— Blinded by the fire in your eyes [flashback ] ✖ Kahriye & Signa
Aquele era mais um dos dias nos quais Jorunn desaparecia em sua caçada. Ou pelo menos era isto o que ele dizia: que iria para a floresta de galhos retorcidos em busca de algum monstro. Kahriye apenas se resignava com o fato, pois nada poderia fazer e jamais entenderia a atração de algumas pessoas pela adrenalina, pela morte certa, principalmente quando a neve se acumulava em todos os lugares do lado de fora. Mais um dos mistérios que para sempre permaneceria oculto para a rainha, que cada vez mais se dava conta de que o sangue que corria em suas veias ou o título que sustentava de fato não importava quando se tratava da vontade dos deuses ou do verdadeiro poder, poder que Kahriye possuía apenas quando Jorunn não estava no palácio.
Estava lendo com suas damas em uma sala espaçosa quando um suave toque na porta pode ser ouvido. Uma das damas abriu a porta e por ela entrou o chefe dos guardas do palácio. Assustada com aquela figura, Kahriye em um pulo se pôs de pé, apreensiva. O que ele queria? O que estava acontecendo? Imaginava que para receber a visita de um militar, algo grave devia ter acontecido. Sentiu seu coração se espremer por entre as costelas enquanto aguardava as palavras do homem que fazia uma ligeira reverência à sua fronte. “Desculpe-me incomodar, minha rainha, mas nossos guardas encontram homens e a comandante do exército de Valyria. Eles estão feridos. Estão sendo cuidados na enfermaria”.
O aperto no coração da morena apenas se intensificou, o que achava ser impossível... Signa. Ela estava no palácio. E ferida! — Leve-me até eles! — ordenou enquanto segurava a barra do vestido para proporcionar mais agilidade. Em poucos minutos atravessaram o palácio, até estarem na ala da enfermaria. Entretanto, antes que as portas pudessem ser abertas, Kahriye respirou fundo. Não estava preparada. E se ela estivesse a beira da morte? Inconsciente? Como lidaria com tal situação? Naquele momento, naquela pequena fração de segundo, sentiu-se estupidamente covarde e terrivelmente assustada. Entretanto sabia que não podia dar-se ao luxo de se sentir daquela maneira. Era a rainha de Temeria, e mesmo que não se sentisse como tal, deveria portar-se de acordo. Por isso, logo após ser anunciada e as portas serem abertas, entrou no recinto com confiança, com se de fato fosse a redentora de todo o poder real.
Os olhos verdes esquadrinharam toda a extensão do comodo, que estava cheio de feridos. O lugar era comprido, com várias camas separadas apenas por um tecido fino. Em algumas delas uns homens dormiam, em outras eles descansavam despertos, enquanto em ainda outras camas havia homens sendo cuidados por enfermeiras. Mas Kahriye só queria saber de Signa e preocupou-se quando não a viu de primeira. Então caminhou pelo local e na última cama, estava ela. De costas. A rainha reconheceria aquele porte em qualquer lugar, a áurea de perigo que emanava dela e os rebeldes fios loiros. Toda a confiança de outrora fora para o ralo. — Signa? — chamou, não conseguindo evitar que seu tom tremesse ao pronunciar aquela única palavra.












