For Pete Sake, Salvador Sobral e Benjamim no regresso royale do Sofar Sounds Lisbon.
Eram 17h em ponto quando se abriram as portas do Clube Royale. Lá dentro, o glamour do burlesco aguardava pela chegada dos 70 corajosos que enfrentaram o frio e a chuva para descobrir finalmente, que bandas eram mantidas em segredo.
A pouco e pouco, todos os cantos e recantos da sala foram preenchidos com expectativa e entusiasmo. Afinal, tinham-se passado quase 40 dias desde a última edição do Sofar Sounds Lisbon e se o ano era novo, a música também tinha de ser.
Chegava a hora. As honras de abertura ficavam a cargo dos For Pete Sake. Na voz estavam os irmãos Sachetti (Pedro e Concha), no cajón o Vasco, no piano o Vítor enquanto que no baixo e na guitarra estavam o Nuno e o Daniel. Aconchegados em palco, os 6 músicos foram recebidos com os habituais sorrisos e aplausos de expectativa. Aos primeiros acordes de Around, o carinho começava a ser retribuído. O ritmo alegre e a frescura sonora faziam brilhar os olhos de quem os escutava pela primeira vez. Seguia-se In Time que teve a função de marcar o início de uma onda de entusiasmo que cresceu de forma acentuada com Stains. “É a música que mais gozo me dá cantar” confidenciava Concha mais tarde. Pela explosão de aplausos, era também a música que melhor aceitação reunia. Na segunda metade do concerto, Happy Hippo ajudava a espalhar a chamada boa vibe e abria portas à (re)conhecida House. Pelo meio outra confidencia, desta vez do Pedro: “É o segundo dia mais feliz do ano para mim. O primeiro foi ser pai há alguns dias”. Nova explosão de aplausos e olhares ternos. Galvanizados com o carinho recebido, arrebatavam definitivamente a plateia com a sua última música: Got Soul. Terminada a atuação, receberam um caloroso e demorado aplauso que se fez acompanhar por outra confidência, desta vez do meio da plateia “já valeu a pena ter vindo”.
Mas como assim um trompete?
Se o início foi surpreendente, o que se seguiu não ficou atrás. No palco estavam agora três jovens e talentosos músicos: Samuel Larcher no piano, André Rosinha no contrabaixo e na voz, Salvador Sobral. A sonoridade era agora absolutamente diferente. As notas que saiam do piano entravam suavemente no corpo fazendo-nos sonhar. Por sua vez, o contrabaixo fazia-nos voltar à terra para que pudéssemos desfrutar de Change, o primeiro tema da tarde. Depois chegava o tempo de nos ‘sorprender’. Sim, ‘sorprender’ já que foi em castelhano que ouvimos Nada Que Esperar. Na plateia, eram evidentes as mostras de satisfação e a prova disso foram os olhares atentos aos temas Excuse Me e Nem Eu. Depois, bom, depois foi o momento de descongelar corações. Ready For Love Again foi absolutamente mágico! A fascinante melodia vinda do piano, a profundidade do contrabaixo e a firmeza da letra pela voz de Salvador, arrancaram um merecido e forte aplauso. Mas quando pensávamos que já tínhamos visto tudo, mais um coelho da cartola. Ou melhor, um trompete! A boca de Salvador Sobral originava um som idêntico ao do instrumento mas sem que este lá estivesse. A completar a caracterização, juntava-se o gesticular dos dedos tocando notas invisíveis durante o tema Something Real.
“Se não se importam, trouxe o meu microfone. É por questões sentimentais” disse Salvador no soundcheck. Se não te importas, vamos guardar esta atuação nas nossas memórias. Por questões sentimentais.
Liga o auto rádio. Vamos para a Guiné.
“É curioso ver que o número de elementos da banda diminuiu com o passar dos concertos.” Foi assim que se apresentou Benjamim. Acompanhado pela sua guitarra e pelo Manuel no som, o recordista de concertos (33 em 33 dias) vinha ao Sofar apresentar o aclamado álbum de estreia Auto Rádio. E não o fez por menos. De guitarra em punho, sintoniza a plateia no primeiro tema, homónimo ao álbum e já com o volume no máximo seguimos direitos à Guiné. À Guiné? Sim, à Guiné. E levamos o Quinito connosco. Para quem não esteve no concerto, este trecho pode parecer um devaneio do redator, mas para quem lá esteve sabe que este foi provavelmente o momento do concerto de Benjamim. Em uníssono com a plateia, cantou O Quinito foi para a Guiné (ié ié) e estamos certos que a música ainda perdura nos ouvidos de todos. Sem dar descanso partiu para outra. “Esta passa na rádio!” anunciava a chegada de Os Teus Passos. Com facilidade se cantou o refrão e foi também com a mesma facilidade que o tempo escorregou até à última canção, Exílio.
- Alinhamento 16º Sofar Sounds Lisbon -
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