Melhores shows de 2018
Texto: Leonardo Melo
Abaixo, os shows que mais agradaram a esse simples redator nesse ano. Ordenados por data de realização, são eles:
Phil Collins - "Not Dead Yet Live Tour" Estádio do Maracanã - Rio de Janeiro/RJ Data: 22/02/2018 Foto: Tuiki Borges/Midiorama
Após deixar para trás a aposentadoria, anunciada em 2011 e que durou até 2017, o eterno baterista e cantor do Genesis fez, finalmente, sua primeira turnê solo no Brasil - antes, ele veio com o grupo em 1977. Apesar da saúde debilitada (Collins entra no palco de bengala e permanece sentado durante todo o show), o músico britânico de 67 anos mostrou estar em dia com a marcante voz que já embalou gerações. É para se guardar na alma vê-lo apresentar grandes hits da lendária banda de rock progressivo, como "Throwing It All Away", "Follow You Follow Me" e "Invisible Touch", e, claro, também de sua carreira solo, como "Against All Odds (Take a Look at Me Now)", "Another Day in Paradise" - essas duas logo de cara na abertura do show - e "Sussudio". Tudo apoiado por uma bandaça com 15 integrantes, incluindo naipe de metais, backing vocals e músicos tarimbadíssimos como os veteranos Daryl Stuermer e Leland Sklar, além de seu filho, Nic Collins, de apenas 16 anos, na bateria, que mostrou que o talento musical ali corre nas veias. Resumindo em uma palavra: emocionante.
Depeche Mode - "Global Spirit Tour" Allianz Parque - São Paulo/SP Data: 27/03/2018 Foto: Edi Fortini
Foram necessários 24 anos para que a influente banda inglesa de synthpop e electro-rock, com pitadas dark, voltasse ao Brasil. Mas a espera valeu (e muito) a pena. Apesar da chuva que despencou na capital paulista, local da única apresentação no País e que encerrou a passagem pela América Latina, o vocalista Dave Gahan, o guitarrista e tecladista Martin Gore, e o tecladista Andy Fletcher entregaram uma performance para se anotar no caderninho. Divulgando o mais recente ábum, "Spirit" (2017), o trio - ao vivo encorpado pelo tecladista e baixista Peter Gordeno e o baterista Christian Eigner - apresentou músicas desse novo trabalho (o 14º de estúdio), como "Going Backwards", "Where's the Revolution" e "Cover Me", e sucessos atemporais da carreira, incluindo "Enjoy the Silence", "Personal Jesus" e "Strangelove" - esta em versão acústica com Martin nos vocais. A configuração do estádio em formato de anfiteatro, com apenas metade de seu espaço utilizado, tornou o show ainda mais vibrante.
Moonspell - "1755 Tour" Teatro Odisseia - Rio de Janeiro/RJ Data: 25/04/2018 Foto: Daniel Croce/Rockarama
Liderada pelo vocalista Fernando Ribeiro, a banda portuguesa de gothic metal fez sua estreia solo no Rio de Janeiro, após o elogiado show no palco Sunset do Rock in Rio, em 2015. E se alguém duvidou que eles pudessem se superar... A nova apresentação teve como base o ótimo álbum conceitual "1755", sobre o terremoto que assolou a cidade de Lísboa no ano retratado no título. Lançado no ano passado, o disco (12º de estúdio e o primeiro com letras inteiramente no idioma natal do grupo) forneceu oito de suas dez músicas ao repertório (incluindo o excelente cover para "Lanterna dos Afogados", dos Paralamas do Sucesso). A performance ainda contou com trocas de roupas e a utilização de elementos cênicos (máscara, cruz e lamparina) por parte do frontman, além de uma caprichada iluminação, que conferiram ao show um interessantíssimo ar teatral, mesmo em um palco de pequenas dimensões, como o do Odisseia.
Ozzy Osbourne - "No More Tours 2" Jeunesse Arena - Rio de Janeiro/RJ Data: 20/05/2018 Foto: Frederico Cruz
Menos de dois anos após o derradeiro show do Black Sabbath, foi a vez de Ozzy Osbourne também embarcar em sua "Farewell Tour". Dizer que o Madman, que recentemente completou 70 anos, é uma figuraça, um dos maiores nomes da história do heavy metal e da música em todos os tempos, é chover no molhado. Por falar em água, não rolou banho de mangueira e de balde jogado no público e sobre si mesmo, como de outras vezes em que o cantor inglês aqui esteve. Nem tampouco, mordida no morcego (de borracha, que fique bem claro). Mas seu carisma e clássicos de sua carreira solo, a exemplo de "Bark at the Moon", "Mr. Crowley" e "Crazy Train", assim como do próprio Sabbath, incluindo "Fairies Wear Boots", "War Pigs" e "Paranoid", não têm como serem limados do setlist. E para as apresentações dessa anunciada última grande turnê mundial, Ozzy conta com a volta de seu cultuado e mais longevo guitarrista, Zakk Wylde.
Carl Palmer's ELP Legacy - "Emerson Lake & Palmer Lives On!" Vivo Rio - Rio de Janeiro/RJ Data: 25/05/2018 Foto: Daniel Croce/Rockarama
Aos 68 anos, o baterista inglês voltou ao Brasil com uma turnê em homenagem aos igualmente geniais, Keith Emerson (teclados) e Greg Lake (baixo e vocais), seus ex-companheiros no lendário ELP, ambos falecidos em 2016. Acompanhado pelos jovens talentosos e não menos virtuoses Paul Bielatowicz (guitarra) e Simon Fitzpatrick (baixo e Chapman Stick), Carl Palmer deu um show de técnica e precisão ao reproduzir clássicos de um dos maiores grupos de rock progressivo em todas as épocas, como "From the Beginning", "Lucky Man" e "C'est la vie". E também de simpatia, ao contar histórias sobre a icônica banda formada nos anos 1970 e sua carreira. O que dizer de seu hipnotizante número solo, de quase dez minutos de duração, em que até as baquetas são utilizadas para se tirar som? A apresentação ainda contou com participações especiais dos cantores Ritchie (do hit oitentista "Menina Veneno"), Sérgio Vid (do Vid & Sangue Azul) e Toni Platão (ex-Hojerizah).
Roger Waters - "Us + Them Tour" Estádio do Maracanã - Rio de Janeiro/RJ Data: 24/10/2018 Foto: Frederico Cruz
Em sua quarta visita ao Brasil, o mítico ex-baixista do Pink Floyd trouxe sua mais nova e grandiosa turnê, em meio ao turbilhão eleitoral no País. Alvo de críticas pelo seu ativismo (que é de longa data, diga-se), o músico britânico de 75 anos, apoiado pela competentíssima banda de sempre, mais uma vez proporcionou ao público um espetáculo audiovisual sem igual, graças ao gigantesco telão em HD e ao não menos incrível sistema de som quadrifônico, que só potencializam a força do seu repertório. Não faltaram o porco inflável da capa de “Animals” (1977), o prisma com lasers de "Dark Side of the Moon" (1973), nem o coral infantil em "Another Brick in the Wall Part 2". Muito menos, críticas ácidas ao presidente americano Donald Trump, a outras figuras políticas associadas à extrema direita e a corporações. Um dos pontos altos foi acompanhar a usina de Battersea, que também ilustra a capa de "Animals", emergir do solo com suas quatro chaminés ativas, em um efeito excepcional que rompia os limites do enorme telão. Perto do fim, o show prestou homenagem à vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em março, tendo Waters recebido no palco os familiares dela, que ainda lutam por justiça. De arrepiar.
Alice in Chains - "Rainier Fog Tour" Km de Vantagens Hall - Rio de Janeiro/RJ Data: 11/11/2018 Foto: Frederico Cruz
Após participar do Hollywood Rock em 1993 (no auge do movimento grunge) e do Rock in Rio em 2015, o Alice in Chains voltou à Cidade Maravilhosa agora como atração do festival Solid Rock. A banda, que na ocasião dividiu o palco com o Black Star Riders e o Judas Priest, veio promover seu sexto disco de estúdio, o excelente "Rainier Fog", lançado em agosto. Além de novas canções como "The One You Know" e "Never Fade", o quarteto de Seattle desfilou clássicos como "Them Bones", "We Die Young" e "Man in the Box". Tendo três álbuns já lançados com o grupo, é visível como William DuVall está mais à vontade no lugar de Layne Staley também no palco. Seu entrosamento com o chefão, o ótimo guitarrista e compositor Jerry Cantrell, inclusive nos vocais dobrados, é outro destaque. Não dá para esquecer também, obviamente, a competentíssima cozinha rítmica formada pelo baixista Mike Inez e o baterista Sean Kinney. Fica a torcida para que em uma próxima visita ao Rio de Janeiro, a banda faça, enfim, uma apresentação solo.
Judas Priest - "Firepower Tour" Km de Vantagens Hall - Rio de Janeiro/RJ Data: 11/11/2018 Foto: Frederico Cruz
Ainda que os substitutos sejam excelentes, não vou negar que foi um pouco estranho ver um show do Judas Priest pela primeira vez sem a sua dupla original de guitarristas. Me refiro a K.K. Downing, substituído por Richie Faulkner desde 2011, e, agora, Glenn Tipton, que vem dando lugar a Andy Sneap devido à doença de Parkinson. Mas um show do Judas Priest é sempre um show do Judas Priest. Ainda mais quando se tem um ótimo álbum para divulgação, o caso de "Firepower", lançado em março, e um tal Rob "Metal God" Halford, em forma aos 67 anos, nos vocais. Atração do festival Solid Rock ao lado do Black Star Riders e do Alice in Chains, a veterana banda inglesa fechou a noite, apresentando faixas do novo disco (o 18º de estúdio), como "Lightning Strike", "No Surrender" e "Rising From Ruins", além de clássicos eternos, como "Painkiller", "Breaking the Law" e a festeira "Living After Midnight". Sem falar na sempre sensacional produção de palco do grupo e, particularmente, na potência absurda do sistema de som, que fizeram o peso das guitarras ecoar nos tímpanos por dias.
L7 - "I Came Back to Bitch Tour" Circo Voador - Rio de Janeiro/RJ Data: 01/12/2018 Foto: Frederico Cruz
Formado somente por mulheres, o L7 foi uma das sensações da "edição grunge" do festival Hollywood Rock, a mesma que trouxe, em 1993, Nirvana e Alice in Chains, dos dois maiores nomes do movimento. Após um longo recesso, entre 2000 e 2014, a banda de Los Angeles (uma das mais representativas da década de 1990) reuniu sua formação original, fez turnês pela Europa e EUA, além de lançar um documentário e duas músicas inéditas. A recente passagem pelo Brasil mostrou que Donita Sparks (vocais e guitarra), Suzi Gardner (guitarra e vocais), Jennifer Finch (baixo e vocais) e Dee Plakas (bateria e vocais) seguem com a mesma energia e a aura punk vistas naquele bombástico show na Praça da Apoteose, há 25 anos. E o público que lotou o Circo Voador parecia estar também ligado nos 220 volts, ao som não apenas das novas canções, "Dispatch From Mar-a-Lago" e "I Came Back to Bitch", mas sobretudo das clássicas, como "Fast and Frightening", "Monster" e, claro, "Pretend We're Dead". Um show furioso.
Shaman - "Reunion Tour" HUB RJ - Rio de Janeiro/RJ Data: 02/12/2018 Foto: Frederico Cruz
Os fãs pediram e o esperadíssimo reencontro dos integrantes originais do Shaman - três deles egressos da formação clássica do Angra - finalmente aconteceu em 2018. Para quem não tinha conseguido ver o grupo paulistano ao vivo nos áureos tempos (e me incluo nessa lista), foi um presente e tanto de final de ano. Andre Matos (vocais), Hugo Mariutti (guitarra), Luis Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (bateria), juntos de novo no palco, e - com reforço do tecladista Fabio Ribeiro - executando um repertório ímpar, os álbuns "Ritual" (2002) e "Reason" (2005) na íntegra. O show ainda contou com a luxuosa participação especial do grande compositor e violinista mineiro Marcus Viana (Sagrado Coração da Terra), que além de ter tocado nos discos citados, assinou temas de novelas de sucesso, como "Pantanal", "Terra Nostra" e "O Clone", entre outras. Pela sintonia e alegria explícitas no palco, será, no mínimo, um sacrilégio se o retorno desses quatro caras ficar somente restrito à uma turnê de reunião.











