida-la, sequer. winnie sabia disso. tinha certeza disso. havia visto a surpresa — e uma ponta de choque — no rosto dele quando a enxergou no meio da multidão de estudantes bêbados, como se tivesse esquecido que ela existia por um breve momento. um momento em que ele estava com o maior sorriso no rosto que ela já havia visto, por sinal. eles nunca haviam se divertindo tanto assim juntos, pelo menos não dannel.
— i’m coming out! — dannel avisou, com a voz arrastada e as palavras de enrolando umas nas outras. winnie fechou os olhos e virou para o lado, escondendo seu rosto enquanto ouvia os passos de dannel no quarto — okay, you can look right now, miss president!
e lá ele estava, parado no meio de seu quarto, com um grande e bobo sorriso no rosto, vestindo apenas a calça de moletom e nenhuma camisa. qual era o problema dele? havia virado um frat boy que era incapaz de se cobrir com uma camiseta?
— put your shirt on, come on — winnie reclamou.
— i can’t. help me? — dannel choramingou mais uma vez.
— oh my god, you’re such a baby! — winnie se aproximou, pegando a camiseta da ponta da cama.
dannel era alguns centímetros mais alto do que winnie, e ela descobriu que eram bem mais centímetros do que ela achava que eram, enquanto tentava passar a camiseta pela cabeça e pelos braços dele.
— can you just- ugh- — winnie resmungava enquanto dannel não facilitava o trabalho dela, rindo e se mexendo e sendo uma pessoa exageradamente grande — fine! fine. just keep being shirtless, jesus, what are you? jacob from twilight? fucking christ.
— well... were you team jacob?
— as if i lost my time watching a movie sponsored by the patriarchy. as if — winnie revirou os olhos enquanto arrumava a cama de dannel — i was team nobody.
— then i’m nobody!
winnie se virou para dannel, pronta para dizer que flattering não o tiraria daquela situação, e foi então que ela viu. oh, boy. he was handsome. quer dizer, ela sempre soube, era uma daquelas verdades inconscientes gravadas em seu cérebro. mas... ali, com o cabelo molhado do banho, com a camiseta perdida em algum lugar do quarto, com a cabeça leve e um sorriso — um sorriso... diferente — no rosto, não tinha como negar.
— ahn... come here — winnie suspirou, empurrando dannel na direção da cama, fazendo-o cair como um saco de batatas desajeitadamente — i’ll be in my dorm. just try not to die.
— wait, what? no, you can’t go to your dorm.
— and why is that? — winnie colocou as mãos na cintura. como se um adolescente bêbado fosse lhe dar alguma ordem. as if.
— because i want you to stay with me, duh — dannel respondeu, e mais uma vez, seu sorriso obscenamente doce voltou ao seu rosto. drunk dannel was the fucking worst — i’ll be good. i promise.
— don’t make promises you can’t keep, asshole — era a forma dela de dizer “yeah, okay. i’ll stay”.
winnie deitou-se devagar, puxando as cobertas para cima de si mesma e de dannel. eles já haviam estado naquela posição tantas vezes antes, mas nunca daquele jeito. something was changed. something was... off. sentiu o braço de dannel atravessar por cima de seu coro puxa-lá em sua direção, fazendo com que suas costas encostassem por completo ao peito dele. winnie engoliu em seco. de repente, ela estava sentindo tudo. cada pedaço de dannel, cada parte dela, se tocando, ela como se ela estivesse hipersensível a tudo ao seu redor. como se tudo tivesse mudado.
ela havia dormido como um bebê. melhor do que na vida toda, e diferente de qualquer circunstância anterior. era de manhã, ou melhor, quase a hora do almoço quando winnie despertou. o corpo de dannel ainda estava contra o seu, mas agora, ela estava virada na direção dele. o queixo dele estava no topo de sua cabeça e os dois braços a envolviam sem dificuldade nenhuma. mas a surpresa era nas mãos: a sua e a dele, estavam com os dedos entrelaçados. that was a first.
winnie ergueu a cabeça para vê-lo, ou pelo menos checar se ele estava vivo. e ele estava. muito vivo, e oh, still so handsome. ele era como uma obra de arte viva.
percebeu que estava encarando tempo demais quando ele se mexeu, e sem graça, winnie rapidamente virou para o outro lado ficando de costas novamente, e escondendo seu rosto.
— you’re so soft — dannel murmurou, em um transe entre estar acordado e tomado pelo sono, aumentando o aperto e puxando-a para cima, fazendo com que seu pescoço ficasse na altura do rosto dele. como ela sabia disso? bem, porque ela sentia a respiração de dannel em seu pescoço, e por um segundo, sentiu os lábios dele quase como um fantasma deixarem um beijo ali.
oh. nothing was ever the same.
“did you see that? i totally punched that guy’s face!”
ela totalmente havia socado a cara daquele garoto. totalmente. o que agora parecia um pouco irresponsável e muito perigoso, mas... mas nada, porque não havia arrependimentos.
winnie e dannel estavam bêbados. oh, deus. muito bêbados. ou melhor, muito bêbados nem começava a descrever a situação. e winnie precisava de uma quantidade indecente de álcool para demonstrar uma alteração mínima, então era se se imaginar o quanto os dois haviam bebido.
— oh god. we almost died — dannel arfou, enquanto os dois entravam no dormitório dele — did we almost die?
— nah, not really. but we almost got beat by the entire football team, so there’s that. did you see when i punched him?! oh my god! it felt so good! — winnie gritava, e dava pulinhos e seu sorriso começava a fazer doer suas bochechas.
ela não sabia dizer exatamente a ordem dos fatores. ela havia ido até o malone’s - sozinha aparentemente? - e dannel havia chegado lá para resgatá-la, invertendo a ordem dos fatores anteriores. e o resgate se tornou uma sequência de shots inesperada, e ela se lembrava vagamente de um karaokê, e dançar e — oh, meu deus, ela tinha dançado na frente de outras pessoas? não apenas isso: ela havia dançado na frente de outras pessoas e não estava dando a mínima para isso. ou para o fato de que ela havia acabado de socar um jogador de futebol insolente.
— yeah, rocky balboa, calm down — dannel brincou, rindo e segurando winnie pelos ombros.
winnie notou ao redor do olho de dannel uma mancha vermelha, que no outro dia estaria bem roxa. a briga se desenrolou rápido: o garoto falou algo, insinuou alguma coisa, alguma coisa... sobre ela. e dannel se levantou, levando um gancho de direita em seu olho mais rápido do que ela poderia ter previsto, mas não mais rápido do que ela havia socado a cara de seu oponente segundos depois, acertando em cheio o nariz dele e sentindo os ossos se separarem debaixo dos nós de seus dedos. foi divertido.
— i can’t believe you let him punch you — winnie murmurou enquanto se equilibrava na ponta dos pés para enxergar o machucado melhor. com cuidado, ergueu sua mão e encostou a ponta dos dedos na mancha vermelha.
— ouch — dannel grunhiu, sem se afastar. o quarto estava escuro, somente a luz dos postes do lado de fora iluminavam o dormitório de dannel. bom, pelo menos ele tinha luzes. winnie morava no pior conjunto de dormitórios da universidade inteira, onde as ruas eram escuras e vazias e um motel barato seria mais limpo — be careful.
— awww, does danno have a boo-boo? — winnie riu novamente, fazendo um barulho estranho pelo nariz, que se estivesse sóbria o suficiente teria rapidamente corrigido e se desculpado. mas bem, ela não estava. continuou com sua risada infantil enquanto continuava a olhar a ferida. não havia muito para se olhar, e os dois conheciam bem o procedimento: gelo e descanso. mas era estranhamente confortável ficar assim, na ponta dos pés, tão perto dele que ela conseguia sentir o calor da respiração de dannel e a vibração de sua voz quando falava — does he want a kiss to feel better? — brincou.
— yeah... yeah, maybe — dannel riu, e winnie riu mais, e os dois riram até que seus olhares se cruzaram.
e então ninguém mais riu.
se encararam por alguns momentos — longos momentos — em que a ponta de seus narizes quase se tocava, e ela quase conseguia ficar da mesma altura que ele, e ele quase falava alguma coisa. quase.
— listen, i... — winnie começou. parou por um segundo, pigarreando e tentando comprar tempo para si mesma agora que havia começado a falar. eles continuavam na mesma posição, se encarando sem desviar o olhar por um instante sequer, como se estivessem com medo de que o outro fosse desaparecer a qualquer momento — okay, i’ll just spill the beans. can i?
— shoot — dannel disse, e para dois bêbados, até que eles eram bons em se manter concentrados numa conversa séria.
— i... something’s changed — winnie observou, engolindo em seco e compartilhando o pensamento que rondava sua mente há dias — i don’t know what it is. i just know it’s not the same. with you. it’s... do you know what i’m talking about? — perguntou, tentando buscar alguma segurança de que o que estava pensando não era um delírio coletivo — it’s like i just met you again. like i have never met you before. i don’t know, it’s stupid, i’m-
— no. no, it’s not — dannel interrompeu, engolindo em seco. e aí veio a segurança que ela estava esperando. não conseguiu disfarçar um sorriso suave em seu rosto. ele era sempre tão bom com ela, dannel caleb montoya-kane. — it’s not. keep going.
winnie assentiu com a cabeça, sentindo a coragem líquida impulsioná-la. era agora ou nunca.
— tonight was nice. and we had a few of them. nice nights. and days and- and nice things. you make me feel nice things. you make me feel good. really good — winnie aproximou-se mais um passo e dannel não se moveu, observando-a atentamente. a linguagem não era uma com que winnie estava acostumada a falar, e com que dannel estava acostumado a ouvir dela. winnie era sempre tão austera e rígida, dura, palavras longas e difíceis que ela usava com uma naturalidade que a fazia parecer mais velha, mais inteligente, mais. mas ali, ali ela era só uma adolescente com uma escolha de palavras duvidosa e subjetiva, de duplo sentido, mas honesta. afinal, ambos os sentidos eram verdadeiros — maybe i’m crazy or whatever, but i... i think what i’m trying to say is that i never felt this with anyone before and i... really feel with you... i wanna feel you... is that making any sense?
— yes. no. i don’t know. just please keep talking — dannel disse, atropelando-se nas palavras.
— i want to have sex. with you — winnie soltou de repente.
i-want-to-have-sex-with-you. simples assim. ela certamente poderia ter dito “i have a mutual benefit proposition in which we explore our bodies together” ou “we can team up and do some discovering of our woman and manhood” ou algo formal demais que só winnie conseguiria pensar. mas nada disso seria a verdade porque a verdade era essa: winnie west queria transar com dannel kane.
— i’ve had some... issues. along the years with... that — pausou. a palavra ainda era estranha em sua boca. s-e-x. soava... fora de onde deveria estar. soava como algo que uma líder de torcida bonita ou uma garota revolucionária poderia falar, não ela. como se ela não tivesse tanto direito sobre a palavra como as outras garotas tinham — and it’s been a long time since i wanted someone and even when i did it wasn’t like that, wasn’t like you, no one was ever like you — winnie riu baixo, achando engraçada a ideia de alguém como dannel. só existia ele, essa era a verdade — and i trust you, i really do, and we learn new things everyday together so maybe we can learn this too. we can learn... about ourselves and each other and... — não era isso que ela queria dizer, não era... quer dizer, isso também, mas... ergueu o olhar na direção de dannel. olhar pra ele sempre dava uma certa coragem à ela, e não seria diferente ali. tudo havia mudado, mas não isso — listen, that night, when i went to malone’s to get you, something happened. and since then i can’t stop thinking about this.
— about... me?
— about you.
about him. e aí estava, solta no ar a informação. não tinha como voltar atrás. agora ele sabia.
e foi sabendo disso que dannel beijou winnie.
dannel tinha gosto de... whisky. e cheiro de perfume ralph lauren. e ele era tão... doce e gentil e cuidadoso que era como se winnie estivesse andando nas nuvens. deitada nas nuvens. ela gostava daquilo, gostava de ser cuidada, de toques delicados, de pessoas que a enxergavam como mais do que uma retroescavadeira que andava por aí destruindo tudo.
— you’re so good — winnie murmurou, enquanto dannel escorregava os beijos para o pescoço dela. ela gostava de falar, winnie west, e naquele momento as palavras sem sentido se formavam em seu cérebro e desciam sem filtro para sua boca que as murmurava contra o ouvido de dannel. a língua dele era morna e a pele dela era gelada, e o contraste a fez suspirar — i... so good...
agarrou a barra de sua própria camisa e a arrancou, jogando-a em algum lugar do quarto. sentiu as mãos de dannel em sua cintura nua, sua barriga, suas costas.
— take your shirt off — winnie pediu (mandou?) e dannel realizou seu desejo, e então ela sentiu a pele dos dois se encostando de verdade. winnie empurrou-o na direção da cama, fazendo dannel deitar-se por baixo e ela ficar por cima dele. wow. that was some empowering position.
winnie agora com seu corpo todo em cima de dannel, começou a descer beijos pelo pescoço dele, enquanto as mãos do garoto faziam o trabalho divino e pressioná-la contra seu quadril. winnie sentiu seu coração acelerar ao ver que ela também estava tendo algum efeito em dannel. he wanted her too.
— winnie... — dannel gemeu, quando ela deu uma mordida em seu pescoço.
— yeah? — winnie ergueu a cabeça com um sorriso (quase) doce, ficando com o seu rosto colado no dele — what is it?
— i think this is not a good idea.
— oh, do you want to stay on top now? cool, we can switch — ela respondeu prontamente.
— no, i... don’t think we should do this. we shouldn’t...
winnie franziu a testa, ainda levemente atordoada pela quantidade de tequila que havia ingerido, e afastou seu rosto de dannel para observá-lo por um instante. e então ela enxergou o rosto que ela conhecia tão bem, um rosto do qual ela sabia cada curva de sorriso, cada cinco de preocupação, cada sinal, cada marca... e ela viu. simplesmente viu. um olhar perdido, um leve arrependimento, um grau de desconforto? e oh. meu. deus. aquilo não estava acontecendo. winnie saltou de cima de dannel no mesmo segundo que a mensagem fez sentido em seu cérebro.
— wait, winnie, i didn’t-
— no, it’s fine. we’re fine. it was a stupid idea, i am stupid, everything’s stupid — winnie riu nervosamente enquanto procurava por sua camiseta pelo quarto. dannel acendeu a luz, e winnie rapidamente abraçou seu próprio corpo, embaraçada. cadê a droga da camiseta quando se precisava dela?
— winnie, are you okay? you don’t have to go, actually, you shouldn’t, i want to-
— it’s fine, it’s super fine — ela repetiu mais uma vez, procurando minuciosamente por sua camiseta. ele estava olhando para ela? rezou brevemente por um momento, implorando a todas as divindades existentes e inexistentes para que ele não estivesse olhando para ela naquele momento — uh, i need my shirt.
— winnie-
— my shirt! i just want that, can you please help me?! — winnie elevou a voz, ríspida, e parou no meio do quarto, de costas para dannel. o silêncio dele pairou por um tempo, até que ela começou a ouvir o som de passos. ótimo. ele estava ajudando, e se ele estava ajudando, significava que não estava olhando para ela. sentiu uma mão quente em seu ombro e virou-se num pulo, arrancando a camiseta da mão de dannel e passando-a pela sua cabeça — thank you. i’ll be on my way now. don’t sweat it, everything’s fine.
nada estava bem.
— winnie?!
winnie estava deitada em sua cama, milimetricamente posicionada no colchão e encerando o teto branco acima de si ergueu a cabeça para enxergar quem achava e encontrou holly parada na porta, acompanhada de sean.
— what are you doing here? you never sleep here.
— yeah, i know, i just... — a voz de winnie foi morrendo, morrendo, morrendo, até desaparecer. foi então que notou que sua presença ali estava sobrando. sean tinha uma sacola de comida em sua mão (chinesa, holly e sean amavam comida chinesa, e sempre deixavam o quarto com aquele cheio de chop suey) e holly estava com seu suéter bonito, o que ela sempre usava quando ela e sean planejavam uma noite... bem, íntima — oh, guys, don’t worry. really. i’ll be out in a second, just need to get a coat and i’ll leave you to it.
— oh, hon, no! — holly exclamou, aproximando-se de winnie e sentando-se na cama — you’re staying here, don’t be nonsensical. we just rented that new ryan gosling movie and you’ll stay here with us.
— and there’s enough food for the three of us — sean completou, sentando-se na outra ponta da cama — come on, freds, don’t deny us the fun company of you and your snarky remarks at ryan gosling.
— it’s not my fault if he is dumb in every movie he has ever made — winnie pontuou, levantando-se e sentando-se na cama assim como os dois — i appreciate it, guys, but you’re clearly looking for a private night. it’s cool. i’ll just pull an all nighter at the library.
— winnie, what is going on? — holly perguntou, atingindo uma seriedade no tom de voz que winnie nunca havia ouvido antes. holly sabia dos problemas de intimidade de winnie, era uma das poucas pessoas para quem winnie havia contado em detalhes o que havia acontecido com jasper cobblepot, talvez porque holly nunca fosse conhecê-lo, talvez porque holly nunca fosse julgá-la como os outros fariam.
— do you want us to get the kane boy? — sean sugeriu, fazendo winnie pular de seu lugar como se tivesse assistindo um filme de terror.
— no! no, really, i’m fine. guys, just sit down and enjoy your movie, i’ll be downstairs and you can give me a call when you’re... done with your... stuff. just enjoy your night, please.
aquelas 24h estavam sendo as piores de sua vida toda. suas costas estavam acabadas no sofá da área de convivência do prédio onde ficava seu dormitório, e ela não se atreveria a ir bater na porta do quarto e acabar com a diversão de holly e sean. mesmo que já fizesse 5 horas que ela estava ali. o efeito da bebida já havia diluído completamente, e isso pareceria bom em teoria, mas só lhe dava mais consciência pra refletir sobre o acontecido da noite
— knock knock.
winnie ergueu a cabeça ao ouvir a voz de sean.
— so, holly fell asleep, and i’m going back to the frat.
— oh, cool. have a good night, sean — winnie acenou, com um pouco mais de simpatia que o normal. sean havia se provado uma pessoa decente durante aquele semestre, e tanto ele quanto holly eram muito sortudos de estarem juntos. algo que alguém como winnie nunca saberia.
— yeah... about that — sean pigarreou, sentando-se ao lado de winnie no sofá — i know you’re not my biggest fan. but whether you like it or not, you’re my friend. and holly really cares about you, and so do i. she’s very worried, and the same goes for me. do you need me to punch him in the face?
— what? punch who?
— the obvious person who made you so sad, duh? dannel.
winnie pensou em negar, e inventar uma grande e mirabolante história. mas ela nunca havia sido boa em mentir, e ela estava cansada demais para pensar em algo. tombou a cabeça para trás para não ter que olhar sean nos olhos e suspirou impacientemente, como quem gostaria de estar fazendo qualquer coisa exceto tendo aquela conversa.
— it’s not his fault — disse, depois de algum tempo de espera e perceber que sean não iria embora tão cedo.
— that’s where it gets super tricky! the dude is like a puppy. i mean, my frat was crazy about him, the greek row was killing to get him to join one of the frats, and even the team likes him. so i’m trying to picture a scenario where he is a dick to you, but i’m having a hard time.
sean era um daqueles garotos engraçados. ele era bonito, claro que ele era bonito, não estaria numa fraternidade se não fosse bonito. mas ele era muito mais engraçado. e foi o que fez winnie soltar uma risada pelo nariz.
— it really wasn’t his fault — ela abraçou seus joelhos — it’s just non-reciprocate, that’s all.
— whatever you two have, trust me, it’s very reciprocate — sean afirmou, com a confiança que apenas um frat boy tinha em sua voz — i mean it.
— and how would you know that? from your vast experience in relationships?
— there’s that. but your thing is just common knowledge. vicky novak invited him 12 times to grab a coffee and he was always too busy. busy with you, clearly. and the whole cheer squad is dying to land a date with him, but he only has time for one girl, apparently. and when it comes to you, let’s not mention the jack cole disaster.
— what?
— jack cole, my teammate? lacrosse team goalie?
— yeah. he’s pre law, i guess? and he’s from your frat too, right?
— so you do remember him. jack cole is a ripped and handsome dude, and he asked you out bluntly.
— what?! he did not-
— he did. he so did. i know because i was there, because he asked me to wingman him. and it was a disaster.
— when did that-
— before the midterms. he comes up to you in his charming male vibe and asks you if you’re coming to the game on saturday.
— i told him i was going back to gotham!
— yup. and he said “i’m from jersey, i can give you a ride”. and you said, to jack-cole-biggest-freshman-on-campus “it’s cool. i already have a ride, see you around”. just like that. and then dannel was at the door waiting for you like the adorkable puppy he is. and you two just left through the door, leaving me and the jack cole behind.
— and what is that supposed to mean?
— it means that jack cole could drop any panties in a 10 mile radius- — sean começou, recebendo um olhar bastante rígido de winnie — sorry. it means that any girl on campus would die for a ride with jack. and you, my dear, you just brushed it off for a ride with dannel kane.
— if jack had invited me before-
— i knew you were gonna say that! — sean exclamou, como se tivesse acabado de pegá-la no flagra cometendo um crime. além de engraçado, ele era dramático. muito. wyatt iria gostar dele — so, that brings us to last week, when you rescued your boy at malone’s.
— what about it, sean? — suspirou longamente, apoiando seu queixo na palma de sua mão.
— jack invited you to malone’s.
— he did not! — winnie exclamou acusadoramente — i would’ve definitely remember that.
— he asked you if you were coming to malone’s after the tailgate. and you said you weren’t even going to the tailgate at all. so, once again, jack cole just says “then maybe we could do something afterwards instead of malone’s, just the two of us”. and do you know what you’ve said, freds? you said “nah, i’m cool. see you around, cole”.
— i didn’t, sean!
— you did. because for the rest of the week we just answered anything he said with “nah, i’m cool”.
— well, then i didn’t notice he was asking me out!
— he said “just the two of us”. that is so asking you out. but i know why you said no.
— oh, you do? — winnie rolou os olhos.
— because dannel wasn’t gonna be there, so you didn’t want t go.
— don’t be stupid, sean, i don’t need dannel to do anything, let alone going to a bar — winnie respondeu ríspida, voltando a sua posição defensiva de sempre.
— true that. but you see, in high school, there was this party in which i really wanted to take holly. and another girl invited me and i blew her off because i was kinda hoping holly would invite me. and she didn’t…. and don’t hate me, but i think i’m you, and holly is dannel.
winnie cerrou os olhos e encarou sean com a intensidade de quem estava secretamente sonhando em ter visão de calor para derretê-lo. what. a. dick. não se faziam frat boys burros como antes.
— so, when holly didn’t invite me, i supposed she wasn’t going and i just decided not to go. but... well, she was going. she did. just not with me — o olhar de sean passou de cômico para compreensivo, como um irmão mais velho. wyatt realmente gostaria de sean. eles tinham o mesmo gosto estranho para esportes e piadas fora do momento, e winnie sentiu um conforto no coração por um minuto. she missed her brother a lot, these days — and i think when dannel didn’t invite you, you supposed he wasn’t going. but he was.
— he didn’t have to invite me — respondeu mecanica e automaticamente, como uma resposta saída de um robô, de uma caixa postal, de uma secretária eletrônica programada para repetir aquilo até que alguém a desligasse.
— that doesn’t mean you didn’t want him to. did i got anything right?
winnie abraçou seus joelhos mais forte, e apoiou seu queixo neles dessa vez.
— yeah. something like that.
— the thing is, i know why i didn’t invite holly. i just don’t know why you didn’t invite dannel, why didn’t you just said you wanted to go with him. you guys hang out more than i do with my girlfriend.
— i don’t know. i was just sure he was going to ask me if i wanted to go. he always does — ela deu de ombros. ele sempre perguntava, sem exceções. e ela sempre perguntava a ele. não era bem uma obrigação, quer dizer, definitivamente não era uma obrigação, mas… winnie não fazia por obrigação — but it doesn’t matter. it’s not like that, i just literally proved it’s better if we just say friends.
— friends? you guys are not just friends. just friends don’t look at each other like that.
quando winnie acordou na manhã seguinte, estranhou o ambiente ao seu redor. as paredes descascando, os bichinhos de pelúcia... ah, claro. é mesmo. agora ela dormia em seu próprio quarto, com a sinfonia de holly e seus roncos. já fazia mais de uma semana e ela ainda não havia se acostumado.
— morning! — holly exclamou, no segundo em que winnie abriu seus olhos.
— ugh. this place smells like... a mall food court — winnie resmungou, sentando-se na beirada da cama.
— sorry. forgot to open the windows and take out the trash.
— so just basically everything i told you to do before i went to class last night?
— yup! — holly riu, dando um beijo na bochecha da winnie — come on. what do you wanna do today? it’s saturday!
— i have brunch- — winnie parou a frase no meio. brunch no sábado era uma atividade com dannel, e as atividades com dannel estavam todas... suspensas — actually, i have no idea. what do you do on saturdays?
— well, i usually check what sean is up to.
— of course — winnie sorriu de canto, levantando-se e espreguiçando-se — he’s not that bad, you know. sean.
— oh god. is that you, winifred west? did you just said my boyfriend is not that bad?!
— stop screaming, it’s too early — winnie reclamou, sem cair na animação de holly — i just said he is not that bad.
— that’s probably the biggest compliment you ever gave anyone since i met you. he did said you two talked last week, finally getting along! you know what? since you’re in such a good mood with sean, i’m gonna call him and he’s totally gonna find us three something fun.
— nooooo, holly — winnie grunhiu — i really don’t want to be a third wheel. i’ll be fine. did he said anything about what we talked?
holly comprimiu os lábios, e suas feições de culpa o entregaram.
— oh god, he told you everything, didn’t he?
— i’m sorry! i’m super sorry. but we tell each other everything, he was very worried about you. you remind him of his sister.
— i can’t stand the pity in your eyes, holiday, ugh — winnie se jogou para trás, caindo na cama, e encarando o teto — but yeah, he also reminds me of my brother — suspirou — and my brother sucks sometimes.
— hey, sean! — holly atendeu o telefone, sentando-se ao lado de winnie e ignorando completamente a reclamação dela — what are your plans for today? and btw, you’re on speaker, winnie is here.
— good morning, ladies! — a voz de sean preencheu o silêncio do quarto através do auto falante — and you’re also on speaker. boys, say good morning.
— good morning! — winnie ouviu uma legião de garotos, que winnie supôs que eram o restante do time de lacrosse, responder do outro lado.
— and i’m sorry to disappoint, but we have practice the whole day. i’m only free at 6, maybe we can get some pizza?
— who is that, evans? — outra voz vagamente conhecida se manifestou.
— it’s holly and her fr- ohhhhh, shit! dude, say hi, it’s winnie. winnie, this is my boy jack cole straight from the lockeroom. the one who, you know, asked you out multiple times.
winnie arregalou os olhos, pulando da cama e se afastando do celular como se fosse uma praga.
— winnie, say hi! — holly exclamou enquanto winnie negava veementemente com a cabeça.
— uh, winnie, what’s up? — a voz de jack cole se manifestou e winnie fechou os olhos duramente.
— what do i say? — sussurrou, não tão baixo quanto achou que seria.
— you can say hi back — sean caçoou do outro lado da linha.
— uh, cole, hi — winnie acenou para o ar, sentindo-se completamente ridícula.
— she just waved — holly comentou, recebendo uma olhada feia — oh, we could do something us four after your practice!
— totally. jack, what do you think? — sean se manifestou.
— yeah, i’m game. what about you, winnie?
oh, she was not game. nope. ela não estava. mas se não fosse aquilo, ela ficaria presa no dormitório mais uma vez enquanto dannel provavelmente fazia algo muito mais divertido. e sem a sua presença.
— yeah. yeah, okay, i’m up for it.
jack cole era devastantemente bonito. era o tipo de beleza que você via em catálogos de cueca ou propagandas de jeans da abercrombie. era como se todas as 20 capas da people dos homens mais bonitos tivessem procriado entre si. ele era tão bonito que era difícil olhar para ele muito tempo sem seus olhos ficarem vidrados em alguma parte dele, seus olhos, o cabelo, até o pescoço. e além de tudo, ele tinha exatamente a mesma idade que todos eles e mesmo assim, não parecia nem um pouco com um calouro. na verdade, parecia que tinha 25 anos, um emprego em alguma firma de advocacia privilegiada e dirigia um carro esporte.
— so... i had already lost all of my hopes of going out with you — jack coçou a nuca e riu baixo, quando sean e holly se levantaram para ir até o bar.
— sorry, i have a completely crazy schedule sometimes. all the time, actually — foi a primeira e única coisa que winnie conseguiu dizer. jack era legal, e engraçado e ela mantinha sua opinião de que ele era anormalmente bonito. mas... ela não estava nem um pouco confortável.
não entendia porque ou como um garoto anormalmente bonito como era jack cole se interessaria por ela. não entendia como. em seu mundo, garotos como jack cole nem sabiam que ela existia. garotos como jack cole a chamavam de willa. garotos como jack cole a seguravam e diziam como transar com ela era uma péssima ideia.
jack cole e dannel eram duas pessoas completamente diferentes. e winnie estava fazendo uma força descomunal para não pensar nisso naquela noite, para não pensar em dannel naquela noite, na falta que ele fazia, e no calor do corpo dele e na forma com que as mãos dele seguraram sua cintura... piscou algumas vezes, tentando se manter focada na conversa. mas o ponto era esse: jack e dannel eram duas pessoas completamente diferentes. e mesmo assim, jack e dannel ainda faziam parte da mesma categoria masculina. ou melhor, a única categoria masculina na vida de winnie além de parentes: garotos que nunca se interessariam por ela.
ela entendia. é claro que ela entendia. winnie não era ingênua. e além de não ser ingênua, ela não era líder de torcida, sorridente, bem vestida, simpática, não era alta o suficiente, não tinha curvas o suficiente, seu rosto tinha sardas demais, seu corpo tinha ossos que despontavam e a faziam parecer desproporcional, seu cabelo era quase uma palha sem brilho e falando em brilho, o de seus olhos morria tão cedo numa conversa, que seria capaz de fazer parecer com que ela estava num velório.
dannel já havia deixado claro que as coisas acima não eram seu tipo. não com essas palavras, mas winnie preferia não ser muito gentil consigo mesma. então porque jack cole ainda não?
— and then i totally shot barack obama and wow, what a day!
winnie arregalou os olhos, quase engasgando na própria saliva ao ouvir as palavras de jack.
— sorry, sorry! — jack exclamou, sem conter suas risadas. permitiu-se sorrir um pouco, e até mesmo soltar uma risada baixa de si mesma — i just had to get your attention somehow. are you okay? you’ve barely said a word tonight.
— i’m really sorry — winnie grunhiu, escondendo seu rosto nas mãos por alguns segundos antes de rir de si mesma de novo — i’m just a bummer like this, sorry. i’m not used to being fun and spontaneous like holly and sean. around this time on a saturday, i’m in my bed watching house of cards and pretending kevin spacey didn’t ruin the show.
— i think you’re the coolest, honestly — jack disse, dando de ombros casualmente — really, you’re a blast. i just... don’t think you wanted to be here.
— honestly? like i said, all i wanted was to be in my bed watching house of cards.
— no, i think you wanted to be with somebody else. somebody who happens to not be me — jack riu pelo nariz.
ugh, fuck. que porra holly e sean estavam fazendo? fabricando as cervejas? com a expressão de surpresa, de alguém que realmente não esperava uma indagação daquelas, olhou na direção do bar a procura dos dois amigos.
— you do know they’re never coming back, right? sean is a good wingman, he probably left like twenty minutes ago.
winnie voltou o olhar para jack novamente. ela raramente havia estado em uma situação tão estranha quanto aquela em sua vida. parecia que estava vivendo em um universo paralelo, um universo em que estava sentada ao lado de um jogador de lacrosse bonito numa mesa de bar e discutindo seus problemas amorosos.
— i really am sorry, jack. i didn’t want to waste your night — respondeu depois de algum tempo de silêncio — to be really honest, the only reason i am here is because holly threatened to call my parents.
— ouch! — jack exclamou, colocando a mão sobre seu peito fingindo ter recebido um golpe. wyatt também ia gostar de jack.
— no, i didn’t mean it like that, i... you’re a really nice guy. you are. i just...
— like someone else? — jack completou — that’s easy to notice. you looked at me like i was the most uninteresting person in the world when we got here.
— maybe you are and this has nothing to do with someone else — winnie brincou, tentando aliviar o clima.
— ouch, west, jesus! you wanna kill me or what? — jack rebateu rindo, e era o que faltava para que uma parte do estranho peso da noite saísse dos ombros dela. não era mais um encontro esquisito, agora era só... uma conversa de colegas. quem sabe algum dia amigos — he’s a lucky guy, that kane boy. and don’t try to deny it, because i may look stupid, but i sure as hell am not.
não havia muito objetivo em tentar negar. jack não ganharia nada passando aquela informação adiante e winnie não sabia se tinha como ser mais humilhada do que dentro de sua própria mente.
— they don’t make dumb jocks like they used to, what a waste — winnie riu — and i’m not sure about the lucky part. he doesn’t really...
enquanto ela falava, o sino na porta do malone’s tocou, e winnie ergueu os olhos na direção da porta meramente e apenas pelo instinto. como quando você ouve o seu nome sendo chamado mesmo sabendo que está chamando outra pessoa, ou quando alguém diz o nome dos seus pais e você tem que olhar. e então foi como uma montagem triste de um filme medíocre.
o nome dela era victoria novak, e ela era a garota mais bonita que winnie já tinha visto em sua vida inteira. talvez não tão bonita quanto lyla frost e gia gardner, mas muito bonita. agressivamente bonita. vicky era uma aluna de história da arte, que parecia ter saído diretamente de um catálogo do pinterest. e naquela noite, havia saído também com dannel montoya-kane.
winnie não via dannel há... 13 dias e meio. e é claro que ela havia contado, para deixar tudo ainda mais patético. as vezes, quando estava sozinha à noite, pensava no que ele estaria fazendo. se estaria sentindo sua falta. em algum lugar de sua mente profundamente perturbada, winnie west imaginava se dannel kane estaria pensando nela. patético.
— ...feels the same. he doesn’t really feels the same — completou a frase que havia deixado pairando no ar. jack pareceu notar o olhar congelado de winnie na direção da porta e virou-se sem a menor discrição.
— oh. oh, damn. listen, do you wanna leave? — jack voltou-se para winnie novamente.
— no. yes. i- listen, your frat is all the way across the campus, you don’t have to do this. i live just a few blows away and it’s only 9pm. i can walk myself — winnie levantou-se bruscamente de sua cadeira, empilhando seus casacos e sua bolsa em um braço — thanks for the night, jack, sorry that i’m such a fucked up company.
— no need to apolog—
mas winnie já estava saindo pela porta. fez uma observação mental de mandar uma mensagem para jack se desculpando pelos seus modos horríveis. mas se precisasse ficar ali mais um segundo iria destruí-la e ela não precisava mais disso. parada do lado de fora do malone’s, winnie respirou fundo, muito fundo, tão fundo que parecia que seus pulmões iam explodir. e fez isso uma, duas, três vezes até que... até que não parecesse que ela estava se sufocando.
winnie sonhou com dannel no décimo oitavo dia desde o fatídico acontecimento.
ela sonhou com ele a puxando para perto. sonhou com ombros largos, com puxar a camiseta — sua favorita, uma camiseta azul marinho que fazia com que dannel parecesse saído de um livro do nicholas sparks — de cima desses ombros, e empurrá-los contra a parede. sonhou com mãos pesaddas e dedos que se afundavam na pele nua de sua cintura, que escorregavam até chegarem em suas coxas e a erguiam no ar. sonhou com sorriso dele no escuro, com ele abrindo cada botão da sua camisa devagar. sonhou com sussurros pouco comportados contra seu ouvido, com uma respiração quente deixando um traço invisível em sua pele, com uma boca molhada tracejando o mesmo caminho indo e voltando por suas costas, seus ombros, seu peito. sonhou em fazer pedidos e ele realizá-los, sonhou com ele dizendo seu nome, com ele em cima dela, embaixo dela, dentro dela.
e acordou com holly gritando seu nome.
— are you okay?! you started to move and sweat and make some weird noises — holly estava com o rosto a centímetros do de winnie, bem como um mãe checando uma criança que teve um pesadelo. pena que não havia sido um pesadelo.
— i’m fine. sorry, i didn’t mean to scare you — winnie engoliu em seco, empurrando holly para o lado e sentando-se na beirada da cama — what- what are you doing? — perguntou confusa, ao ver a mala de holly na porta.
— my train is about to leave, duh. winter break, remember? earth to winnie, helloooo?
— your train- oh, shit! fuckshitfuck! what time is it?! — winnie pulou da cama, dando de cara com a janela do dormitório e uma noite escura — i slept all day?!
— you needed it, hon. you've barely slept since... uh, well, a couple of weeks — holly estava sendo extra cuidadosa para não tocar no nome de dannel, jack, ou o que quer que houvesse acontecido naqueles dezoito dias. fazendo uma pausa na fala, continuou a organizar suas coisas apressadamente — there's still an hour until your bus, so... freshen up, take care of yourself and don't forget to call me, alright? i love you! see you after the break!
e assim, winnie estava sozinha em seu dormitório. respirou fundo, levantando-se da cama e olhando a neve cair devagar pela janela. o recesso de inverno já estava ali e ela lidaria com ele com perfeição... mas o recesso de dannel... era uma história totalmente diferente.












