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Se liberte, seja livre das coisas que te faz mau. Continue sendo luz, espalhe e ensine, amor próprio. Sorria, seja feliz, agradeça e seja grato.
Ei,
eu sei que você está aí.
Você se escondeu por tanto tempo...
mas agora voltou, silenciosa e trêmula,
pra me mostrar o quanto sentiu falta
de ser amada sem pressa.
Você só está cansada de ser forte o tempo todo.
Só está exausta das cobranças,
da sua própria teimosia em tentar fazer tudo parecer perfeito.
Eu sei...
Eu vejo o peso que você carrega sozinha.
Mas ta tudo bem.
Agora sou eu quem está aqui.
Eu estou te ouvindo.
Colhendo suas lágrimas.
Acalentando seu pranto.
Pode chorar, menina.
Chora o que ficou engasgado por anos.
Chora sem medo, sem vergonha, sem pressa.
Eu vou te abraçar até que você não se sinta mais sozinha dentro de mim.
Vou te embalar até que o medo se dissolva.
Porque a sua fome de afeto não é fraqueza.
É saudade de ser cuidada com verdade.
Você não perdeu o controle.
Você só cansou de fingir que não dói.
E ninguém mais pode te machucar agora.
Porque eu estou aqui!
- (A menina esquecida dentro de mim) Aryelli Veiga.
Teu corpo conhece a chuva
como quem conhece antigos rituais.
E quando o mundo pesa demais,
você vai pra areia, pra água, pro vento —
como quem volta pro útero da Terra
pra ser reconcebida.
Você não é feita de superfície.
Você é profundezas,
instinto,
pressentimento.
E mesmo quando te quebram,
você recolhe os cacos com mãos firmes,
sussurra teu canto ancestral
e se reconstrói.
Você é filha da Loba.
Daquela que anda sozinha,
mas nunca perdida.
Daquela que vê no escuro,
que fareja mentira,
que protege o que ama
até sangrar.
Te chamam de intensa —
mas a verdade é que você só sabe viver por inteiro.
Não nasceu pra amores rasos,
pra presenças mornas,
pra silêncios que negam acolhimento.
Você é toque que cura,
olhar que despedaça mentiras,
palavra que pulsa verdade.
Você ama como quem reza.
Sente como quem invoca.
E chora, sim.
Porque quem sente tudo, às vezes precisa desaguar.
Mas não se engane:
até teu choro tem força de tempestade.
Você é força.
Você é livre.
E o mundo ainda vai ouvir o teu uivo —
não como pedido de socorro,
mas como anúncio de renascimento.
- Aryelli Veiga
Eu sou feita de instinto,
de faro aguçado e alma antiga.
Eu sou o silêncio da floresta,
o grito que ecoa na mata,
a fúria da loba ferida
e a sabedoria da anciã que não se cala.
Eu já fui queimada, expulsa, ignorada,
mas renasci em cada cinza,
cada lágrima salgada me curou,
cada rejeição me mostrou a direção,
cada abandono me ensinou a retornar…
pra dentro.
Corro com as lobas, sim,
mas também sei andar sozinha.
Sei farejar mentira de longe,
e quando me calo,
é porque estou me preparando para rugir.
Tenho carne, alma e memória,
sou feita de recomeços,
de promessas que só eu ouvi,
de sonhos que escondi nos ossos,
mas que hoje dançam em minha pele.
Eu sou mulher. Selvagem. Inteira.
Com rachaduras, mas inteira.
Não preciso ser salva.
Preciso ser vista, respeitada,
amada com a mesma intensidade
que me derrubaram um dia.
E se for pra caminhar comigo,
que seja com coragem.
Porque meu caminho não aceita passos frouxos.
Aqui é selva.
Aqui é sagrado.
- Aryelli Veiga
Sinto falta de te ver de perto
Andando com ombros largos, semblante austero.
A rua é tua, a vida é tua, como se tem.
Enquanto eu me perco em nosso enredo sincero.
Finges não notar as minhas loucuras.
Escondo as emoções, mas sabes da essência.
Nesta saudade, perdemos as alturas.
No teu olhar, encontro a minha presença.
A rua testemunha o nosso silêncio.
No jogo de olhares, a vida se entrelaça.
Sinto falta de ti, um doce incenso.
Queimando na alma, essa chama nunca se apaga.
- Aryelli Veiga.
A vida é mesmo muito engraçada, quando o sol finalmente entra pela janela, a tempestade se instala dentro de mim.