Eu tenho essa mania saudosista, um tanto masoquista, de me apegar ao que já nem existe, ou mesmo nunca existiu - eu apenas inventei que pudesse vir a acontecer um dia, e me apeguei nessas expectativas futuras como se elas já fossem parte da minha história. Vivo no presente, de olho no passado, e saudades de um futuro tão distante quanto o próprio sol que me aquecia, e ao mesmo tempo queimava sua pele tão rápido e forte que pareceu de bom tom se afastar para se proteger dele, da vida, e começar a me deixar sozinha.
Vejo traços do meu presente se misturando ao passado feliz, e tenho medo do futuro que me espera de braços abertos, com promessas tão perfeitas quanto inacreditáveis. Como posso não ter medo, se tudo que aconteceu me trouxe (e traz) tanta dor? Eu sei, você não vê, não me sente, não entende, não aceita ou está contente. Em meio a suas lágrimas e súplicas, meu coração dilacerado da cena, a fim de correr para longe, se trancar e nunca mais abrir, mas ao mesmo tempo totalmente aberto e entregue a tudo de novo, e ao mesmo tempo com uma sensação tão aconchegante e familiar, dos braços, abraços e amassos de quem sempre esteve lá, desde o primeiro dia. Em um dual dolorido, entre estar quebrada e estar me curando. Entre estar extremamente feliz, mas chorando por dentro. Dor, calor, amor. Eu sei exatamente o que fazer, mas me dói ver você se definhando e desacreditando, como se nunca mais pudesse ser feliz, como se tudo que passamos não fosse tão comum quanto o próprio amor. Me dói te ver assim, dilacera, mas não posso voltar quando sei o futuro que me espera. Não posso voltar quando tudo que fiz foi avisar, implorar, solicitar, brigar, conversar, apoiar, facilitar, tentar, me enganar, e chorar. É tarde demais pra quem tentou mais do que deveria. É tarde demais pra quem deixou pra tentar porque achou que eu nunca fugiria. É tarde demais para tentar reconstruir e construir uma história que nunca nem existiria. Eu inventei você, foi tudo fantasia. Saudades de você, mas você nem existia. Minha mente quis tanto dar certo com alguém que ela considerou perfeito, que deixou de lado a razão. Arrumei todas as desculpas possíveis, me anulei, e pulei de cabeça numa piscina rasa, da criança que você nunca quis ter mas agora mente pois sabe que, com você, também já não quero mais. Um relacionamento tão intenso, que acabou tão rápido, muito mais rápido do que o fim de fato, eu só não tive forças de te deixar ir, eu só não tive coragem de me deixar seguir. Jurei a mim mesma que 5 era o número da sorte, mas acho que nunca pensei em tamanha bobagem. O número da sorte é o que me fizer feliz de fato, que acolhe sem julgamentos mesmo sem entender, que me acompanhar por prazer, que planejar porque vê e enxerga em mim o futuro que deseja, e sabe da nossa capacidade em tornar tudo real. O número da sorte pode ser (e queria muito que fosse) esse de agora, e farei de tudo para ser, como sempre, porque eu não sei ser diferente. Então, vou deixar suas migalhas de lado, e aceitar que mereço o pacote inteiro, completo. Vou com medo mesmo, e me curo no caminho porque a vida não para, não volta, e não há motivos para revolta. Você teve sua chance mais vezes do que deveria, e aprendi e envelheci nesse tempo mais do que eu jamais preveria. Isso é um adeus com ar de até logo. Isso sou eu aceitando nossa derrota, mas adiando o inevitável. Meu mais considerável: fim.
- DM














