Too much ego in a paper airplane || @Clarkefield
Se havia alguém no campus que acordara com disposição para desordem, era James. Até porque todos os dias se apresentavam como ótimas oportunidades para repulsar de si qualquer um e fazê-lo da forma mais divertida possível. O moreno não perdoou a aula de química, nem a de inglês, não perdoou a aula de geografia e talvez por não ter permitido a nem sequer um segundo de seu dia ser menos que uma completa anarquia, é que fosse recebido com tanta gentileza nos corredores da adorada escola.
James gostava de interpretar todas aquelas piadinhas - respondidas no mesmo nível e fervor, é claro - como delicadas cortesias de todos os seus companheiros escolares, entretanto era tomado por um quase auto padecimento ao pensar em como a aptidão habitual destinada a criar barreiras entre sua intimidade e o pouco que sentia por todas aquelas brincadeiras estava se enferrujando, o deixando mais próximo daquele mundo do que nunca.
Perdido nos próprios devaneios e camuflando-os em seu sorriso corriqueiro, o hacker foi bruscamente interrompido por um corpo estranho que, depois viera a constatar como um aviãozinho de papel, lhe atingiu o rosto em cheio. Tomado por uma fúria súbita, James nem se deu o trabalho de "programar" os próprios movimentos. Muito antes de mirar ou, de como deveria mandar o bom senso, pensar em apenas descartar o pequeno aeroplano, o moreno o enviava pelo ar na direção do que viria a ser uma garota, mais precisamente, Samantha Bryefield.
James a conhecia. Ah, sim. Conhecia e não simpatizava nem em suas mais notórias virtudes - até porque já era suficientemente difícil reconhecê-las. Toda a sua opinião sobre Samantha era a de uma menina insolente, egocêntrica, e muito mais confiante do que o gosto de James permitiria. Desde que fora alguém esperta o suficiente para responder suas ofensas à altura, se tornara uma desafeta. O garoto não perdeu tempo em aproveitar-se da situação para alfineta-la.
-- Olha só, se o aviãozinho não pegou justo na adorável Bryefield! -- James sorriu, enquanto acomodava as mãos nos bolsos e dava alguns sorrateiros passos. -- Pode querer me desculpar mas acho que a culpa é toda sua... Que culpa tem a minha mira se qualquer elemento grande o suficiente para descontrolar ela, está presente no monumento que é o seu nariz?















