Shin tinha total consciência que já deveria estar em algum lugar coberto aquele horário da madrugada, três horas mais tarde e o sol de fato começaria a nascer e definitivamente não estava a fim de presenciá-lo. Mesmo que os primeiros raios solares não fossem tanto prejudiciais assim, os próximos que se seguiam eram aqueles que acabavam se tornando mais intensos e irritantes. Traçava um caminho aleatório pelas ruas da não tão inexplorada Paris, sozinho, como todas as outras vezes; quando inesperadamente seu olfato aguçado identificou um leve aroma sanguíneo, nada familiar, porém, deduzia que conhecia apenas por rumores sobre a espécie de a quem pertencia.
Considerava que ninguém era capaz de enganá-lo, e por não encontrar nenhum semelhante em sua viagem toda, acabou por seguir o rastro invisível deixado instintivamente; talvez fosse culpa da curiosidade, e um pouco por permanecer solitário. A cada quarteirão percorrido o cheiro se tornava mais forte, no entanto, de alguma maneira, distante também, como se houvesse apenas alguns registros do imaculado. Talvez o proprietário da essência não estivesse mais pela região, até cogitou. Tipicamente, o caminho o trouxera a uma hospedagem simples, “Hm, talvez não seja uma boa ideia...” Disse em um tom baixinho, para si mesmo, enquanto observava o albergue. É claro que se referia a um arrombamento, mas, ainda não se sentia preparado o suficiente para fazer qualquer grande confusão.
Primeiramente decidiu investigar superficialmente ao redor da construção, vizinhos indesejados e com tendências heróicas seriam demasiado incomodo, principalmente se a possível vítima fosse do tipo histérica. No atual humor do vampiro, não estaria disposto a lidar com humanos barulhentos, ainda mais que dias mal dormidos já haviam ultrapassados quarenta e oito horas. O vampiro não daria seu primeiro passo caso achasse que não dava conta da situação, não obstante, as características impulsivas e audaciosas da personalidade de Shin não permitiam que a consciência tomasse força o suficiente para pará-lo naquele momento.
Por obra do destino, ou simplesmente sorte, apenas em uma, das três janelas dispostas da construção estava com uma larga fresta exposta; e é claro, não tardou em se aproximar com cautela e suspirar fundo, tendo a certeza de que seu sacrifício estaria naquele cômodo em questão. Não se sentia sedento por sangue, todavia, nunca negaria mais do que o necessário para a sobrevivência, luxo nunca era demais.
Shin não pensou duas vezes em utilizar a força necessária para romper a tranca que havia na janela, por ventura, mal encaixada; nem ao menos precisou usar tanto assim; ao passo que adentrou sem nenhuma hesitação pelo quarto extremamente escuro. Aproveitou a situação para sem mais nem menos avisar ao humano sobre as consequências de seus atos imprudentes. – “Se você gritar, eu te mato.” – O mais espantoso era que não havia feito quase nenhum ruído durante o arrombamento, tirando o inconveniente estalado da janela antiga. Não se deu ao trabalho de encostar ou imobilizar a possível vítima, preferiu ficar em posição de alerta em um dos cantos do cômodo. Caso alguma coisa saísse fora de seus planos mal elaborados, ainda teria como fugir da situação sem nenhum inconveniente.