A Espiral do Silêncio [Schweigespirale] — Noelle-Neumann
A cientista política Elizabeth Noelle-Neumann estabeleceu um modelo de opinião pública que visava compreender o surgimento e o desaparecimento de opiniões dentro das massas, tal modelo ficou conhecido como a “Espiral do Silêncio”.
A autora identificou que as pessoas omitem suas opiniões individuais quando estas são diferentes da opinião da maioria. Essa omissão se dá por um desconforto previsto ao ter que defender sua opinião contra a opinião dominante. Neumann percebe um medo que as pessoas possuem de serem isoladas socialmente por sustentarem pontos de vista diferentes dos da maioria.
Em outras palavras, nós nos sentimos muito desconfortáveis quando temos que defender nossa opinião quando ela é minoritária num determinado grupo (almoços de domingo, numa sala de aula, um local de trabalho, nas redes sociais, por exemplo).
Tal desconforto vem acompanhado de uma estratégia tendencial e macrossociológica: manter silêncio sobre o assunto, evitar tocar em questões em que nossa opinião seria esmagada pela maioria. Tendemos a não falar muito sobre assuntos que supomos ter uma opinião contrária a opinião dominante — por isso “do silêncio”.
A cientista estabelece ainda que existe uma dimensão progressiva — não simplesmente cíclica — dessa tendência ao silêncio. Quanto mais uma opinião é dominada por uma outra, mais ela vai sendo omitida e sendo silenciada. Nesse movimento, os que se expressam contra a opinião dominante vão ficando isolados e, por isso, vão se tornando mais inclináveis a se calarem. Existe, então, uma progressividade do medo de se expressar, do desconforto em ter que defender seu ponto de vista. Por isso ela leva o nome de “espiral”.
As vozes discordantes são minoritárias e silenciosas, o que cria, em muitos casos, a ideia de que há uma opinião quase unânime da população sobre determinado assunto (o que dificilmente poderia ser verdade). Os agentes sociais que recusam a se manifestar, o fazem para manter seu posto social “intacto”, em detrimento da própria honestidade e sinceridade com suas opiniões e visões de mundo.
“A maior parte dos agentes sociais procura evitar o isolamento, isto é, sentir-se sozinhos ao sustentar pontos de vista, atitudes, crenças, etc […] cada um observa o próprio meio para constatar quais opiniões prevalecem e quais estão em declínio […] quanto mais os indivíduos percebem essas tendências e adaptam suas opiniões em função dessa percepção, tanto mais um grupo se mostra dominante e o outro dominado.” (BARROS FILHO, 1995, p. 181)
Esse fenômeno é possível por existir em nós uma intuição da opinião alheia, o que Neumann chama de clima de opinião. Os indivíduos detectam esse “clima” em seu meio e orientam suas ações e adaptam suas opiniões a partir dessa percepção.
Neumann conclui que a essa percepção do clima de opinião é essencial para que as pessoas passem a se expressar, porque o clima criado quando uma opinião é formada é um clima mais fechado, já que não é ainda a opinião da maioria. A opinião formada — a princípio minoritária — tende ao silêncio, contudo, quando esse ponto de vista passa a ganhar a adesão da maioria, ele passa a silenciar as outras opiniões progressivamente num efeito espiral. — BARROS FILHO, Clóvis. Ética na Comunicação - da informação ao receptor. São Paulo: Editora Moderna,1995.












