Dia 49: Sete voltas no ponteiro
Sete semanas desde que o meu mundo mudou de eixo. Se alguém tivesse me dito lá no primeiro dia — quando o peito parecia que ia rasgar de verdade e eu não conseguia segurar o copo sem tremer — que eu chegaria aqui inteiro, eu ia chamar o vivente de louco. Mas a verdade é que eu cheguei. Meio capangando, meio cinza, mas cheguei.
Hoje eu passei a limpo esses quarenta e nove dias e percebi que a dor mudou de formato, cara. Ela não é mais aquele soco na boca do estômago que me deixava sem ar no meio do expediente. Agora ela é uma presença silenciosa, tipo um vizinho barulhento que tu acabou se acostumando a ouvir através da parede. Eu sei que ela tá ali. Eu sei que o casamento dela tá marchando a passos largos. Eu sei que o "nós" virou arquivo morto.
Mas o que me pega no Dia 49 é o peso do "daqui pra frente". Sete semanas foi o tempo que o meu coração levou pra entender que o estrago é definitivo. Não tem volta, não tem milagre, não tem mensagem na madrugada dizendo que foi tudo um erro. O compasso quebrou e a música parou de tocar faz tempo. O que eu tô fazendo agora no Tumblr, com esses textos e esses poucos caras que me acompanham, é só tentar achar o ritmo dos meus próprios passos de novo.
Amanhã o calendário vira pros cinquenta dias. Meio século de deserto. É assustador pensar no tanto de estrada que ainda tem pela frente até fechar essa conta de trezentos e sessenta e cinco. Mas se eu aguentei sete semanas sem desabar do balcão, acho que aguento mais uma noite.
Desce aquela saideira caprichada, cara. Hoje a gente fecha mais um ciclo. Que o próximo venha com um pouco menos de vento contra.
















