Dia 59: O preço da liberdade
Sexta-feira à noite. O bar tá cheio, a gurizada tá na mesa ao lado rindo alto, combinando festa, planejando o final de semana e comemorando que o compromisso com o relógio acabou. Olhando de fora, eu sou igual a qualquer um deles: um cara jovem, solteiro, com o salário no bolso e o final de semana inteiro pela frente para fazer o que bem entender. Teoricamente, eu tenho a liberdade que muita gente inveja.
Mas a verdade, meu bruxo, é que essa liberdade forçada tem um preço alto demais.
Eu posso ir pra qualquer lugar, posso dormir a hora que quiser, posso puxar assunto com quem bem entender no balcão, mas a real é que eu não queria essa escolha. Essa autonomia toda só me lembra que eu fui deixado para trás. Ter o controle total do meu destino perde o sentido quando o destino que eu realmente queria construir foi cancelado sem o meu voto.
A gente passa a semana inteira desejando a sexta-feira pra descansar, mas quando ela chega, ela traz junto esse espaço vazio no banco do carona e os planos de sábado que agora não existem mais. A liberdade só é bonita quando é uma escolha tua; quando ela é o resultado de um abandono, ela tem muito mais cara de solidão. O meu compasso hoje ficou meio perdido no meio de tanta gente barulhenta celebrando o final de semana.
Desce mais uma dose daquela caprichada, meu. Hoje a gente bebe por essa liberdade que eu nunca pedi pra ter, mas que agora sou obrigado a carregar nas costas.












