- Palavras: 895.
- Tamanho: One-shot.
☆Direitos autoriais: Os personagens desta estória pertencem a mim. Todos os direitos reservados.
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Fazia duas horas que ele tinha se deitado naquela cama de lençóis amarrotados em busca de seu travesseiro macio para afastar todo o cansaço daquela noite passando de bar em bar. Duas horas e agora já estava com os olhos abertos novamente ouvindo som de batidas consecutivas em sua porta.
Seus olhos que mal conseguiam focar correram para o relógio na parede a sua frente vendo marcar 6:00 e logo se fecharam uma última vez implorando que isso não estivesse acontecendo. Entretanto as batidas insistentes afirmaram que aquilo só era um pesadelo para sua cabeça atordoada pelo álcool.
— Só pode ser brincadeira...
Com dificuldade e nem um pouco de vontade o rapaz se empurrou do conforto do colchão para tocar seus pés descalços no piso frio de madeira. Indo entre resmungos e estalos de língua em direção a porta da frente vendo fios fracos de luz adentrar os vidros da entrada.
O local era próximo, somente alguns passos foram o suficiente para alcançar o destino, e logo estava ali segurando a maçaneta ainda vestindo o que restou das roupas daquela noite agitada enquanto carregava na face pálpebras pesadas e um cabelo bagunçado deixava claro que não queria ver ninguém ainda. O puxão que deu na porta quando a abriu dizia “é melhor que alguém tenha morrido ou vou ter que fazer isso agora”. Entretanto foram os confetes jogados em seu rosto junto ao chacoalhar de maracas e os gritos de “feliz aniversário” que fizeram suas veias raivosas congelarem e o rosto derrotado se transformar em uma incógnita.
— Feliz aniversário, Tobi! – No centro das três criaturas estava Mischief carregando um bolo e falando com um sorriso tão largo parecendo que somente essas palavras eram capazes de trazer toda a felicidade a sua vida.
A direita dele estava Foxy chacoalhando duas maracas enquanto repetia a mesma frase e, do outro lado, Sis estourava outra bomba de confete repetindo longos “e” sem mostrar tanta felicidade quanto os demais.
Tobias estava zonzo por todas as bebidas que tomou naquela noite e sua cabeça estava gritando tão alto que poderia explodir, porém ao invés de manda-los se calar e deixarem isso para mais tarde ele apenas os fitou pensando consigo mesmo: “hoje é meu aniversário...”.
— Ainda bem que você tava em casa. – Dando uma pausa com os instrumentos a jovem comentou chamando o olhar confuso dele. — Porque senão era certeza que o Mischief ia ficar triste.
— Não nego. – Assumiu a fazendo rir e logo voltou sua atenção para o primo onde só então notou a expressão perdida em sua face. — Tobi? – Seu nome foi chamado com receio o despertando das perguntas. — Que foi?
— Ah... – riu sem jeito coçando a nuca como sempre fazia. — Nada. Eu acho que esqueci.
— Como você fez isso? – Sis questionou parecendo indignada. — Como esquece quando tem bolo?
— O título de maníaco do bolo é seu, Sis.
— Verdade. – A forma como respondeu sem dar a mínima trouxe um riso curto a conversa.
— Mas a gente não esqueceu. Nunca vamos. – Mischief falou atraindo a atenção dele.
No rosto do mais novo um olhar gentil acompanhava o sorriso que desejava felicidade a ele. Tobias não teve respostas sarcásticas naquele momento nem vontade de implicar, apenas sentiu seu coração se agitar com a alegria que dificilmente conseguia encontrar.
Não houve comentários ou troca de palavras doces, ao invés disso ele respondeu ao carinho com um olhar e um sinal de que sua saliva descia áspera por uma garganta apertada de gratidão.
Mischief estendeu os braços entregando o bolo a ele o permitindo ver melhor a decoração em glacê branco com uma escrita desajeitada, porém bonita comemorando a data.
— A gente fez ontem. – Orgulhoso comentou fazendo o loiro rir.
— Sério...
Sua voz parecia preguiçosa e até um pouco cansada, mas isso era só para esconder os olhos trêmulos da cabeça abaixada que fitavam o bolo. Estava feliz, mas não queria olhar para eles, não queria ceder. Foi nesse momento que sentiu algo pousar em sua cabeça.
Engolindo o que quer que estivesse preso em sua garganta ele se ajeitou procurando ao lado o que tinha acontecido conseguindo ver o sorriso contente da jovem que vinha de trás dele.
Não dava para acreditar que tudo aquilo estava acontecendo de uma vez, que todos aqueles sentimentos ainda viviam dentro dele.
Rindo para afastar a falta de jeito ele fitou os três na frente mais uma vez.
— Vocês me irritam tanto. – Se virando, caminhou para dentro os permitindo entrar juntos pela casa. — Mischief, nem pense em me abraçar.
— Eh?! Por que?!
— Agora, as outras três podem ficar à vontade. – Ignorando os gritos chorosos do mais novo, continuou dando uma piscada para Foxy.
— Sai fora, eu só vim aqui pelo bolo. – Sis respondeu o fazendo rir alto.
— Espertinha.
— Lógico.
Ao chegar ao centro do quarto onde uma pequena mesa descansava ele colocou o bolo no centro e logo viu os outros se sentarem ao redor espalhando pratos e comentários sobre o que poderiam fazer para aproveitar o dia com ele.
Tobias não disse nada e por um instante só os assistiu. Era claro que estava cansado e precisava urgentemente dormir, porém mesmo achando tudo isso uma bagunça e agitado demais para seu gosto ele não conseguiu evitar o sorriso que gritava “como isso foi acontecer?” ao mesmo tempo que dizia “obrigado por serem assim”.