VOCÊ SABE O QUE É “TELEMEDICINA”? - UM QUESTIONAMENTO
Hoje vim falar sobre Telemedicina, e usando poucas palavras… A telemedicina é classificada como uma área da “telessaúde”, é um serviço médico disponibilizado à distância utilizando de tecnologias digitais e assistência médica online. Até que pontos iremos? Quando ela deixa de ser uma assistência e um auxílio para a medicina tradicional? Aprimorar ou substituir?
Resolvi falar sobre esse assunto, pois agora, em pandemia, foi a primeira vez que presenciei alguém da minha casa sendo “consultado” virtualmente, tudo bem, era apenas uma leitura de exame e conversa sobre futuros procedimentos mas ainda assim, nunca tinha vivenciado algo do tipo. No começo pensei “Que bom! Não vai precisar ir até o consultório para resolver isso… Ainda mais se expondo ao vírus.” Um pensamento genuíno e sincero, é sim uma forma de facilitar a vida, cumprir horários e possivelmente não lotar os hospitais. Mas bastou poucos minutos de pesquisa para encontrar cirurgias e robôs…
Encontrei artigos e notícias sobre cirurgias à distância em lugares diferentes do mundo, e pelo que compreendi até o momento, elas são parcialmente monitoradas mas o médico especialista não está presente. Há alguns benefícios como não precisar viajar atrás de uma cirurgia muito específica por profissionais renomados na área, e não podemos deixar de pensar em nossa situação atual com o vírus e como esse tratamento distante pode ser essencial em momentos difíceis… Além disso, é necessário compreender como muitas coisas que envolvem tecnologias podem ultrapassar o limite da ética facilmente, tornando mais fácil o acesso aos registros médicos de algum paciente em específico.
Pensando em Brasil, é um bom trabalho para agilizar atendimentos mais rápidos e menos profundos no dia a dia, entretanto, vale pontuar o custo e o preço e a presença mais forte em grandes centros… Até que ponto isso serviria e seria tão bacana assim para nossa população? Não consigo pensar de modo tão positivo encarando a realidade…
Por coincidência, dias desses estava assistindo o “Sons, amigos, palavras” que o Gil apresenta no Canal Brasil e assisti o com o Drauzio Varella, indiretamente, à partir do minuto 15:20, ele comenta sobre a evolução da medicina nesse sentido de máquinas, e traz uma crítica e visão mais humana da mesma em um contraponto gentil e que vale a pena pensar sobre.
“Medicina é uma medição que se faz com as mãos. Eu não consigo entender outro tipo de medicina... essa que você fica distante da pessoa, olhando nas telas de computador o resultado dos exames, as imagens… tudo. Mas não é a verdadeira medicina, a verdadeira medicina tem que ter o toque, o médico tem que te tocar porque através do toque que você estabelece a empatia com aquela pessoa…”
“O inconveniente dessa tecnologia, que nos ajuda muito, que é fundamental, é a gente deslocar o centro da atenção do paciente pro equipamento e pras imagens. Esse é o problema, porque aí você perde em contato em primeiro lugar, em segundo lugar, você encarece muito o tratamento. E quanto mais você encarece o tratamento, menos a medicina chega nas pessoas mais necessitadas.”
Para assistir, clique aqui.
Há sempre questionamentos que podem ser levantados, um dos mais comuns seria “A telemedicina vai substituir o atendimento presencial?”, honestamente, não acredito nessa narrativa. Mudanças podem ocorrer no mundo e fazer com que outras formas possam ser aplicadas mas um médico é quase como um professor, e ironicamente, a pergunta é a mesma referente ao que é substituível no fim das contas. No agora que estamos vivenciando, um agora de pandemia, de estarmos trancafiados em casa e vendo todo mundo através de uma tela, posso afirmar que: há benefícios e há severas perdas também, uma substituição positiva só poderá ocorrer quando os benefícios suprirem as perdas em quase totalidade, ao contrário, não é uma troca tão justa assim. E além disso, a cada dia mais consigo perceber como somos seres que precisam uns dos outros, somos animais nesse sentido, podemos viver sozinhos e talvez alcançaremos grandes coisas e conquistas para o mundo nessa caminhada mas quando vamos juntos, é perceptível o quão mais longe somos capazes de alcançar, é o clichê do “Sozinho você vai mais rápido mas em grupo você vai mais longe”. E ainda mais quando estamos falando do contexto saúde, sem saúde não somos lá muita coisa mesmo… É um questionamento a ser levantado? Sim, mas não me parece viável para todos os casos, e sinto que muita coisa que justificamos como “facilidade” da vida moderna pode acabar acumulando em coisas que não necessariamente precisavam ser facilitadas no sentido de conserto, e isso me dá medo de onde pararemos quando estivermos tudo em nossas mãos. Um final meio Wall-E de que se tem tudo mas ao mesmo tempo, não tem mais nada, pois nada sobrou.