Olho para o passado e agora consigo contar dois, quatro, seis, oito, dez e acabam-se os dedos das mãos. Vou para os dedos dos pés e conto mais dois, quatro, seis, oito, dez e acabam-se mais dedos mas não se acaba a conta, torna-se incompleta, uma conta inacabada e que não me enche de orgulho ou prazer realizá-la.
Inicio uma nova conta.
Olho para o presente e conto um, dois... Um, dois... Um, dois... Você consegue perceber que não coloquei o "mais" entre esses "Um, dois..."? É porquê só existem eles, ou talvez nem exista, os coloquei aí para fazer de conta que acredito que existam esses um, dois...
Esse exercício inacabado foi o de contar quantas pessoas já se passaram pela minha vida e que hoje não se fazem tão presentes quanto eram antes. O exercício em que empaquei, não consegui continuar a conta, é o exercício de contar quantas pessoas existem hoje em que posso considerar como verdadeiros amigos.
Você que lê pode se perguntar: É aquele caso em que as pessoas é que são culpadas por serem más com a pessoa que está fazendo essa conta? São essas pessoas que passaram umas falsas, interesseiras ou traidoras? Já que sou eu mesmo que escrevo posso lhe dizer: algumas sim, algumas não, mas a maioria delas foram pessoas de bem - e são até hoje - mas que eu, como prometi, não soube as segurar e dizer pra ficarem, não deixei a preguiça de lado e fui atrás de pedir que ficarem. Apenas as deixei ir, terminei a conta, não quis mais calcular. (co.de)