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Coleção, colecionismos
Olá, queridas e queridos!
Voltamos a navegar pelo mundo da museologia, após alguns meses sem aulas foram retomadas no dia 19 de agosto as aula no formato ERE na UFRGS, com está caótica pandemia o mundo parou no tempo após a disseminação de um vírus com um potencial mortal. Até parece piada mas faço aqui uma analogia com o assunto que foi discutido na aula de hoje: Colecionismo.
Aqueles relógios guardados com ponteiros parados, desgastado, em um espaço feito para ele e de alguém especial dos antepassados daquela pessoa, ou pertencente a uma pessoa que o comprou do antiquário. Um objeto que não tenha mais sua utilidade originária, talvez sem um valor de mercado, mas possuidor de um significado seja afetivo ou não o fez ser colecionado.
São desta forma que são constituídas ao coleções sejam elas particulares ou pertencentes a museus, mas se tratando das particulares os objetos sejam relógios, marcadores de páginas, desenhos, pinturas ou frascos de perfume vazios possuem um significado para aquele que o coleciona seja por gostar de tal artista ou do cheiro do perfume já acabado. O ato de colecionar e tão singular assim como cada um dos objetos colecionados.
Krzysztof Pomian, filósofo e historiador polonês descreve em sua obra Enciclopédia Einaudi (Memória-História), que coleção é: “Um conjunto de objetos sejam eles naturais ou artificias, mantidos de forma temporária ou definitiva fora do circuito econômico, que estão sujeitos a proteção especial em lugar especial para este fim e/ou objeto, e exposto ao olhar público.” (página 53)
Trazendo de exemplo a foto abaixo e de uma parte da coleção da minha mãe, e um jogo de chá de porcelana que pertencia a minha bisa avó materna. O jogo de chá e da cerâmica Schmidt comprada a uns 50 anos na loja da marca. Em 2014 com o seu falecimento este, outro jogo de chá e mais uma coberta de mesa ficaram com minha mãe, atualmente estão em uma cristaleira e não são mais utilizadas,mas só porque não tomamos chá das cinco.(kkkkkk)*_*
Referência POMIAN, Krzysztof. Colecção. In: Enciclopédia Einaudi. V. 1 (Memória-História).Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1984. p. 51-86.
Foto tirada pela autora de sua coleção pessoal.
Coleções e Constelações
Quando eu era pequena e morava no interior, nas noites de verão, meu pai costumava levar eu e meu irmão para vermos o céu estrelado em um ponto alto da cidade. Ficávamos horas olhando para as estrelas, ouvindo as histórias que meu pai contava, mesmo já sabendo que muitas vezes eram histórias repetidas ou inventadas. Ele dizia que as estrelas eram a coleção de luzes de Deus, e que durante toda a história do mundo, Deus havia juntado muitas e muitas estrelas para guardá- las dentro do céu de anil durante o dia, e à noite ele as exibia para os seres humanos. Ele também dizia que era impossível contarmos todas as estrelas, porque Deus sempre deixava algumas guardadas, as maiores e mais brilhantes, era por isso que não enxergávamos a lua ou o Cruzeiro do Sul às vezes.
Em 1984, o filósofo, historiador e professor polonês Pomian Krzysztof, em seu texto “Colecção” (Colecção. In: Enciclopédia Einaudi. V. 1), anota o primeiro conceito sobre coleção: “Qualquer conjunto de objetos naturais e artificiais, mantidos temporariamente fora do circuito das atividades econômicas, sujeitos à uma proteção especial, num local fechado e preparado para este fim, e expostos ao olhar público.” (Página 53). Para o meu pai, as estrelas pertenciam a Deus, que as guardava dentro do céu azul do dia, e às mostrava, no breu do céu à noite, para nós, reles mortais. E esse era um modo dele se relacionar com os homens. As estrelas eram o objeto de Deus, com significados infinitos dados pelos humanos. Meu pai, o observador, e Deus, o proprietário dessa coleção. Quanto mais eu olhava as estrelas, mais significados eu dava à elas, e toda noite eu escolhia uma delas e tentava observar a sua posição para ver se a encontrava no céu do dia posterior. Talvez o motivo das estrelas “sumirem” conforme eu ia crescendo, e a cidade crescia junto comigo, fosse este, dado por Pomian: Quanto mais significado é dado à um objeto, menos interesse tem a sua utilidade. Deve ser por isso que Deus guarda a maior parte das estrelas, demos significados demais à elas, que por sua vez se tornaram cada vez mais raras e valiosas. Fontes: POMIAN, Krzysztof. Colecção. In: Enciclopédia Einaudi. V. 1 (Memória-História).Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1984. p. 51-86 https://brechodesaberes.wordpress.com/2015/03/30/coleccao-krzysztof-pomian/
Coleções
Krzysztof Pomian, nascido em 1934, é um historiador e filosofo polonês. Imigrou para a França nos anos 1970 quando se opôs ao regime comunista vigente na Polônia no período. Na França, fez carreira no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), ensinou na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) e na École du Louvre. Como historiador dedicou-se à história da cultura europeia, à história das coleções e dos museus. Em 1984, foi convidado pela Enciclopédia Einaudi (Portugal) a escrever sobre o verbete Colecção. O resultado é um dos textos mais importantes acerca do estudo das coleções.
Para Pomian, um grupo de objetos se torna uma coleção quando: são mantidos temporária ou definitivamente fora do circuito das atividades econômicas, estão protegidos em um lugar preparado para esse fim e expostos ao olhar do público
A função das coleções é permitir aos objetos que as compõem desempenhar o papel de mediadores entre os espectadores e o mundo invisível.
[...] exactamente por causa da função que lhes é atribuída – função que consiste em assegurar a comunicação entre os dois mundos nos quais se cinde o universo –, os objectos são mantidos fora do circuito das actividades económicas. Mas ver-se-á também que, exactamente por causa da sua função, são considerados objetos preciosos, e que portanto sempre se tentou reintroduzi-los neste circuito para trocá-los por valores de uso, por coisas; por este motivo devem ser submetidos a uma protecção especial. Constata-se então que os objectos não podem assegurar a comunicação entre os dois mundos sem serem expostos ao olhar dos seus respectivos habitantes. Só se esta condição for satisfeita é que se tornam intermediários entre aqueles que olham e o mundo que representam (POMIAN, 1984, p. 66)
Surge então uma divisão no interior do visível, a segregação entre coisa, os objetos úteis, e semióforo, objetos que não têm utilidade (portanto não são coisas), mas que representam o invisível e, assim, são dotados de significado
Assim, objetos podem:
– Possuir utilidade, mas não significado. (ex. Quaisquer objetos utilizados no dia-a-dia, como mesas, cadernos etc.) – SEMIÓFARO: Possuir significado. (ex. Objetos musealizados) – Ter utilidade e ser semiófaro. (Dar significado as coisas as torna semióforos, não importa qual objeto; ex. Cadeiras utilizadas por figuras importantes colocadas em praças para uso público)
Então chega-se à conclusão que:
Quanto mais utilidade um objeto possui, menos significado
Quanto menos utilidade um objeto possui, mais significado
Esta significação pressupõe um observador, já que de acordo com Pomian “o olhar”, e também a linguagem, atribui significado.
O olhar assegura a relação entre o invisível e o visível e, como objetos representam, estes remetem o observador a outros objetos, sentimentos, lugares, etc.
Pode-se concluir a partir disso, que o Museu cria narrativas mas é o sujeito que dará sua própria interpretação.
Referências:
POMIAN, Krzysztof. Colecção. In: Enciclopédia Einaudi. V. 1 (Memória-História).Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1984. p. 51-86.
Coleção
Quem nunca teve uma coleção de algo, ao longo da vida? Quando eu era mais nova tinha coleção das bonecas Fofoletes, eu amava elas e até hoje elas têm um grande significado pra mim. As pessoas colecionam diversas coisas, como: cartas, cartões de telefone, moedas, brinquedos, artefatos entre outros. O mais interessante é que esse hábito nos acompanha a muito mais tempo do que imaginamos! Na aula do dia 24/03 realizamos a leitura do texto “Colecção” de Krzysztof Pomian que aborda diversos aspectos que cercam o hábito da coleção e os seus significados para pessoas/grupos/civilizações. Um dos aspectos interessantes sobre as antigas coleções é que elas eram tão valiosas e significativas que eram levadas pelos seus donos até mesmo em suas sepulturas.
As coleções são conjuntos de objetos que são retirados (permanentemente ou não) do seu contexto econômico e são expostas ao olhar. Tais objetos não se acumulavam apenas em templos e sepulturas, mas também nas casas de quem tinha o poder, antigamente.
Na linha do pensamento da significativa de tais coleções e sua importância, um tópico importante de estudo é o objeto semiófero. Mas o que é semiófero? Semiófero é aquele objeto que deixa de ter sua função original sendo como sua principal e o significado ganha mais destaque que a sua função inicial, sua representação. Um exemplo didático para entender são as bandeiras. A bandeira é um objeto PRESENTE e MATERIAL, VISÍVEL. A bandeira de um país representa um PAÍS, uma CULTURA, que é INVISÍVEL aos olhos, se tornando AUSENTE. A bandeira carrega um significado imensurável para uma nação, REPRESENTANDO-A. Interessante, não? O texto apresenta diversos aspectos para introduzir um estudo tão importante como as coleções, que através delas futuramente dará origem aos museus! Beijos, Isis!
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