Nove meses depois eu percebi as mudanças que sempre acontecem, sim, as mudanças não param de ser exigidas no decorrer do relacionamento, pelo contrário, elas continuam lá, dia após dia. Às vezes me pergunto se algum dia eu fui apaixonada por ele, levando em consideração que paixão é um sentimento intenso ao ponto de ofuscar a razão, eu só me apaixonei por ele, ou talvez não, porque por ele foi amor, não a primeira vista, mas a primeira mensagem talvez, eu não sei, falar de amor e paixão é algo tão abstrato e tão confuso dentro da minha cabeça que eu nunca chego a nenhuma conclusão.
Nove meses depois eu percebi que mudei por causa dele, deixei minha vida inquieta e substitui o barulho e a atividade insana dos fins de semana pela felicidade de comer, assistir, dormir ou fazer qualquer outra coisa com ele. Quando não estou com ele, penso nele, e não penso em conhecer mais ninguém, porque ele me basta, é meu sol, o centro dos meus dias.
Percebi as mudanças pequenas de significância grande: eu sei exatamente a hora que ele acorda e acordo antes, se ele demora um pouco mais me preocupo! Sou daquelas que olham o celular de cinco em cinco minutos quando espera uma mensagem, mas não respondo quem espera as minhas, com exceção dele, é clichê, eu sei, mas ele sempre foi minha exceção, daquelas que me fez quebrar regras e me sentir bem por isso. Acreditem, foi melhor assim.
A nove meses atrás eu usava unhas longas e pintava semanalmente, agora uso elas em um tamanho relativamente confortável e pinto quando lembro que as tenho, ele sempre percebeu a mudança de cores, antes, salvo a minha prima, ninguém percebia. Antes eu sequer gostava de pentear os cabelos, continuo sem gostar, mas ele reclama quando prendo eles. Antes eu não fazia nada para agradar alguém, agora eu me esforço.
Em partes, relacionamentos são como livros: quando você passa muito tempo com eles, talvez você os acabe odiando, a familiaridade acaba gerando desrespeito, mas independente, eles continuam cheios de promessas e de possibilidades. Em tempos difíceis eles te apoiam, como cintos de seguranças e tabuas de salvação. Você pode classifica-los como quiser, mas eles sempre vão te ajudar a tomar decisões e de forma explicita ou não, sempre vão cuidar de você, mental ou fisicamente. Ler e namorar me forçaram a fazer coisas que talvez eu nunca teria feito sozinha: tomar decisões que melhorem o mundo ao meu redor e a mim mesma.
Eu não gosto dele como no primeiro mês, agora eu gosto mais, e o abraço dele não é o mesmo de quando a gente se encontrou pela primeira vez na porta daquele shopping, agora é melhor, e com isso eu quero dizer que me encaixa, tem um molde meu ali.
O amor tem muitas formas e épocas diferentes, é sempre uma questão de acreditar e lutar por ele, mas no dia em que eu olhei pros olhos dele e sorri, eu entendi que ele era uma parte de mim que eu não conhecia a anos, centenas deles talvez, eu não precisei de explicações e não preciso até hoje porque me ensinaram que o amor sempre desperta, e sem isso eu me pergunto: o que seriam dos nossos sonhos?
É, o amor tem dessas coisas...
Em nove meses eu aprendi o que às vezes pessoas demoram anos pra aprender: dizer eu te amo, se apegar a alguém, ficar mais cinco minutos, mandar uma mensagem só pra perguntar se esta tudo bem, são coisinha pequenas e bobas, mas que fazem um bem danado. Em nove meses eu ganhei o que pessoas levam anos procurando e ainda assim não acham, e me sinto grata por isso, porque quando chegar no decimo mês eu vou aprender coisas novas, ter novas possibilidades, novas lembranças, novos jeitos de reinventar a mesma coisa e continuar sendo feliz, assim como eu continuo feliz com os livros que tenho. E não, eu nunca os odiei, só aquele que acabou quando deveria estar começando.















