Coleções
Krzysztof Pomian, nascido em 1934, é um historiador e filosofo polonês. Imigrou para a França nos anos 1970 quando se opôs ao regime comunista vigente na Polônia no período. Na França, fez carreira no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), ensinou na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) e na École du Louvre. Como historiador dedicou-se à história da cultura europeia, à história das coleções e dos museus. Em 1984, foi convidado pela Enciclopédia Einaudi (Portugal) a escrever sobre o verbete Colecção. O resultado é um dos textos mais importantes acerca do estudo das coleções.
Para Pomian, um grupo de objetos se torna uma coleção quando: são mantidos temporária ou definitivamente fora do circuito das atividades econômicas, estão protegidos em um lugar preparado para esse fim e expostos ao olhar do público
A função das coleções é permitir aos objetos que as compõem desempenhar o papel de mediadores entre os espectadores e o mundo invisível.
[...] exactamente por causa da função que lhes é atribuída – função que consiste em assegurar a comunicação entre os dois mundos nos quais se cinde o universo –, os objectos são mantidos fora do circuito das actividades económicas. Mas ver-se-á também que, exactamente por causa da sua função, são considerados objetos preciosos, e que portanto sempre se tentou reintroduzi-los neste circuito para trocá-los por valores de uso, por coisas; por este motivo devem ser submetidos a uma protecção especial. Constata-se então que os objectos não podem assegurar a comunicação entre os dois mundos sem serem expostos ao olhar dos seus respectivos habitantes. Só se esta condição for satisfeita é que se tornam intermediários entre aqueles que olham e o mundo que representam (POMIAN, 1984, p. 66)
Surge então uma divisão no interior do visível, a segregação entre coisa, os objetos úteis, e semióforo, objetos que não têm utilidade (portanto não são coisas), mas que representam o invisível e, assim, são dotados de significado
Assim, objetos podem:
– Possuir utilidade, mas não significado. (ex. Quaisquer objetos utilizados no dia-a-dia, como mesas, cadernos etc.) – SEMIÓFARO: Possuir significado. (ex. Objetos musealizados) – Ter utilidade e ser semiófaro. (Dar significado as coisas as torna semióforos, não importa qual objeto; ex. Cadeiras utilizadas por figuras importantes colocadas em praças para uso público)
Então chega-se à conclusão que:
Quanto mais utilidade um objeto possui, menos significado
Quanto menos utilidade um objeto possui, mais significado
Esta significação pressupõe um observador, já que de acordo com Pomian “o olhar”, e também a linguagem, atribui significado.
O olhar assegura a relação entre o invisível e o visível e, como objetos representam, estes remetem o observador a outros objetos, sentimentos, lugares, etc.
Pode-se concluir a partir disso, que o Museu cria narrativas mas é o sujeito que dará sua própria interpretação.
Referências:
POMIAN, Krzysztof. Colecção. In: Enciclopédia Einaudi. V. 1 (Memória-História).Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1984. p. 51-86.












