( SINCLAIR, WHAT'S YOUR BIGGEST FEAR ? )
may everything be a dream and i'm still in my castle on the hill.
⚠️ trigger warning ໒ sangue, tesouras e ferimentos.
Olhar no espelho era uma luta, principalmente se nada cobria a marca em seu ombro. Parecia que nada tinha mudado, que estava vivendo apenas uma paranoia sua, porque sentia como se ainda estivesse presa naquela cama, imobilizada e cheia dos machucados. A pele queimava, como se eles ainda estivessem ali, como se todos os cortes e marcas fossem frescos... O cabelo longo estava caído nos ombros, mas ainda dava para visualizar aquilo, a grande cicatriz.
— Você não cresceu, Demian. — Sussurrou, uma lágrima solitária escorrendo por sua bochecha. — Ainda é uma criança fraca e indefesa. — Continuou, a destra buscando uma tesoura na gaveta do móvel, segurando-a com força. — A qualquer momento, eles vão te pegar... Eles vão cortar seu cabelo e derramar seu sangue. — A imagem refletida era embaçada pelas lágrimas.
Os dedos seguraram uma mecha solitária, cortando-a de uma vez para visualizar os fios caindo sobre a pia, espalhando-se na água espalhada ali e que logo tornou-se vermelha, o dedo foi cortado no processo e o líquido escarlate pingou freneticamente. Não podia continuar com aquilo, iria acabar se machucando ainda mais, por isso, largou tudo e limpou o corte, colocando um curativo qualquer, precisava deitar e cochilar.
Péssima escolha, um sonho, bem mais vivido do que devia. O mato alto roçava em sua bochecha, estava ao lado de uma poça de água com barro, mas conseguia visualizar seu rosto... Os traços marcados e o cabelo tigela, curto e sem trato algum, um garoto em aparência, mas com essência de uma garota, ela era uma garota! Apesar dos pais falarem o contrário, tinham dois filhos homens, Demian e Dante... Ninguém acreditaria que o mais velho era na verdade uma menina, nomeada como Yewon, pela enfermeira do hospital, pois os pais recusaram lhe nomear. Voltando para a cena do sonho, conseguia ver uma movimentação na plantação, era a fazenda de Boseong e a movimentação era seu gêmeo, provavelmente fugindo sem a mesma, porque ela quis assim. O tornozelo dolorido a impedia, era perigoso demais continuar, pois se fossem pegos, a punição não ia ser leve e realmente não foi... Ela sabia como aquilo terminava.
— Pede para ele voltar, moça, por favor. — A criança ao seu lado chorava, quem visse ia acreditar ser pela partida do irmão ou pelo tornozelo machucado, mas não... Demian chorava com medo, o medo da morte. — Eu preciso ir... Eles vão me machucar, estou com medo. — Confessou, o choro ainda mais alto e por um segundo, Amy quis fazer o mesmo, porque aquele era seu pensamento da época. — Dohan! Dohan, por favor... Dohan, me leva com você, eu estava mentindo... — Os gritos vinham entre soluços, cada vez mais altos, sem se importar se os adultos chegariam ali.
Amy levantou e tentou pegar Demian nos braços, correria até Dohan, iria embora com ele, mas a cada passo, parecia afundar na plantação, como se ela lhe engolisse juntamente de todos os seus medos. — Dohan, por favor. — O grito a fez acordar, era seu próprio grito enquanto chorava. Levantou rapidamente, secando o rosto com sua mão. — Eu não acredito... Isso ainda me persegue... — Tampou os olhos com a destra, respirando fundo para acalmar o coração, que batia fortemente no peito, estava até doendo.
Pegou seu telefone, caçando o contato do irmão, não conseguia ficar sozinha, não depois daquilo... Estava com medo de tudo ser um sonho e acordar na colina novamente, vendo o irmão indo.
📲 dante : eu posso ficar aí com você? estou com medo... por favor, eu só preciso sentir que estou na realidade certa, depois vou embora.











