Todos nós temos histórias emocionantes, que guardamos no fundo do nosso coração, é normal e humano. Entretanto, isso não significa que essas histórias sejam felizes, cheias de momentos de plena compreensão, entendimento ou certezas no momento em que ocorreram. À parte isso, seres humanos buscam por entendimento, conexões são o que eu acredito que nos torna únicos e nos difere em tantas camadas do que é ser. E a cada dia que passa, percebo que só podemos ser quando há o outro, o outro é muitas vezes o nosso parâmetro, o nosso ponto de referência de um entendimento mais pleno do que somos, um farol.
Nossas histórias e todas as narrativas que consumimos ao longo da vida nos trazem uma certeza maior do que somos, ou ao menos, nos colocam num local de silêncio quase completo e empatia como nenhum outro é capaz de fazer. Quando ouvimos uma história de outro local, nosso cérebro se livra da pressão de precisar pensar no que é necessário responder e só escuta, somos capazes de abrir um portal no nosso coração para que caiba um tiquinho do coração do outro.
Pensando nisso, e em tudo que acredito nesses poucos anos de vida até aqui, desenvolvi conceitualmente o ACALANTO.
ACALANTO significa, na maior parte do tempo, um ato de carinho, uma forma de ninar crianças cantando para que as mesmas durmam. Muitas dessas canções nos contam uma narrativa que nos embalavam até dormirmos. À parte tudo isso, muitas vezes é comum qualificarmos algo como um “acalanto no coração” ou um “acalanto na alma” para expressar o quanto fomos tocados emocionalmente por aquilo ou como nos trouxe uma marca positiva e calma para dentro de nós. Aqui, todos esses significados se complementam para que façam sentido e constituam essa experiência, além de, claro, ser uma das minhas palavras favoritas do português.
ACALANTO consiste em uma instalação, no qual é possível ter acesso às histórias de outras pessoas, aquelas que você mesmo escolher no painel. Todas essas histórias foram gravadas e “medidas” com sensores de voz, batimentos cardíacos e um eletroencefalograma para medir a atividade elétrica do cérebro e ficar mais visível ainda as emoções. As pessoas que visitarem essa instalação terão acesso à todos esses mecanismos também, e ouvirão as histórias sendo medidas, após isso, os dados serão computados e comparados, gerando uma espécie de representação gráfica de por onde passou o lado emocional de ambas as pessoas, uma forma “física” de nos mostrar o que é invisível ou difícil de dizer.
*(A ideia é dividir em três parede fechadas por uma parede, sendo a do meio a mais essencial e importante, onde os dados serão coletados e onde a pessoa ouvirá a outra história. Desde o princípio é avisado que a pessoa pode esboçar reações falando ou entrar em dupla, por isso, também é importante ter o sensor de voz conectado. E a primeira parte é apenas uma tela com nomes e o nome da história que foi decidida contar sobre.)*
Mas qual serão as histórias? As histórias serão livres e os nomes estarão nas telas. Todas as pessoas que toparam contar suas histórias antes da exposição ser feita, contaram histórias distintas baseadas no seguinte comando: ”Conte a história mais emocionante da sua vida. Emocionante aqui vai além de feliz ou triste, vai ver foi só um simples momento que lhe causou grande emoção e não conseguiu expressar mas hoje entende. Emoção é sempre válida e normalmente, nos direciona para onde queremos ir ou nos dão uma luz do que está certo ou errado, dependendo de sua tradução. Fique à vontade!”
*(A cor branca é o reflexo e estudo dos dados coletados pela pessoa que contava a história, os coloridos são os analisados pela pessoa que estava ouvindo e as linhas conflitam para expressar onde eles se encontram e onde se distanciam com alguns sentimentos expressados em palavras abaixo que podem ser alterados, apenas para expressar melhor visualmente e fazer mais sentido)*
Esse é o ACALANTO, um contador de histórias e medidor de emoções, um formato que não necessita de sentido e sim, de coração.
Após as pesquisas da última aula, cheguei a um conceito que muito me agrada. A ideia é brincar com os sincronismos que existem entre as emoções que são compartilhadas quando ouvimos as histórias/narrativas de outras pessoas. Por isso, pensei em desenvolver uma instalação/experiência que terá como função medir as emoções.
A ideia inicial é mais ou menos assim:
Primeira parte: iríamos coletar histórias sobre alguma determinada narrativa (“que tipo de histórias?”), medindo frequência cardíaca através de sensores, utilizando sensores de voz também.
Segunda parte: no local da instalação haverá uma tela onde a pessoa irá poder selecionar o nome e a história de quem ela quer ouvir, assim ela se sentará por perto, colocará os fones de ouvido e o ambiente vai mudando de cor ligado com a emoção da história que está sendo contada
Terceira parte: na parte final, a pessoa que está na instalação ouvindo as histórias também estará conectada aos mesmos sensores que foi utilizado por quem contar a história. O objetivo aqui é perceber que o que sente lá, sente aqui.
Parte final: coletar e comparar ambos os dados e devolver com uma explicação (pensando em uma coisa mais abstrata com significados), acho que precisa de programação em si essa parte mas gerar uma espécie de resultado gráfico para que a pessoa pode levar de volta e perceber o que sentiram em comum e o que foi sentido novo, para que lado foram levados.
Há muito que finalizar e aprimorar, desde o nome, até decidir se haverá algum tipo de histórias que será pedido ou se diremos emoção no geral, além de especificar o local, e como seria cada uma das etapas. Mas isso vem no próximo post e consequentemente, o final.
Buscando algo para desenvolver esse trabalho mais conceitual para a G2, voltei às pesquisas do começo e o que mais me encantou e me encanta no mundo sensorial de forma geral. É indescritível como gosto de narrativas a vida inteira, histórias em geral, principalmente quando são reais e trazem algum tipo de emoção… Pensando nisso e como fazer algo relacionado aos sentidos que não ficasse apenas na visão e audição, fui atrás de alguns exemplos do que já existe por aí.
THE LOVE PROJECT, Guto Requena.
O primeiro e clássico nesse blog é o Guto Requena, sinto que já falei mais sobre ele por aqui do que deveria, entretanto, o Guto já desenvolveu um projeto chamado LOVE PROJECT, onde histórias de amor eram transformadas em objetos 3D, como luminárias, bowls e vasos. Tudo isso utilizando sensores de voz, frequência cerebral e batimentos cardíacos. Para saber mais sobre esse projeto, clique aqui.
Empatias Mapeadas, Guto Requena
Outro trabalho do Guto que propõe a interação entre as pessoas e uma instalação é o Empatias Mapeadas, que consiste em um projeto experimental, no qual as pessoas se sentam na estrutura e conversam normalmente, são pessoas que não se conhecem que param por ali. E como funciona? Segundo o próprio site do Requena,
“Os corações do público são gravados em tempo real no tocar do dedo via sensores instalados nos bancos. Os dados vitais são enviados para microfones e luzes que transformam a arquitetura em uma imensa escultura de emoções. O batimento cardíaco individual pode ser escutado, músicas são geradas por um software que intercala os sons e transforma todos os batimentos em uma sinfonia dirigida pelo pulso da vida. “
Para saber mais, clique aqui.
Nós: O amanhã acontecendo agora.
Por último, encontrei o Nós: O amanhã acontecendo agora, que rolou no Museu do Amanhã, tendo como inspiração as ocas indígenas, local imprescindível para a propagação da cultura deles, essa instalação traz por objetivo a compreensão do outro, de si e do local que vivemos, já que propõe uma forma de interação. Também é utilizado sensores para o desenvolvimento desse projeto. Quer saber mais? Clique aqui.
Por fim, acho que ficou meio óbvio que quero utilizar da tecnologia de sensores e estou cogitando alguma instalação… Ainda não tenho uma ideia certa do que quero mas meu objetivo no momento é misturar essas tecnologias com histórias, narrativas de outras pessoas (ainda não decidi que emoção quero nessas histórias: se momentos tristes, felizes, de mudança, de pertencimento, de esperança ou se qualquer emoção será válida).
VOCÊ SABE O QUE É “TELEMEDICINA”? - UM QUESTIONAMENTO
Hoje vim falar sobre Telemedicina, e usando poucas palavras… A telemedicina é classificada como uma área da “telessaúde”, é um serviço médico disponibilizado à distância utilizando de tecnologias digitais e assistência médica online. Até que pontos iremos? Quando ela deixa de ser uma assistência e um auxílio para a medicina tradicional? Aprimorar ou substituir?
Resolvi falar sobre esse assunto, pois agora, em pandemia, foi a primeira vez que presenciei alguém da minha casa sendo “consultado” virtualmente, tudo bem, era apenas uma leitura de exame e conversa sobre futuros procedimentos mas ainda assim, nunca tinha vivenciado algo do tipo. No começo pensei “Que bom! Não vai precisar ir até o consultório para resolver isso… Ainda mais se expondo ao vírus.” Um pensamento genuíno e sincero, é sim uma forma de facilitar a vida, cumprir horários e possivelmente não lotar os hospitais. Mas bastou poucos minutos de pesquisa para encontrar cirurgias e robôs…
Encontrei artigos e notícias sobre cirurgias à distância em lugares diferentes do mundo, e pelo que compreendi até o momento, elas são parcialmente monitoradas mas o médico especialista não está presente. Há alguns benefícios como não precisar viajar atrás de uma cirurgia muito específica por profissionais renomados na área, e não podemos deixar de pensar em nossa situação atual com o vírus e como esse tratamento distante pode ser essencial em momentos difíceis… Além disso, é necessário compreender como muitas coisas que envolvem tecnologias podem ultrapassar o limite da ética facilmente, tornando mais fácil o acesso aos registros médicos de algum paciente em específico.
Pensando em Brasil, é um bom trabalho para agilizar atendimentos mais rápidos e menos profundos no dia a dia, entretanto, vale pontuar o custo e o preço e a presença mais forte em grandes centros… Até que ponto isso serviria e seria tão bacana assim para nossa população? Não consigo pensar de modo tão positivo encarando a realidade…
Por coincidência, dias desses estava assistindo o “Sons, amigos, palavras” que o Gil apresenta no Canal Brasil e assisti o com o Drauzio Varella, indiretamente, à partir do minuto 15:20, ele comenta sobre a evolução da medicina nesse sentido de máquinas, e traz uma crítica e visão mais humana da mesma em um contraponto gentil e que vale a pena pensar sobre.
“Medicina é uma medição que se faz com as mãos. Eu não consigo entender outro tipo de medicina... essa que você fica distante da pessoa, olhando nas telas de computador o resultado dos exames, as imagens… tudo. Mas não é a verdadeira medicina, a verdadeira medicina tem que ter o toque, o médico tem que te tocar porque através do toque que você estabelece a empatia com aquela pessoa…”
“O inconveniente dessa tecnologia, que nos ajuda muito, que é fundamental, é a gente deslocar o centro da atenção do paciente pro equipamento e pras imagens. Esse é o problema, porque aí você perde em contato em primeiro lugar, em segundo lugar, você encarece muito o tratamento. E quanto mais você encarece o tratamento, menos a medicina chega nas pessoas mais necessitadas.”
Para assistir, clique aqui.
Há sempre questionamentos que podem ser levantados, um dos mais comuns seria “A telemedicina vai substituir o atendimento presencial?”, honestamente, não acredito nessa narrativa. Mudanças podem ocorrer no mundo e fazer com que outras formas possam ser aplicadas mas um médico é quase como um professor, e ironicamente, a pergunta é a mesma referente ao que é substituível no fim das contas. No agora que estamos vivenciando, um agora de pandemia, de estarmos trancafiados em casa e vendo todo mundo através de uma tela, posso afirmar que: há benefícios e há severas perdas também, uma substituição positiva só poderá ocorrer quando os benefícios suprirem as perdas em quase totalidade, ao contrário, não é uma troca tão justa assim. E além disso, a cada dia mais consigo perceber como somos seres que precisam uns dos outros, somos animais nesse sentido, podemos viver sozinhos e talvez alcançaremos grandes coisas e conquistas para o mundo nessa caminhada mas quando vamos juntos, é perceptível o quão mais longe somos capazes de alcançar, é o clichê do “Sozinho você vai mais rápido mas em grupo você vai mais longe”. E ainda mais quando estamos falando do contexto saúde, sem saúde não somos lá muita coisa mesmo… É um questionamento a ser levantado? Sim, mas não me parece viável para todos os casos, e sinto que muita coisa que justificamos como “facilidade” da vida moderna pode acabar acumulando em coisas que não necessariamente precisavam ser facilitadas no sentido de conserto, e isso me dá medo de onde pararemos quando estivermos tudo em nossas mãos. Um final meio Wall-E de que se tem tudo mas ao mesmo tempo, não tem mais nada, pois nada sobrou.
Como disse no post anterior, para a G1 estava em busca de algum projeto que fosse imersivo e mexesse, de alguma maneira, com nosso sentimentos...
Uma das pessoas que sigo e acompanho é o arquiteto e designer brasileiro Guto Requena, em vários projetos ele mostra grande sensibilidade perante às mais diversas causas e, além disso, sempre procura por alguma pontinha de inovação, ver os vídeos e seus trabalhos em equipe, seguido dos depoimentos sempre me deixa emocionada e acima de tudo, curiosa com a quantidade de coisas positivas que podemos fazer e proporcionar para as pessoas.
Então, mantive a minha escolha de projeto: falarei sobre o Emotional Stimulus, e mesmo que no último post eu já tenha feito como se fosse a G1 e algumas passagens estarem repetidas (como a explicação e afins), acrescentei algumas informações e minha opinião sobre como os sentidos são colocados nessa instalação pelos feedbacks que recebi na aula.
FUNCIONAMENTO
O projeto EMOTIONAL STIMULUS funciona da seguinte maneira: seis pessoas são convidadas e sentam formando um círculo em uma mesa, na qual são plugadas em módulos tecnológicos: uma cadeira, um sensor de ondas cerebrais, um sensor de batimentos cardíacos e um fone de ouvido.
Segundo o autor, Guto Requena:
“Juntas formam um círculo, uma espécie de circuito-humano perfeito, muito valorizado por antigas civilizações ao redor do mundo. O círculo é símbolo puro, perfeito. Sugere igualdade, integração e conexão. A experiência ao redor do círculo permite que todos se vejam, olho no olho, sem hierarquias ou diferenciações.”
Após todos estarem acomodados na mesa, os convidados passam por uma experiência imersiva audiovisual, envolvendo dois sentidos mais que os outros: a audição e a visão, entretanto, levemente envolve o tato por estarem sentados em uma cadeira e com os dedos presos em um sensor. De qualquer forma, esse sentido não é tão explorado quanto os outros dois.
A coisa começa a ficar mais divertida e interessante quando os dados de cada um começam a ser coletados e transferidos para a mesa em forma de respostas gráficas e sonoras, que são formadas com base nos batimentos cardíacos, pulsações e emoções de cada um. Assistindo ao vídeo é possível notar que, algumas vezes, as cores e modelos gráficos saem parecidas entre alguns participantes, e como o objetivo é conectar e mostrar que todo mundo tá sentindo algo, fica ainda mais acolhedor perceber que o que as pessoas ali estão sentido é algo similar e em conjunto mesmo.
“Trata-se de uma instalação imersiva interativa que convida os visitantes a se conectarem consigo e com outras pessoas para refletirem sobre a qualidade das nossas conexões, trocas e afetos com as pessoas e a cidade que habitamos. A instalação busca impactar o público sobre os efeitos que as emoções têm em nosso corpo e em nosso cérebro, o único e grande ser coletivo e social que somos.” - Guto Requena, em seu site.
OPINIÃO FINAL
Creio que seu objetivo sido alcançado com sucesso, pois pelos vídeos e fotos é possível observar as pessoas extremamente conectadas com a mesa e se entreolhando em completo estado de admiração e perplexidade.
Entretanto, como primeira sugestão que obviamente essa instalação poderia ter durado mais e em outros locais, nunca participei de algo parecido, talvez em museus mais tecnológicos ou coisas do tipo.
E com certeza, acredito na possibilidade de explorar o olfato, não sei se que maneira, mas fazer com que a mesa também disponibilizasse algum cheiro, nem que fosse de clichês como coisas que todo mundo conhece, pois assim que sentissem o cheiro, suas emoções e batimentos seriam indicados também na mesa… Imagina que incrível seria um cheiro muito conhecido por carregar diferentes significados para as pessoas, como uma comida ou o clássico cheiro de chuva (a terra molhada)? Certeza que seria ainda mais interessante e impactante, pois poderia despertar emoções de um outro jeito. Nosso olfato é muito importante para nossa memória afetiva, que é responsável por nos levar de volta à lugares/pessoas/situações que um dia nos deixaram uma marca incapaz de esquecer.
Por fim, o que mais retirei de positivo desse trabalho foi perceber como os nossos sentidos podem ser explorados através dos sensores e proporcionar mudanças boas e positivas na vida das pessoas, o design como uma funcionalidade cheia de propósito, querendo proporcionar novas experiências e utilizando de algo que temos o tempo inteiro e não é tão potencializado: os outros sentidos para além da visão. Como fazer isso? É possível observar em projetos como esse, de maneira criativa e pensando o mais fora da caixa possível…
(PS: para finalizar: há estudos e até alguns “narizes” que já foram criados para disponibilizar cheiro, além de outros projetos mas a maioria não vinga, pensar no motivo também pode abrir portas para entendermos e potencializar o olfato nessas experiências, já que esse sentido é tão importante na nossa memória e no dia a dia… Mas fica a reflexão para outro dia!)
Para assistir o vídeo dessa instalação, clique aqui.
GUTO REQUENA: EMOTIONAL STIMULUS, LIGHT CREATURE & THE YEAR
Quando estava procurando por algum projeto para essa avaliação, pensei logo na ideia de imersão e queria algo que envolvesse nossos sentimentos já que na imersão a gente se sente completamente absorvido por algo através dos sentidos e normalmente, da grande imensidão que estamos encarando no momento.
Uma das pessoas que sigo e acompanho é o arquiteto e designer brasileiro Guto Requena, em vários projetos ele mostra grande sensibilidade perante às mais diversas causas, e além disso, sempre procura por alguma pontinha de inovação, ver os vídeos e seus trabalhos em equipe, seguido dos depoimentos sempre me deixa emocionada e acima de tudo, curiosa com a quantidade de coisas positivas que podemos fazer e proporcionar para as pessoas.
Pensando nisso, encontrei diversos projetos mas até o momento esse foi o que mais me chamou atenção em termos de G1.
O projeto chama EMOTIONAL STIMULUS, e funciona da seguinte maneira: seis pessoas são convidadas e sentam em uma mesa, na qual são plugadas em módulos tecnológicos: uma cadeira, um sensor de ondas cerebrais, um sensor de batimentos cardíacos e um fone de ouvido.
Após todos estarem acomodados na mesa, os convidados passam por uma experiência imersiva audiovisual, pois envolve dois sentidos mais que os outros: a audição e a visão, entretanto, levemente envolve o tato por estarem sentados em uma cadeira e com os dedos presos em um sensor, de qualquer forma, esse sentido não é tão explorado quanto os outros dois.
A coisa começa a ficar mais divertida e interessante quando os dados de cada um começam a ser coletados e são transferidos para a mesa em forma de respostas gráficas e sonoras, que são formadas com base nos batimentos cardíacos, pulsações e emoções de cada um. Assistindo ao vídeo é possível notar que algumas vezes, as cores e modelos gráficos saem parecidas entre alguns participantes, e como o objetivo é conectar e mostrar que todo mundo tá sentindo algo, fica ainda mais acolhedor perceber que é algo similar ao que você também está sentindo.
Guto, em seu site, diz que a instalação tem por objetivo:
“Trata-se de uma instalação imersiva interativa que convida os visitantes a se conectarem consigo e com outras pessoas para refletirem sobre a qualidade das nossas conexões, trocas e afetos com as pessoas e a cidade que habitamos. A instalação busca impactar o público sobre os efeitos que as emoções têm em nosso corpo e em nosso cérebro, o único e grande ser coletivo e social que somos.”
LIGHT CREATURE
Pesquisando outros projetos imersivos e ligados aos sensores dentro do próprio site do Requena, encontrei outro que possui princípios parecidos (sensores estão presentes em quase todos os seus trabalhos) de uma maneira um tanto quanto diferente do projeto acima, o primeiro chama Light Creature, e consiste no conceito de cidade hackeada e como ocupar os espaços que são nossos por direito, transformando em locais mais positivos.
Nesse projeto, os sensores são instalados na fachada de um prédio, onde ocorre a instalação, aqui, eles servem para coletar os sons e também para captar a qualidade do ar! O resultado sai em formatos de cores e movimentos, e obviamente as cores têm significados para que seja possível saber qual a qualidade do ar naquele momento na capital paulista.
THE YEAR
Outro projeto interessante de mesma autoria, chama-se The Year e envolve sensores para detectar o calor e os movimentos em um galpão onde o DJ tem o controle tem o controle através da instalação pelos LEDs. Legal, né? Pelas fotos e pelo vídeo parece que as cores ficaram incríveis!
Por fim, apesar de todos esses três projetos, acho que é mais provável que eu fique com o Emotional Stimulus por ter me aprofundado mais e por envolver nossos sentimentos de maneira mais clara, traz essa conexão com o outro que eu estava buscando... Mas não posso confirmar ainda!
O texto “The world is not a desktop”, escrito por Mark Weiser, conhecido como o pai da Computação Ubíqua, lá em 2006 nos traz questionamentos perante as ferramentas que utilizamos, com o foco principalmente sendo os computadores, ele aborda pontos como invisibilidade, função, atratividade e nossa consciência.
Logo no princípio do texto, Mark afirma que “A good tool is an invisible tool” e traz como exemplo os óculos de grau, ou seja, uma ferramenta deveria ser útil acima de qualquer coisa mas não necessariamente vista ou percebida por quem usa, você foca na tarefa que ele exerce e não no objeto em si. Não tomamos consciência do uso de algo que não é tão invasivo, de certa forma, nos passa quase despercebido mas cumpre sua função perfeitamente. Seria isso a melhor ferramenta?
Esse trecho me remeteu levemente ao filme “As vantagens de ser invisível”, o assunto é longe e não tem nada a ver relativamente com o tema aqui debatido mas a história conta sobre a adolescência do Charlie e todos os problemas e coisas difíceis que ele teve que passar antes e durante o ensino médio. Em determinado momento, por ser quieto, estar sempre presente pelos amigos e guardar grandes segredos de muitas pessoas que ama, e consequentemente poder passar despercebido pela sua timidez, seu amigo Patrick fala: “You see things and you understand them… You are wallflower.” E mesmo com a tradução não sendo ao pé da letra, aqui ficou como “Você vê coisas e as compreende… Você é invisível”, mas não é invisível no sentido ruim, é invisível no sentido de compreender espaço, função e características. Talvez se ele fosse alguém um tiquinho diferente, não seria essencial àquele grupo de pessoas, que viram seus melhores amigos. (Fez sentido, né? Espero não ter viajado muito…)
Quando o autor nos diz que “Attractiveness is the opposite of invisible”, ele confirma o ponto já dito acima, atratividade é o oposto de invisível, e é óbvio que no design a estética tem lá sua importância, porém é fácil cair no limbo de muitas vezes optar por algo apenas por sua estética e não por sua usabilidade, esse é um exemplo comum do que acontece com muitos smartphones nos dias atuais (não é uma crítica ao iphone!) mas virou comum perceber pessoas comprando coisas apenas por questões ligadas à tal “beleza”, inclusive, não há nada mais banal do que ver produtos serem vendidos em propagandas com “new design” ou termos similares aparecendo, e por design nesses casos, eles querem dizer esteticamente agradável, bonito ou moderno, não pela usabilidade e função.
Além disso, após discutir sobre o quanto é preciso que o computador seja uma forma de TV, Weiser nos conta como não é necessário que os computadores passem a agir como um ser humano, até porque isso exclui todos os nossos momentos de ambiguidade, indecisões, escolhas erradas e falhas, nos remetendo à uma busca por perfeição que nunca é possível de ser alcançada.
O autor também cita pontos como a mágica, funcionando aqui como uma espécie de imediatismo para as soluções, ignorando os detalhes que são tão importantes para o ser humano de maneira geral. E cita exemplos de coisas que, de certa forma, falham no quesito funcionalidade como a realidade virtual e o controle de voz.
Por fim, ele fecha o texto com uma analogia perfeita sobre a infância, o que também remete ao conceito de Computação Ubíqua que ele tanto fala, nossos aparelhos estariam conectados e funcionando tão bem que a gente mal perceberia.
Talvez seja mesmo importante que nossos computadores sejam como nossa infância, é invisível, a gente mal lembra mas em momentos em que algo nos remete à esse tempo, sempre capturamos algo que existiu num passado, mesmo que de forma inconsciente… Muitas vezes na psicologia, o que é considerado “primeira infância” tem um valor extremamente grande e importante para entendermos certos comportamentos, os resquícios do que acontece ali carregamos para a vida toda, mesmo que a gente não perceba com tanta clareza. É esquecível, a gente não pensa na nossa infância o tempo inteiro mas ela está presente durante todo o nosso tempo.
“Invisible technology needs a metaphor that reminds us of the value of invisibility, but does not make it visible. I propose childhood: playful, a building of foundations, constant learning, a bit mysterious and quickly forgotten by adults. Our computers should be like our childhood: an invisible foundation that is quickly forgotten but always with us, and effortlessly used throughout our lives.”
Nossos cinco sentidos são responsáveis por nos dar uma maior sensação de mundo e nos proporcionar as mais diversas sensações e emoções. É muito comum lembrarmos o cheiro de algum lugar que íamos quando éramos mais novos, o cheiro da comida da vó ou o clássico cheiro de terra molhada que a chuva proporciona… Músicas que despertam sentimentos, pensamentos e às vezes até sensações mais físicas... Quando vestimos uma roupa quentinha em um dia frio ou quando deitamos em uma cama fofa… Aquele momento incrível quando comemos nossa comida favorita, ou quando experimentamos pela primeira vez alguma bebida/comida que, a partir daquele momento, será nossa favorita também… E até mesmo quando vemos alguma obra de arte ou qualquer outra grandeza que nos faça olhar e refletir sobre como ainda há beleza e coisas a serem vistas no mundo.
Todas as coisas citadas são transmitidas e sentidas por nós através dos nossos cinco sentidos. Então, por que o design não pode ser capaz de transmitir outras sensações e explorar novos caminhos além do campo visual? Sei que a comunicação visual é inerente ao design por muitos motivos, incluindo a estética e a mensagem que queremos passar, mas sei também que a estética por si só (o que sinto que é o foco da maioria das pessoas, independente do produto/serviço ser relevante) não é design. Ou ao menos, não é como EU vejo o design… Mas isso é discussão para outra hora. Aqui vamos explorar o design para os cinco sentidos.
Obviamente não fomos os primeiros a pensar nessa relação já que nada é tão vasto quanto o campo do design (exagerei mas é uma semi verdade), porém, se você procurar “Design e os cinco sentidos” ou algo similar no Google, um dos primeiros (se não, o primeiro) resultado será um TED Talk do Jinsop Lee sobre “Design para os 5 sentidos”, que é muito bom e já nos traz novas maneiras de pensar sobre o que estamos criando. Basicamente, ele nos conta sobre como quanto mais utilizamos os cinco sentidos, melhores, mais intensas e inesquecíveis as experiências podem ser e fala sobre como, nós, designers aproveitamos mal os outros sentidos e focados sempre mais na visão, e algumas vezes, no tato.
Procurando um pouco mais sobre o assunto e tentando pensar se alguma área que trabalha perto do design faz também esse tipo de estudo, caí em alguns links sobre “marketing sinestésico” e a ideia de base é a mesma: explorar os cinco sentidos da melhor maneira possível para conseguir vender mais um produto ou uma experiência… Descobri também que isso é muito comum em hotéis ou lugares que as pessoas se hospedam num geral como uma forma de tornar a experiência mais completa e, consequentemente, inesquecível. Isso vai de coisas simples como uma boa comida, excelentes lençóis até a escolha de uma playlist bem específica que fica tocando no fundo do hotel… A gente pode até pensar que essas coisas passam despercebidas por serem “pequenas” ou “simples” mas após sair de um local como esse, é mais comum que a gente se lembra de um prato específico, uma cama que quase nos abraça ou que música que a gente ouviu sem querer ou sem muito cuidado e atenção toque no rádio e nos leve de volta àquele lugar….
O fato é que os cinco sentidos nos ajudam a ter experiências mais completas, e quanto mais completas, mais inesquecíveis. Aqui só citei exemplos bons e que acontecem com todo mundo mas é uma nova forma de pensar e quem sabe fazer um gráfico, igual o Jinsop Lee fez para comprovar a teoria dos cinco sentidos e a certeza de que as melhores e mais inesquecíveis experiências da vida são aquelas que exploram cada vez mais os sentidos.