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Meia equivalência.
Já parou pra pensar que a distância não equivale a saudade? Pelo menos não pra mim. Tenho ao meu ver que distância é coisa pouca, seja de 32km ou três mil e dois, é pouco. Muito pouco, quando se comparado a saudade que se tem de alguém.
Distância é um negócio relativo que oscila entre um e cinco metros conforme a pessoa se movimenta pela casa, ou talvez mais metros, ela também pode ir no mercadinho da esquina, afinal, cárcere privado não é bom pra ninguém! Já a saudade é um troço chato que machuca o coração de acordo com os minutos, com as horas e os dias que passam sem ter aquela pessoa por perto. Ou aquela coisa, não sei, quem sou eu pra dizer o que lhe faz falta?
Eu acho graça, e talvez a graça esteja no meu jeito de menina boba que se desentende, mas não é estranho como o meu corpo sente falta do seu corpo se a menos de quarenta e oito horas recarregamos os abraços? A gente é igual tomada e carregador né? Aliás, a gente não. O nosso coração e o coração de quem a gente deseja bem e nos quer bem, é igual tomada e carregador: quando tá juntinho ali, no mesmo ponto de localização do Google Maps, tá carregando, é tempo de tomar um açaí e dar uns cheiros no olho, pronto, tá abastecido. Mas aí, meu amigo, quando os pontos mudam ou as coisas mudam, o negócio fica feio.
A saudade aumenta conforme a distância né? Então pensando melhor, talvez equivalha. Mas também aumenta com o tempo, então é meia equivalência pra cada. E soma os dois, a dor aumenta e bate aquela agonia, uma vontade louca de sair correndo e encontrar seja lá o que quer que seja que você quer encontrar.
Você já sentiu saudade de alguém que 'tá mesmo ponto que você? Alguém que você olha todo dia, mas ainda assim não ver? Essa é a pior saudade. É como se seu corpo estivesse deitado ao lado do corpo dela, juntos e ainda assim não se tocassem. É como não, é assim sim!
Falo de toque e de corpo porque meu corpo é feliz quando se estende num lugar macio pra repousar, me causa satisfação até na alma! Satisfação daquelas de quando a gente encurta a distância e mata a saudade, e não só saudade do corpo, também a da voz, a do cheiro, a do sorriso, das idiotices... E depois de tudo o que eu falei, 'cê ainda 'tá esperando o quê pra matar a saudade de alguém?
Lembrar de você me faz reviver a dor; a dor da partida, de como terminamos, das coisas que me fez passar. Sentir raiva é mais fácil que sentir saudade, é mais fácil que relembrar a dor.
Psicóloga: E o que você mais sente por ele nesse momento?
Eu: Saudade.
'Nunca pensei que poderia, senti falta , tanto de uma pessoa quanto sinto de você .
Eu constantemente sinto saudade das coisas que perco, mas não as quero de volta. Já doeu uma vez.
Caio Fernando Abreu
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade.