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Burning flame ♚ Kahriye & Jorunn
Havia fumaça e chamas por todas as partes. As pessoas gritavam e corriam desesperadas. Kahriye, seguindo a direção contrária a qual todos corriam, procurava por Jorunn. Ela gritava, mas ele não respondia. Ela gritava mais alto, clamando pelo nome do rei, mas ainda não possuía respostas. E a cada passo que dava, mais difícil se tornava enxergar respirar. Até que não sabia mais onde estava. Tropeçava em pessoas no chão, chamas lambiam as paredes, vultos atravessavam a fumaça espessa. Agora, ela gritava por qualquer um. Um mero pedido de ajuda, apenas queria sair daquele inferno. E então algo a atingiu. Sua cabeça, suas costas, costelas. Algo estalou e Kahriye se viu, aos poucos, perdendo a consciência. Queria tossir, mas seu corpo não obedecia ao comando. Queria gritar, mas seus lábios pareciam selados. E o inferno se repetia. Todos os dias. Todas as noites. A rainha se via em um ciclo sem fim, perdida em meio as chamas e fumaças, gritando por alguém que nunca viria, desmaiada sob blocos centenários, aos poucos sentindo a vida esvair-se de seu ser. E embora agora estivesse limpa, deitada em uma cama confortável, sua mente ainda vivia dentro do cenário de desespero e desolação, gritos e morte. Até que certo dia, Kahriye abriu os olhos.
A primeira coisa que viu fora o teto alto de maneira, elegante e simples. Uma luz fraca entrava pela janela,uma luz alaranjada e com um toque de noite, entretanto as cortinas não deixavam a rainha distinguir completamente se era o fim de uma noite ou dia um dia. Em seguida, percebeu a dor na cabeça, nos ombros, nas costelas e penas. Parecia que tudo doía. Até mesmo respirar e engolir. Porém, outra coisa logo a distraiu da dor: Jorunn. Ele estava sentado em uma cadeira que não parecia muito confortável, mas a parte de cima do corpo estava quase todo em cima da cama. Um braço estava esticado sobre a barriga de Kahriye, atravessando seu tronco para segurar a mão feminina e delicada do outro lado. Enquanto o outro estava dobrado e neste repousava seu rosto. O rei estava sem camisa, e isso permitiu a consorte analisar a extensão de seu corpo, repleto de cicatrizes e ferimentos recentes. Além das queimaduras. Muitas queimaduras pelos braços, dedos e ombros. Seguiu então para o rosto relaxado de Jorunn. Assim, imerso em sonhos, não parecia em nada o homem bravo e selvagem com quem constantemente brigava. Parecia dez anos mais jovens, um garoto pronto para conquistar o mundo.
A posição dele ali e as olheiras debaixo dos olhos aqueceram e macucaram o coração de Kahriye. Não havia se esquecido, é claro, de todas as palavras trocadas no bosque, mas também não se esquecera do desespero que a dominou quando não fora capaz de encontrar Jorunn. Talvez, só talvez, ele se importasse tanto com ela quanto ela havia se importado com ele naquele fatídico dia. Hesitante e devagar, Kahriye tocou o rosto de Jorunn, tomando cuidado para não mexer em um ferimento ali. Levou sua mão até a barba dele, subindo os dedos para passá-los por entre os fios desalinhados. Fez disso um ciclo, sentindo um leve tremor, mas deixando que um sorriso se espalhasse por seu rosto. Era a primeira vez o tocava dessa forma, e ao mesmo tempo em que era estranho, era absurdamente agradável saber que ele estava vivo e bem, apesar de tudo. Naquele momento, a rainha só queria apreciar a presença do marido.
A Well-Told Lie (Flashback) || Kahriye & Devhon
devhon-thorodan
Logo que Kahriye começou a chorar, Devhon poderia ouvir ao próprio coração estremecer, talvez como se todo o sangue tivesse congelado dentro de suas veias, fazendo-o usufruir de uma dor fulminante e que mais lhe soava como um castigo pelo erro anterior. O homem já havia visto tantas coisas maldosas e infelizes na vida que poderia até mesmo documentá-las em uma enciclopédia. No entanto, não deveria haver coisa na terra que mais o fizesse sofrer mais do que ver uma mulher chorando, talvez principalmente se por ela sentisse afeição.
Apesar de rígido em sua compostura, sentia-se como se a carapaça espessa que o cobria fosse tudo o que lhe mantinha de pé. Vendo e ouvindo Kahriye chorar, tanto seu coração como todos os demais músculos de seu corpo pareciam se desmanchar em culpa e simultânea ira. Mesmo que a admirasse e prezasse pelo seu bem, não poderia negar que, ante a nítida traição, quem sabe, Kahriye fosse sim a moça que narrava em sua história: uma jovem fria, mentirosa e má.
Devhon sentia-se como nas noites que não eram de lua cheia, quando começou a viver como lobisomem e desfrutar de sonhos tão longos e claros como jamais teve enquanto mero mortal, além de pesadelos dos mais confusos, que nunca havia experimentado na vida passada. Lembrava-se que, no início, seus sonhos o absorviam tanto que o jovem passava horas caminhando dentro de seu próprio quarto em Fear, tentando lutar contra o sono o quanto podia. Outras vezes, passava horas pensando neles, talvez até que a noite estivesse pela metade. Devhon meditava sobre eles, tentando perscrutar significado. Porém, na maioria das vezes, tão somente se frustrava e se entristecia, talvez tanto quanto aquele momento com Kahriye.
Assim que a Princesa tornou a falar, no entanto, Devhon pendeu com a própria cabeça na direção do chão, talvez porque bastava ela se defender que ele próprio começaria a acreditar em mais mentiras da moça. À verdade, mesmo que se deixasse levar por tantos sentimentos de discórdia, tão somente atirava na direção da moça a frustração com seu verdadeiro problema desde a noite passada, quando descobriu a verdade sobre a antiga Faye.
Respirou fundo assim que a moça se aproximou dele, o coração pulsando com força sobre seu peito, coberto em vestes tão refinadas e simultaneamente rudes. Ouvindo-a com parcial atenção, não pode deixar de concordar com o que havia ocorrido. É certo que caso Kahriye ou seu irmão fossem descobertos por ele e Jorunn mais cedo possivelmente teriam ido rumo à execução. Mesmo que Devhon não apreciasse uma matança injustificada, ao menos a morte do primogênito do antigo Rei faria sentido, uma vez que sua presença poderia resultar em novas rebeliões.
Observando-a tão próxima de si, falando de forma firme e corajosa, bufando pelas narinas miúdas e com os olhos de amêndoa cheios dos mais desconhecidos sentimentos, Devhon não pode deixar de admirá-la pela indubitável bravura e ousadia. Porém, mesmo que ele concordasse plenamente com as palavras de Kahriye, sabia que ir até a jovem calmamente e levá-la ao Rei seria uma decisão deveras simplória e estúpida. À verdade, até mesmo o drama que fazia com Kahriye era importante para mantê-la futuramente silente sobre o que havia ocorrido entre os dois. Ele sabia da bondade da moça e, desse modo, compreendia que ela não seria capaz de entregá-lo ao Rei, afirmando, por exemplo, que eram cúmplices o tempo todo.
Pressionando os lábios um contra o outro, fitou Kahriye com precisão por alguns instantes, como se fosse muito difícil falar algo. Assim, enfiando a mão pelo casaco de couro preto adornado com pele de urso, Devhon retirou uma única peça de metal, que se mesclava entre tons dourados e acobreados, formando o símbolo de Mão do Rei. Dedilhou-o por alguns instantes para que a Princesa o visse e quando o alfinetou nas próprias vestes sua expressão era rígida como uma estatua de mármore. Ele estava tão pálido que parecia um urso das montanhas de Skyrim.
- Sinto muito, Princesa. – Afirmou com pesar e, ao mesmo tempo, firmeza. Agora o broche metálico já estava no peito e ele sabia que a moça poderia supor o que preferisse. – Mas… Eu tenho um dever a cumprir. Seja para com o meu Rei ou para com a honra da minha família.
Fora como se um soco tivesse sido disparado diretamente para o estômago de Kahriye, que de repente viu-se sem ar e sem equilíbrio. O chão parecia tremular, assim como tudo a sua volta. Não, não podia acreditar que estava sendo traída. Havia mentido sim, entretanto era exatamente a maneira como se sentia no momento: traída. Devhon, o bom Devhon, de sorriso doce e risadas fáceis, havia se mostrado, por fim, um traidor, um dos vilões. Através das lacrimas que enchiam seus olhos e escorriam pelo rosto, ela viu algo brilhando no peito do amigo. Aquilo era... um broche? Kahriye arquejou quando a realidade da situação lhe atingiu. Por tanto tempo, havia sido amiga do mão do rei. Naquele momento, sentia-se furiosa com os deuses por terem colocado Devhon em sua vida. Era como uma brincadeira de extremo mal gosto. Lhe darem um presente tão bom, para no fim ser um presente ruim. Lembrava-se das fábulas infantis que ouvia das damas... Nunca aceite um presente bom demais... Kahriye nunca havia pensando que isso também podia se aplicar à pessoas.
Ela olhou a volta, limpando as lágrimas. Sua pequena trouxa jazia no canto de sua cama. Estaria tudo acabado? Era este mesmo o fim? Não conseguia acreditar que estava tão próxima ao fim de sua vida. Não, não aceitaria. Não se renderia. Afinal, possuía a lendária determinação dos Volkenning. Não seria assim tão fácil extinguir com a princesa. Havia uma chama que consumia seu âmago, algo que não seria tão facilmente apagado. E mesmo que com a traição de Devhon algo em seu interior – talvez seu coração – houvesse se quebrado, sua chama jamais deixaria de brilhar.
Calma, com delicadeza exacerbada, Kahriye se moveu até sua pequena cômoda. Colocando-se em uma posição que não permitia Devhon ver o que fazia, ela pegou uma pequena adaga que havia conseguindo vendendo seu último anel. Não era boa com armas, porém era boa o suficiente para tentar defender sua vida. Não se renderia, não se deixaria levar. Foram necessários apenas um passo largo para que Kahriye voltasse ao lugar de antes e com agilidade colocasse a adaga contra a garganta de Devhon. O ato doía de formas inomináveis, e isso fez com que mais lágrimas banhassem o rosto da princesa. Não queria ter que chegar tão longe, mas que escolhas tinhas? Era claro que não mataria Devhon. Jamais seria capaz. Mas queria que ele a temesse, queria que visse que não poderia fazer o que bem entender, entregá-la para o inimigo sem que Kahriye esboçasse alguma reação.
— Eu nunca vou me render. Não vou ser lavada para aquele usurpador como um animal a ser abatido. — pretendia soar firme, mas parecia mais uma menina assustada, choramingando. No fundo, era isto o que era. — Você não pode fazer isso, Devhon, não pode! Olha o que está me obrigando a fazer! Achou mesmo que não haveria luta? Achou que era só chegar aqui e me levar? — indagou. Há quanto tempo ele sabia do segredo? Será que sabia há muito e apenas estava querendo ganhar confiança? Quanto mais pensava, mas quebrada, mais triste, mais traída se sentia. — Eu sinto muito, Devhon, mas um de nós não sairá vivo daqui.
Pretending happiness ♚ Kahriye & Jorunn
lupuscaesar
Se pudesse escolher, Jorunn teria decidido não participar do famigerado baile em Adarlan. Contudo, como rei de Temeria era seu dever comparecer a festividade quanto ao famigerado tratado de paz e demonstrar séquitos e falsidades que não lhe eram desejadas. Enquanto deixava Temeria para trás sob seu esplêndido corcel negro notava as diferenças de cheiro e de luz entre um caminho ou outro e aquilo lhe incomodava. As notas e essências conforme se aproximava de Adarlan não lhe eram de fato agradáveis. Poderia ser birra por parte de um jovem Jorunn enterrado em si, mas sempre pertenceria a nebulosa Temeria e quanto a isso não havia dúvidas. Porém, apesar de tudo via a possibilidade de tomar aquelas terras para si. Apesar de em nada possuírem conexão com seu lar, eram terras férteis. Anexá-las ao seu poderio tornar-se-ia uma ambição do Volkihar. Para a viagem foram dadas duas escolhas ao rei temeriano: podia ter escolhido viajar em uma carruagem ou sob a cela de seu corcel. A escolha óbvia seria utilizar-se da carruagem, ao lado de sua amada esposa. Contudo, ficar preso dento de uma cabina com Kahriye ao seu lado não seria a mais louvável das viagens. O rei por si só era dotado de uma inquietude em seu cerne, oriunda do fogo que acompanhava-lhe o coração. Jazer preso e nas mãos de um cocheiro lhe seria incômodo. Por isso, escolheu partir sob seu cavalo,onde podia desfrutar do espaço aberto e dos cheiros que poderiam ser-lhe úteis em algum momento. Sem contar que fora de uma carruagem ele poderia observar o relevo das terras adarlenses, avaliá-las, conhecer por onde vagava e aquilo sim seria útil para Jorunn em algum momento.
Dispondo de cavalos e carruagens eram necessárias algumas paradas para que os animais pudesse descansar do trabalho pesado de dias e então acampavam em alguns momentos. A corte de Temeria era particularmente animada, as fogueiras acendidas eram óbvias e gritavam sob a posição do rei, da rainha, todavia, temerianos não possuíam temores. Eles eram temidos. E confiando nos homens que trouxera consigo a viagem fora tranquila. Ao menos, para Jorunn. A rainha permanecia com suas damas, mal saindo de suas tendas para confraternizar ou saber do que acontecia. Jorunn nem ao menos tentou aproximação alguma, seria perda de tempo e gasto de sua energia, pois precisaria dessa ao alvorecer para continuarem a viagem. Assim, montavam novamente nos cavalos alimentados e descansados em rumo ao palácio, toda uma comitiva. Antes de aparecerem no baile os convidados foram instalados dentro da corte e Jorunn vestia seus trajes para o baile. Era óbvio que preferia uma armadura cobrindo-lhe o corpo do que as roupas tingidas de escarlate e a coroa de ouro que jazia sob sua testa, contudo, sabia que os séquitos não podiam ser mudados, nem mesmo aos reis. Dessa maneira, jazia pronto e mais uma vez cavalgava até o destino da festa. Deveria esperar por sua esposa, para que pudessem adentar o salão com a farsa que pintavam sobre a realeza temeriana. Manteve-se sob seu cavalo enquanto a esperava chegar em sua carruagem. Havia impaciência em Jorunn que era transferida para o animal ao qual o rei repousava sob. Esse, relinchou amargamente. O rei acariciou a crina do animal e uma risada cínica atravessou-lhe o corpo robusto, não lhe surpreendia mais quanto a tudo que Kahriye fazia para aborrecê-lo. Após alguns minutos desceu do corcel e pediu para um de seus servos prendê-lo e alimentá-lo nos estábulos, parando na porta logo em seguida.
Finalmente, após longos minutos de impaciência o barulho dos cascos de cavalo podiam ser ouvidos ao longe bem como o das rodas de uma carruagem. Jorunn esperava que fosse a de Kahriye ou naquele momento desistiria de esperá-la. Devhon e Arian já jaziam dentro do salão. Ele ficaria ali com alguns homens enquanto falavam sobre banalidades e davam algumas risadas esperando a rainha, contudo, era óbvia a irritação do rei de Temeria. Não daria, porém, esse gosto à ela. Ao ouvir o barulho da carruagem Jorunn endireitou-se, uma vez que jazia encostado na parede do local de maneira despojada. Sua mão jazia sob o cabo dourado da espada draconiana, os olhos depositando à sua frente um desafio aos que acabavam de chegar. Toda a comitiva de homens jazia ao redor do rei e da carruagem quando essa parou, uma fila sendo feita aos lados da rainha enquanto essa descia da carruagem. Jorunn manteve-se parado enquanto ela se aproximava, contudo, ofereceu-lhe seu braço direito quando Kahriye estava próxima o suficiente de si. Um sorriso jocoso pairava sob os lábios do rei que se alargaram ao ouvir o comentário dotado de ácido da rainha. “Suponho que sim, a não ser que deseje iniciar uma nova discussão e mostrar a selvageria temeriana que jaz em ti, vossa graça.” As palavras do rei também eram dotadas do mesmo ácido, mas havia um tom que as deixava mais leves do que o usual. “O vermelho ressalta a sua impetuosidade. Deveria trajá-lo mais vezes.” O elogio fora genuíno. Jorunn não pudera deixar de notar a beleza do escarlate sob a pele pálida de sua rainha, contudo, a presunção dela minava a imagem bela de Kahriye que Jorunn podia vir a ter. Talvez fosse a premissa das alianças e da avaliação terreno inimigo que haviam deixado-lhe mais tolerante quanto a soberba de Kahriye. Ao lado da rainha, caminharam até a entrada do castelo, esperando para serem anunciados ao entrar na festa.
Kahriye permitiu-se soltar uma risada diante do comentário de Jorunn. Não era uma daquelas risadas falsas que as vezes dava apenas para fingir o quanto seu marido era engraçado. Dessa vez, de fato, o achara engraçado. Próxima ao marido, perto da entrada, mantinha um sorriso no rosto. Poucas eram as vezes em que ria de verdade ao lado dele. — Minha selvageria não é nada comparada a sua, meu senhor. — respondeu com um toque se sarcasmo adentrando a voz. Embora o tom de Jorunn estivesse repleto de acidez, ela de fato não queria brigar naquela noite. Eles estavam ali para personificar o esplendor de Temeria, afinal e ela isso o que deveriam fazer. Sorriu novamente diante do elogio. — Obrigada, meu querido rei. Devo acentuar que vossa graça tampouco parece um guerreiro sanguinário. — desdenhou. — Onde estás seu inseparável machado? — olhou com mais atenção para as roupas finas do marido. — Espero que não esteja em meio à tais roupas. — implicou enquanto de braços dados seguiam para a entrada. Todos presentes ali fizeram uma reverência e um outro homem, de voz alta e forte, anunciou a chegada do rei e da rainha de Temeria. — Hora da diversão. — murmurou, não muito animada.
Embora a maior parte dos nobres de Tamriel estivesse presente no enlace real do casal de Temeria, eles também sabiam que tudo havia sido feito sob circunstâncias misteriosas. Ora, que filha se casaria com o assassino de sua família? Portanto, naquele momento, era vital mostrar que o casamento era sólido e feliz, menos que o matrimônio de Kahriye e Jorunn fosse tudo, menos sólido e feliz. A rainha não perdeu tempo apreciando a decoração, pois tudo o que conseguia sentir era o braço forte de seu marido preso ao seu e seu cheiro único, que lhe lembrava árvores e madeira. Parecia o cheiro de... liberdade? Não era uma fragrância produzia. Parecia pertencer unicamente aquele guerreiro ao lado. Cheiro de liberdade, assim como seu espírito. Era uma pena que Kahriye se sentisse tão presa ao seu lado.
Seguiram, primeiramente, para o salão de dança, onde outros casais abriram espaço para a realeza. Deveria se mostrar magnificentes, elegantes, esplendidos, sua entrada, sua dança, tudo deveria ser triunfal. Kahriye então colocou uma das mãos no ombro de Jorunn, enquanto a outra segurava a dele. E a outra mão dele ia a sua cintura. A proximidade era estranha. Não estava habituada a isso. Estranho também era a diferença de altura, e como a mão dele parecia grande segurando a da rainha. Suas mãos, grandes, ásperas e cheias de calos, naquele momento, não a prendiam. Não se sentia presa, mas se sentia firme. Sentia seu hálito quente em sua testa e por apenas meio segundo, Kahriye levantou o rosto para observar o marido. Estava nervosa, mas Jorunn estava ao seu lado. Muitas pessoas os observavam, comentando, cochichando, e saber disso causava tremores de nervoso na Volkennig. Talvez, se não fosse por Jorunn ao seu lado, tivesse saído correndo do salão. A música então, bonita e suave, começou a tocar.
— Blinded by the fire in your eyes [flashback ] ✖ Kahriye & Signa
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Signa de repente, sentiu-se voando por entre ás nuvens de um céu ensolarado; sentiu-se tão leve que sua extensão corpórea parecera pequena para caber tamanha alegria. Sua mente tornou-se apenas fumaça, uma fumaça rosada com um cheiro doce, que aos poucos tomava formas e uma silhueta distinta; Signa a perseguia em um sonho lindo, a perseguia por entre um campo completo por flores dos mais variados tipos, por pássaros que asacompanhavam pelo passeio e a felicidade que lhe atingira parecia surreal. Apenas um toque; um único toque fora o bastante para tirá-la da realidade, para que a fizesse esquecer de tudo o que havia passado até ali. Esqueceu-se do próprio nome, das responsabilidades que lhe acompanhavam e até mesmo, esqueceu-se do respeito que a devia. A sua vontade era tomá-la nos braços ali mesmo, sem prender-se a preocupações, a protocolos estúpidos; queria apenas senti-la um pouco mais, mais do que o toque suave de sua mão sobre a sua. Infernos, aquela mulher a tiraria do sério; a estava levando por um caminho perigoso, o qual não tinha medo nenhum de percorrer temendo apenas pela própria Kahriye. Signa jazia agora sentada na cama, ainda presa à enfermaria do palácio de Temeria, presa ás suas roupas de batalha. Mas em contradição, jazia tão distante daquele mundo; continuava presa ao seu sonho, estando sozinha com a Rainha, podendo observá-la com calma. Os olhos percorreram toda a extensão da outra, apegando-se aos mínimos detalhes. Os lábios, tomados por uma tintura rosada, a chamando para que conhecesse seu sabor; os olhos misteriosos, guardando um mundo de experiências e histórias vividas; ás mãos delicadas, suaves como a própria seda, pertencente a um membro da realeza. Signa poderia perder-se nela por horas, que nunca se cansaria de tamanha beleza.
Precisara de apenas dois segundos para compreender que a Rainha lhe falava; Signa pigarreara, tentando encontrar a voz que perdera-se por entre o desejo, por entre o anseio que lhe tomava a alma. “Estou bem, majestade. Não há motivos para preocupar-se comigo” Dissera sorrindo, sentindo-se boba demais diante da preocupação alheia. “A sua presença, Kahriye; tua presença é o bastante” Desta vez, fora impossível fitá-la diante de tal declaração. Os olhos voltaram a percorrer o ambiente em que jaziam, apegando-se a um detalhe distante para que pudesse pensar nas palavras que lhe escapariam os lábios. Acalme-se, Signa. A postura tornou-se ereta, assumindo o posto de comandante novamente para que pudesse relatar o acontecido. “Estávamos trazendo um presente da Rainha Ayrenn para a Vossa Majestade e o teu Rei Jorunn, quando fomos atacados. Não passavam de doze ladrões, o dobro dos homens que acompanhavam-me, mas graças aos Deuses tivemos ajuda e conseguimos enfrentá-los”Pronunciou-se referindo ao homem que lhe ajudara; uma ajuda que não esqueceria e que faria questão de quitar sua dívida posteriormente. “Eles estão mortos, Rainha. Todos os dozes, uma sentença dada por mim mesma.”
Um suspiro involuntário deixou Kahriye assim que ouviu a confirmação de Signa de que estava bem. Continuou, a delicadamente a limpar a mão dela. Estava bastante suja para que um simples pedaço de tecido desse conta, mas pelo menos a sujeira mais grossa estava conseguindo tirar. Mandaria preparar um banho de princesa para Signa, pois achava que ela merecia. Uma mulher nascida para a força e moldada à destreza, será que um dia já havia conhecido o quanto a vida poderia ser delicada? Já havia um dia deixado todas as suas roupas pesadas de lado e vestido algo suave, que ainda mais poderia acentuar a beleza concedida pelos deuses? Com um sorriso, a rainha começou a pensar em todas as possibilidades. Vestidos azuis combinariam com seus olhos e acentuariam os fios loiros, seda combinaria com sua pele, e é claro, safiras para combinar com o vestido...
Então ficou tensa, como sempre acontecia diante de um elogio de Signa. Quando homens lhe ofereciam um elogio, Kahriye apenas ofertava um sorriso e uma palavra de gentileza, entretanto não sabia como reagir com Signa. Um sorriso e uma palavra gentil pareciam insuficientes, depois de tudo. — És, como sempre, muito gentil, guerreira. — respondeu sem olhá-la, sentindo as faces queimarem. Deixou uma mão de lado e concentrou-se na outra. Pois então, a menção do nome da rainha de Valyria, uma expressão de desagrado atravessou o rosto de Kahriye, fazendo com que voltasse seus olhos para a bela lutadora. — Um presente da rainha Ayrenn? — não conseguiu evitar o tom amargo que atravessou sua vez. Porém, logo tentou esquecer-se do relacionamento entre Jorunn e Ayrenn, e para isso precisava ocupar-se.
— Você é muito corajosa, Signa. E está sempre provando o quanto é habilidosa com sua espada. Sua rainha deve orgulhar-se muito, e tê-la aqui é um exemplo para todos os homens de Temeria. Agradeço pelo bem que fez ao meu rei. Você será recompensada com isso, a começar pelo banho que mandarei preparar. Nos veremos em breve. — e então, tão rápida como entrara, ela deixou o recinto, sendo seguida apenas por uma dama de companhia. Signa era um ser tão forte e intenso que apenas alguns minutos em sua presença eram o suficiente para deixar Kahryie sem ar, como se o vestido fosse apertado demais, ou estivesse na água por mais tempo que necessário. Lamentava tê-la deixado de maneira tão abrupta, mas a presença dela e as informações dada deixavam a rainha muito desconcertada. Precisava espairecer, se ocupar.
event: ‘a shoulder to cry on‘; astrid & kahriye
rosewhat
As mãos de Astrid esconderam o próprio rosto. Ela estava num estado em que não fazia ideia do que fazer, do que falar, de como agir. Queria correr, queria ir até a duquesa e acusá-la com verdades, mas também queria ficar em seu canto e preservar a própria vida e o próprio disfarce. Ouviu a pergunta de Kahriye e mordeu os lábios com força. Não deveria contar para uma Rainha seus problemas, não deveria abrir-se, mas aquela história estava esmagando-lhe o peito de uma maneira que sufocaria se não falasse. O faria, mas não ali. Ninguém mais poderia ouvir o que a Duquesa de Whiterun fez à ela.
Atrevendo-se a pegar a Rainha pela mão, Astrid a puxou até certo canto do grande salão, um canto mais escondido, onde poucas pessoas passavam, onde provavelmente ninguém ouviria sua história. — Aquela mulher matou minha mãe. E pôs toda a culpa em cima de mim. — proferiu as palavras com firmeza, toda sua sinceridade envolvendo cada som que saiu de sua boca. Ao mesmo tempo, falar aquelas frases faziam seu sangue subir à cabeça, logo ficando com a face avermelhada. A ideia de ir até a Duquesa e bofetear-lhe a face voltando, enquanto o olhar tentava mirá-la através dos casais que dançavam no salão.
Um olhar de ódio, um olhar quase demoníaco, desfigurando toda a expressão angelical que costumava descansar à face de Astrid. — Eu a odeio. Mais que tudo. Eu poderia matá-la. — sussurrou, só então voltando à realidade e mirando Kahriye. Sua face, agora, voltara ao normal, um pouco mais assustada talvez. — Eu não… Não… — o que a rainha pensaria? Ela praticamente acabara de ameaçar a vida de uma mulher que fazia parte da nobreza. Kahriye poderia mandar prendê-la por isso, não poderia? — Eu estou desesperada. Perdão.
Sem protestos, seguiu a jovem. O que mais havia para perder aquela noite? Estava tudo um desastre. Embora só quisesse se deitar e chorar em algum lugar, não podia ignorar alguém que claramente estava em uma triste situação. Era uma rainha, afinal, e talvez ajudar aos aflitos fosse uma espécie de instinto. Quando chegaram ao local escolhido por Astrid, Kahriye apertou sua mão com suavidade. Um pequeno lembrete, de fato. Eu estou aqui, podes contar comigo. Mas então, quando a morena finalmente falou o motivo de seu desequilíbrio, a rainha ali suspeitou de que seu queixo pudesse ter ido de encontro ao chão. Chocada, observou a mulher referida. Fina, elegante... Não parecia uma assassina. Mas então lembrou-se de Jorunn. Dentro daquelas roupas caras, com jóias e uma coroa, ele também não parecia um assassino. A rainha suspirou.
— Lhe perguntaria se tens certeza, mas... —Diante do tom usado pela garota, não havia como não ter certeza da parte dela. — Quando isso aconteceu? — indagou, esperando não ser indelicada. A expressão presa no rosto de Astrid era lamentável. Sequer parecia a mesma de minutos atrás. Entretanto era uma expressão que Khariye conhecia muito bem. Uma expressão que havia muitas vezes passado por seu próprio rosto. A rainha sabia o que era sentir ódio por alguém, o que era sentir-se completamente injustiçada e sozinha. — Não se preocupe, Astrid. Creio saber, ao menos em parte, como se sente. — respondeu. — Também tive minha família tirada de mim. — disse, se lembrando com ternura do irmão que agora sabia estar vivo. — A qual reino você pertence?
Een met de storm ♚ The beauty and the beast
lupuscaesar
Fora o silêncio indivíduo capaz de tonar o ar verdadeiro veneno aos pulmões lupinos do rei. Seus olhos pousados na fronte feminina, notava a verdadeira ferocidade compartilhada pelo povo de Temeria. O reino cinzento era conhecido por formar indivíduos mordazes como os ursos que habitavam a região, como os lobos que uivavam para as luas de Nirn. Contudo, jamais enxergara tal feito na filha de Dardarion. Sua concepção por ela era pré-julgada, feita pelos momentos de petulância e infantilidade na garota que vivera em uma redoma de vidro no castelo temeriano. Viu pela primeira vez a selvageria, algo que os conectava quisesse Jorunn ou não, mais do que o próprio casamento e as alianças que trajavam em seus dedos anelares. As órbes azuladas foram desviadas da face enraivecida da esposa, porém, para os movimentos feitos por ela, deixando à mostra sua pálida coxa envolvida por uma cinta liga que segurava uma arma. Rapidamente Jorunn retesou seus músculos e fechou os olhos com força, o rugido da besta internalizada gritando pelo nocivo. Se Kahriye fosse machucá-lo, ele seria capaz de apará-la sem a necessidade de ferí-la gravemente como a besta desejava. Ela a via como uma ameaça, desejava o sangue em seus lábios, a carnificina tal qual o pai de sua esposa desejara que houvesse quando prendera Jorunn e Devhon com o lobisomem. Inspirou profundamente o oxigênio análogo a ácido sulfúrico, enxergando, contudo, a adaga pendente sob o esguio pescoço de Kahriye. A briga entre Jorunn e seus instintos fora cessada naquele momento, pois o homem assumia controle total mais uma vez. A bestialização de Jorunn tinha sido contida pela premissa da morte da esposa, encontrando-se sem quaisquer respaldo para pará-la, pois na ponta do objeto havia o fio escarlate, extremamente parecido com a seda que recobria o pálido e franzino corpo da Volkihar. A mixórdia de sentimentos havia picado-lhe como um enxame de abelhas furiosas. Havia fúria, mas havia choque e o ímpeto da brutalidade, de retirar o objeto das mãos femininas tal qual era havia colocado-o em seu pescoço. Certamente, Jorunn poderia mostrar-se negligente e frívolo. Seria a ação racional à ser tomada. O único porém que existia entre o rei e a racionalidade era que o Volkihar deixava ser levado pelos seus ímpetos, especialmente em situações sob pressão. Era o seu âmago de guerreiro, irascível que tomava-lhe e não o rei planejador e estrategista como quando estava diante de uma mesa ou de nobres, planejando ataques antes desses serem concretizados.
Jorunn mal ouviu as palavras que Kahriye proferia, cheia de si mesma, audaciosa e extremamente inesperada. Seu movimento fora rápido, tão sem controle quanto a ação que Kahriye havia feito ao colocar seu pescoço contra a lâmina. Jorunn agarrou o punho feminino com firmeza, a força bruta agindo naturalmente ao seu lado conforme puxava o braço alheio para retirar a adaga das mãos de sua mulher e segurá-la em suas próprias. Nenhuma palavra deixou os lábios masculinos, surpreso com os próprios atos. Era inerente no rei lupino a rapidez de um guerreiro, tomado pelos seus impulsos. Não sabia o que aquilo confirmava, mas confirmava algo, algo que ele jamais saberia responder. Não havia a parado por conta de desculpas políticas ou por conta de quaisquer motivos frívolos. Mas temeu, verdadeiramente, pela morte alheia. Sentiu o amargor de vê-la ainda mais pálida, misturando seu sangue com as sedas do vestido que recobria-lhe a tez. Seus dedos ainda seguravam o pulso de Kahriye e ele recusou-se a falar qualquer coisa. Tudo que havia a ser explícito estava nos olhos preenchidos de emoções inomináveis na face do rei. Tal como ele ferira o orgulho da rainha, ele tivera algo ferido por Kahriye. E não era seu orgulho, contudo, não sabia explicitar o que. Bastava encará-la, para uma fonte de sentimentos intangíveis tocarem-lhe. Arrependeu-se instantaneamente do que fizera, pois sabia que era um jogo de Kahriye. Ela, talvez, não possuísse o que era necessário para retirar sua própria vida. Se o tivesse, teria o feito após o matrimônio de ambos. Contudo, era a premissa de ter seu cadáver inerte jazendo aos seus pés que o moveu. Como, porque importava-se com a filha do homem que o amaldiçoara? Que destruíra a vida de inúmeros, inclusive de seu pai e de seu pai adotivo? Jorunn não possuía nenhuma resposta e jazer sem elas o deixava completamente enraivecido, a tempestade óbvia nas órbes cerúleas.
Ele não era o homem das palavras, esse posto deixava para Devhon. O rei Volkihar era movido pelo gás dos atos e por essa razão seu silêncio era tão mais recheado de respostas do que seriam suas palavras. De certo não havia monstro algum tomando-lhe, sua raiva era puramente humana e nenhum pouco bestial. O que sentia era tácito, era Jorunn que respondia e quase sentiu-se agraciado pelas emoções tão humanas. Um fardo parecia deixá-lo, de uma maneira completamente paradoxal, contudo, outra depositava-se em sua cerne humana, afundando-o tal qual o monstro que morava em si. Jorunn, colocando a arma em seu cinto para mantê-la afastada de Kahriye retirou do bolso de suas veste um lenço avermelhado, lenço que combinava suas vestes com a da rainha. Sem quaisquer palavras estendeu-o e colocou-o ao redor do pálido pescoço de sua esposa, dando um nó não tão elegante, contudo suficiente para esconder o fio sanguíneo que escorria pela pele da rainha do gelo. O toque de seus dígitos na pele de Kahriye não foram brutos, tampouco rudes como outrora se mostrara com a mulher, inclusive, fora tão delicado quanto suas mãos calosas lhe permitiram. Afastou-se, parando na frente de sua rainha ainda imerso no silêncio de seus próprios atos, contudo, facilmente incomodado pela falta de explicações da situação ocorrida na floresta. A ideia de quaisquer tipo de traição não lhe afeiçoavam, mas afeiçoariam a qual homem? Inclusive, deixava-o a beira de um colapso de ira novamente, mas se ela se recusava a falar e ameaçara a próprio vida, ele conseguiria respostas à sua própria maneira. Ele rapidamente abaixou-se e fechou as mãos ao redor de um punhado de terra, colocando-a dentro dos bolsos de suas vestes sem se importar no que Kahriye iria pensar do ato e as limpou no tecido negro das calças que trajava. Logo, Jorunn ofereceu o braço em silêncio para a esposa, na premissa de retornarem ao baile. Qualquer um que notasse o lenço no pescoço da rainha não pensaria no que havia ocorrido na floresta, mas sim em situações íntimas, algo aprazível ao casal. “Isso não será obliterado, minha rainha. Contudo, os séquitos do baile ainda nos aguardam, então sorria. Esperam que sejamos felizes, esposa.” Jorunn disse enquanto esperava por Kahriye, para que pudessem retornar ao baile e para que ele pudesse contatar Arian, pois havia traçado um plano em sua cabeça enquanto jazia em silêncio, de fronte à Kahriye.
A expressão de Kahriye parecia muito mais magoada do que feroz. As sobrancelhas, assim como seus lábios, se voltavam para baixo em uma expressão desolada. Jorunn fora rápido em tirar a adaga das pequenas mãos da rainha, e ela sequer ofereceu resistência. Sentia-se cansada, tanto física quanto mentalmente. Principalmente mentalmente. Brigar com Jorunn a esgotava. Porém, o que acontecera ali, no limite do bosque, não fora uma briga qualquer. Eram todos os seus sentimentos transmutados em palavras e gestos. Um tapa. Vários insultos. A vontade de tirar sua vida. Era um pensando recorrente, não existir. Não queria morrer, jamais teria coragem de tirar sua vida... Apenas desejava não existir, nunca ter nascido. Sentia-se covarde ao pensar nisso, mas era a verdade.
Deixou que Jorunn amarasse em seu pescoço o lenço, enquanto ainda respirava fundo e com raiva, tentando desacelerar seu coração e tirar de sua cabeça todos os sentimentos homicidas que ali se multiplicavam. Ela não disse nada. Manteve-se em silêncio. O que diria, afinal? O que deveria ser dito depois de tal situação? Olhou para o braço de Jorunn e então olhou para ele, os olhos verdes ainda queimando de raiva, de mágoa. As palavras dele ainda latejavam em sua mente. Olhar para ele lhe dava vontade de chorar. Como conseguia agir assim depois de tudo? Como se nada tivesse acontecido? Como se não a tivesse ferido da maneira mais cruel possível? Kahriye chorava, embora tentasse evitar. Observou com estranheza o rei recolher terra e colocar no bolso, mas não se importava. Não suportava mais a presença dele. Então olhou para as janelas iluminadas do castelo. Ignorou o braço dele e levantou um pouco a saia de seu vestido, apenas para que pudesse sair mais rápido daquele local. Passou pelo marido sem dizer sequer uma palavra, e limpando uma lágrima do rosto, se direcionou rapidamente de volta ao alcácer, não se importando se Jorunn estava ou não atrás dela.
Do you have any regret?
Não. Eu acredito que tudo acontece segundo a vontade dos deuses, então apenas aceito a vontade deles para a minha vida.
Pink: 4 facts about my parents.
1) Meu pai nem sempre fora um monstro. Ele era instável sim. Acredito que os deuses levaram sua sanidade como castigo por ele ser injusto com seu povo. Nem sempre ele possuía rompantes de loucura, entretanto, com o passar dos anos, os período entre suas alucinações e decisões impróprias e cruéis fora diminuindo, até que ele se tornou o rei sanguinário e malvado que todos conhecem. O povo conheceu o rei, mas eu conheci o homem, por isso não aceito que ninguém o julgue. Dardarion era sangue do meu sangue e eu sempre o amarei, apesar de tudo.
2) Mihaella é a mulher mais espetacular que já conheci. Ela era bela, elegante e inteligente. Ela sabia como controlar meu pai e manipular a todos ao seu redor. A rainha jamais abaixou a cabeça para ninguém. Dardarion governava o país, mas Mihaella era uma das inteligências atrás de tudo. Ao contrário do rei, ela era extremamente sã e realista. Ao mesmo tempo em que era gentil e amorosa, ela faria tudo o que precisasse para defender a família. Era uma rosa cheia de espinhos venenosos. Bela, porém mortal.
3) O casamento de meus pais, assim como muitos outros, fora arranjado. Entretanto, diferente da maioria, fora um arranjo perfeito. Ambos tinham o gênio forte, é claro, mas de alguma maneira, eles se completavam. Ela enxergava cada detalhe da realidade enquanto ele frequentemente se perdia em sua própria mente. Dardarion possuía a habilidade de executar todos os planos de Mihaella. Não sei se o casamento fora feliz, mas de fato eram o casal harmonioso.
4) Ambos tentariam me ensinar o que sabiam… Meu pai me ensinava o básico, pois ele achava que uma mulher não deveria saber muito do mundo e da vida, afinal, ignorância gera submissão. Porém minha mãe tentou passar-me todo o conhecimento que possuía e tudo o que sou hoje, devo a ela. Nunca me esquecerei dela ou deixarei de tomá-la como exemplo.
We are the definition of an antithesis. (insp.)
Een met de storm ♚ The beauty and the beast
lupuscaesar
Perniciosas emoções tragavam o homem que jazia de fronte à mulher cuja qual trocara votos em um fatídico dia. Oh, como Jorunn arrependia-se de tal feito! Não fosse tal casamento, a ira que tomava-lhe o homem e acordava a irracional criatura dormente em seu interior seria-lhe poupada. A alma irascível do guerreiro gritava, urrava, estarrecida com o que enxergara naquele momento. Havia uma pequena parte racional, porém, o humano rei de Temeria que afrouxou os dedos ao redor do franzino e pálido braço de sua rainha, dando-lhe a possibilidade de soltar-se das garras do bestante criado pelo próprio genitor de Kahriye. Não notava a gênese de tal sentimento, não importava-se com a fonte que gerava tão amargo e lancinante cólera sobre a mulher. Importava-lhe a explicação do que estava a fazer ali e em resposta à seu rude questionamento sentiu-lhe o ardor dos dedos da rainha em sua face. Não era, contudo, a dor física que lhe incomodou naquele momento, mas a impetuosidade de Kahriye ao atingí-lo com suas mãos. Virou o rosto na intensidade que os dedos dela lhe atingiram e tal movimento fora tão único que Jorunn não teve tempo de apará-lo. A dor fora necessária, porém, para acordá-lo por breve momento e realizar o quão prestes estava de atacá-la e sentir o sangue cálido em seus dedos. Seria algo bestial, um ato cujo qual ele tentava fugir a todo custo. Seus olhos retornaram até a face atormentada da Volkihar, preenchidos com uma pungente ferocidade. Em suas íris carnívoras jaziam seus desejos bárbaros. De todos as vezes que Kahriye o chamara de bárbaro e selvagem, era a primeira vez que sentia-se de fato monstruoso diante da esposa.
Um ímpeto capaz de quebrá-la ao meio diante de tal desrespeito, contido por um fio de racionalidade prestes a ser rasgado a qualquer momento pelo incontrolável lobo cinzento que pairava dentro de si, deliciando-se com a premissa da carnificina. As palavras de Kahriye diante das ofensas de Jorunn não faziam sentido ao guerreiro. Uma risada gutural deixou-lhe os lábios.“Demonstras agora sua verdadeira gênese, minha rainha. És tão perniciosa quanto seu genitor, a criatura que decapitei com minha espada. A mesma que carrego nesse cinto.” O que dizia naquele momento era direcionado para causar dor na mulher., tal qual era a ira que era instaurara na tempestade que era o rei temeriano. “Eu sou o rei, Vossa Graça, mas mais do que isso, sou seu marido e soberano e deves à mim explicações. Seu sangue e sobrenome desolteira hodiernamente valem tanto quanto um punhado de água. Se deseja gabar-se da proteção e poder que possui é devido ao meu sobrenome.” Seus dedos fecharam-se em punho ao lado do corpo, enquanto Jorunn sentia o sangue queimar em suas artérias, queimava-lhe imaginá-la com outro homem e definitivamente Jorunn odiava tal sensação. “Tu não passas de um acessório à minha corte, como gosta de deixa implícito quando discutimos. Se buscas a figura de uma rainha verdadeira, Ayrenn Morgenstern é o nome dela. Em teu caso, não fosse por nossa união, aqueles que são leais ao reinado Volkihar já teriam há muito roubado a tua vida. E como um acessório, deves respeito aquele que lhe possui, caso contrário a proteção que provém de mim a qualquer momento pode ser destruída e não haverão sacerdotes para alimentar-lhe e manter-te aquecida.”
O rei já não possuía mais ciência se o que falava era de fato verdade, contudo, dada a ira que conspurcava-lhe e manchava sua moral ele não hesitaria em adquirir motivos para ter Kahriye decapitada. A imagem da mulher sem vida, porém, também lhe incomodava e era a gênese de um ácido, amargo e incurável paradoxo que tomava-lhe a extensão. Algo que gostava de evitar pensar, preferia deixar enterrado o fato de que apreciava em determinados momentos a petulância da filha daquele que tornou-o o monstro que prostrava-se diante da filha de Dardarion. Tal qual ele havia tirado a vida do pai, porque tornava-se irremediavelmente difícil pensar em retirá-la da prole?Porque Jorunn não era o mesmo que Dardarion. Ao menos, gostava de pensar daquela maneira, tornava menos pesada a responsabilidade de trajar a coroa que adornava seu crânio. “Mais uma vez. Qual a sua explicação para jazer sozinha, como uma mulher da vida? Não me tome por um tolo. Posso ser hipócrita, bárbaro, monstruoso aos teus olhos. Mas a estupidez deixo para aquele que estava deixando essa terra enquanto eu vinha até ti.” E naquela frase, explicitava a sua intenção para com o homem que vira deixando Kahriye, não o pouparia quando o encontrasse. Contudo, a vida alheia não seria retirada na hora, Jorunn desejava respostas e a depender do que obtivesse, certamente haveria morte, uma vez que ele possuía o direito em caso de traição ou adultério de tirar a vida dos indivíduos estúpidos o suficiente para desafiar a autoridade real de Temeria. Resvalou por um momento em sua própria constatação. O que o fazia diferente de Dardarion se pensasse daquela maneira? E por um momento notou quão fácil era cair nas próprias armadilhas do poder, do desejo vil pelo assassinato. Contudo, jamais tornaria tal ato em um espetáculo como o outro o fizera, daria-lhes mortes limpas e honradas e não oriundas de uma besta para homens que se deliciavam com a dor alheia. E mais uma vez Jorunn respirou fundo, as unhas afundando na própria carne para evitar descontar em sua rainha.
A fúria fazia com que os olhos claros da rainha escurecessem, tomados por um sentimento vil. Seu pequeno corpo tremulava com ondas de um sentimento que jamais sentira com tamanha intensidade. Mesmo quando Jorunn assassinara sua família, ela não sentira tamanho ódio por ele. Nunca sentira desejo pela violência, mas naquele momento queria estapear Jorunn outra vez. Queria lhe dar um soco, lhe enfiar uma espada, fazê-lo sangrar. Talvez assim sentisse um pouco da dor que Khariye sentia naquele momento. Tivera que deixar seu irmão ir, um príncipe, ir embora em meio ás arvores sob a luz da lua como um camponês qualquer. Agora, seu marido lhe feria a uma das coisas de maior valor que possuía: seu orgulho. Lhe irritava a hipocrisia do rei, pois Kahriye não era tola. Sabia dos diversos casos extraconjugais do rei, e mesmo se a consorte resolvesse encontrar consolo e amor nos braços de outra pessoa, de nada Jorunn poderia reclamar. Como poderia, havendo condenado uma jovem a uma vida fria e um casamento sem amor? Entretanto, Kahriye não tinha um amante. A ideia nunca havia passado pela sua cabeça e ela continuava completamente intocada.... A absurda arbitrariedade da situação fazia com que cada gota se seu sangue entrasse em ebulição. Era a primeira vez que realmente percebia os privilégios masculinos e como isso fazia com que os homens fossem cheios de si, quase sufocados pelo próprio ego.
Suas mãos contorceram-se em punhos ao ouvir a risada de Jorunn. Já ouvira a risada dele algumas vezes, mas nada comparado aquilo. Era um som gutural, saturado com ódio e ironia. Suas orbes correram para o cinto dele com a espada regicida assim que suas palavras foram proferidas. Se coração cavalgava com tamanha ferocidade que era uma surpresa que se mantivesse dentro do peito, porém por outro lado, as batidas frenéticas ecoavam em seu ouvido, deixando as palavras de Jorunn distantes. O ímpeto de responder cada palavra com escárnio, o impulso da violência novamente tomava conta de seu ser. Kahriye não se reconhecia. Percebeu que era isso que Jorunn fazia com ela, a transformava em um monstro, sedenta por violência, cobiçosa de machucar. Assim como o rei, a jovem sentia-se como uma fera selvagem, pronta para atacar o inimigo a qualquer momento. Pois por muito tempo, era assim que enxergava seu marido. Inimigo.
O golpe fatal veio com a menção à bela rainha prateada de Valyria. Ora, Kahriye havia sido criada como uma princesa, a jóia de sua mãe, o tesouro incomparável do pai, a protegida dos irmãos. Sempre havia sido o centro das atenções, fosse pela inteligência demonstrada desde a tenra idade ou a beleza suave que possuía. Nunca fora compara a ninguém, porque sempre tinha sido suficiente para aqueles que a rodeavam. Nunca fora comprada a ninguém, porque nunca quisera ser como ninguém, nunca se espelhara em ninguém, muito pelo contrário, era ela quem era a figura a ser alcançada, o espelho de suas damas. Aquilo a desestabilizou mais do qualquer coisa antes. A voz dele pareceu ficar mais longe, pois o mundo de Kahriye pareceu tremular completamente. Não, não aceitava isso. Ser comparada com a amante de seu marido? Ser comparada a qualquer outra mulher? Para a princesa, agora rainha, que sempre acreditou ser única e inigualável, aquele era um golpe do qual dificilmente se recuperaria. Por um momento, ela pareceu perdida. Sem chão. Deu um passo desequilibrado para o lado, olhando para o chão, para possuir a certeza de que ele ainda estava ali. Não, tinha caído. Ainda estava de pé, ainda sustentava uma coroa nos cabelos negros. Ainda era uma rainha e sabia que rainhas não se rendiam. Voltou os olhos verdes para Jorunn, retomando sua pose confiante.
Então, tomada pelo alor, ela levantou seu vestido, sem se importar se alguém estava vendo e de uma pequena amarra delicada na coxa, tirou uma adaga. Ouvira coisas demais por uma noite. A arma era pequena, mas brilhante e mortal. Kahriye a girou por alguns segundos entre os dedos e então a levou ao pescoço. A posicionou em um ponto estratégico, onde caso enfiasse a arma, de certo tiraria sua vida. Por poucos momentos, a rainha manteve os olhos fixos em seu rei, analisando cada linha de seu rosto duro. Forçou a adaga um pouco mais para dentro de seu pescoço, rompendo apenas a pele. Não o suficiente para sair muito sangue, contudo o suficiente para dor. Kahriye reprimiu o gemido e continuo olhando fixamente para o rei.
— Aqui estou eu, meu rei. De orgulho ferido, sentimentos machucados. Estou pronta para tirar minha vida se assim deseja. Afinal, qual falta um acessório lhe fará? O senhor poderá contar a todos que optei por terminar a minha vida aqui mesmo e ficarás livre para casar-se com quem desejar, mesmo que seja uma vadia com uma coroa. — cuspiu as palavras, cheias de raiva. Claro que realmente não queria morrer. Óbvio que realmente não iria tirar a própria vida. Era um blefe, entretanto seus olhos e suas palavras ardiam com a determinação dos Volkenning. Kahriye queria testar Jorunn. Queria virar o jogo. Queria saber o quanto ele precisava dela e o que faria para manter sua vida. Ela deu um passo para trás, se afastando dele, iluminada apenas pelo luar, que fazia sua pequena adaga brilhar como algo sobrenatural.
— Diga-me, meu rei. Realmente desejas levar meu cadáver para Temeria ou me respeitará como deves? Não te esqueças de também sou sua esposa, fomos unidos pelos deuses, e você me deve respeito e fidelidade. Nossos votos foram os mesmos, se bem me recordo.
Astrological Asks
Aurora: What is the most beautiful thing that you can think of?
Stars: Who do you think of most?
Bolide: What makes you want to give up?
Comet: Who do you like to be with?
Constellation: Is your family blood related?
Eclipse: Is there someone who you think outshines you?
Equinox: What makes you calm?
Galaxy: Who do you want to be?
Meteor: What makes you feel alive?
Nova: When were you happiest?
Orbit: Is there someone you can't stop thinking about?
Solstice: Do you prefer time with friends or time alone?
Sun Spots: What makes you feel bad about yourself?
Zenith: What makes you feel good about yourself?
Black Hole: Has there ever been a point where you thought nothing would get better?
asks
Moth ❧ What do you find attractive in a person? Doll ❧ do you collect anything? Gravestone ❧ Have you lost anyone important to you? Roses ❧ Are you in love? Paper ❧ What are you currently reading? Locket ❧ Take a selfie. Milk ❧ describe your family. Blood ❧ What is the worst injury you’ve gotten? Dust ❧ Talk about your past. Bible ❧ What are your moral views? Lace ❧ What kind of clothing do you wear? Angel ❧ What are your religious views? Ink ❧ Write a poem and post it. Dagger ❧ Tell one secret you have. Statue ❧ Who is your favorite artist? Candle ❧ what is your favorite scent? Absinthe ❧ do you drink? Casket ❧ do you believe in an afterlife?
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Do it I used to get a bunch of messages!
“How can I claim you as mine and you claim me as yours, if we don’t love each other?
“About you, I don’t know. But if what I feel isn’t love, I don’t know what else could it be.”
She saw beauty in his darkness and he saw darkness in her beauty.
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— Blinded by the fire in your eyes [flashback ] ✖ Kahriye & Signa
l1ke-afighter
Com os olhos fechados em uma prece silenciosa, Signa agradecia aos Deuses pela vida de seus homens; a sua em nada lhe valia, sua preocupação estando com as famílias dos soldados, com seus filhos e esposas que os esperavam em casa. Após as batalhas, por menores que fosse, sempre fazia aquele ritual; era o momento de pedir pelas vidas que havia tirado sem piedade, o momento de agradecer pelos que ainda respiravam e mais do que isso, pedir mais força e coragem para que pudesse enfrentar mais batalhas. Jazia dentre o palácio real de Temeria, mais precisamente na enfermaria. Ainda com os Deuses a seu favor, após lutar pelo ouro que quase fora roubado, encontrara soldados do reino em seu caminho, estes lhe oferecendo ajuda. Parte do seu exercito, este composto por seis homens, jazia precisando de reparos; a maioria tinha no corpo marcas de toques de espadas, rasgos causados pelas flechas que lhe foram proferidos, pernas quebradas e outros assim como ela, apenas continham arranhões pelo corpo. Enquanto seus homens estavam recebendo os cuidados necessários, prendia-se ao fato de que estava mais perto dela. Sua mente vagava para longe, a levando para um contato; ansiava pelo momento em que estaria composta, limpa e pronta para encontrá-la, para que seus olhos a fitassem com glória e adoração. Signa não poderia descrever o que lhe tomava, a preocupação de outrora esvaindo-se e tornando-se apreensão.
Alheia, despercebera uma aproximação, sendo tocada por esta aos poucos. Primeiro, a fragrância de rosas lhe tocando as narinas, a chamando para mais perto. Em seguida, a voz doce e calma lhe chamando pelo nome, fazendo com que o coração pulasse do peito. Signa estagnou, as mãos trêmulas, suadas; Kahriye estava no cômodo, estava a chamando, o encontro acontecendo antes do esperado. Pelos Deuses…Ela erguera-se da cama ainda de costas, hesitando em fitá-la; as íris a encontrando aos poucos, primeiro os pés, o tronco acompanhando toda a sua extensão coberta por um vestido longo para que tão logo, a face. Oh…Tão linda, tão perfeita, moldada pelos Deuses como uma benção aos olhos dos que tinham o prazer de tê-la em seu campo de visão. Signa sentiu-se insegura naquele momento. A sua aparência estava desagradável aos olhos, o rosto ainda sujo de terra e sangue dos inimigos juntamente ao seu próprio líquido de cor escarlate, os fios loiros bagunçados pelas brigas que havia travado. Não poderia se encontrar na presença da Rainha, não daquela maneira. A mulher abaixou-se diante da outra, a mão direita indo ao coração em punho, a reverenciando em respeito. “Vossa Majestade Kahriye” Dissera baixo, procurando manter-se firme. Erguera-se novamente, os braços para trás, mantendo a pose gélida e dura de uma comandante apenas para disfarçar todo o seu nervosismo. Que os Deuses a protegessem. “Sinto muito pelos meus trajes, pela minha aparência, creio que a Senhora não devesse ver-me desta maneira mas nada pude fazer, Rainha. Fomos pegos em uma emboscada enquanto aproximávamos do reino de Temeria” Explicou-se, desculpando-se também; os olhos não conseguiam encará-la, fitando os próprios pés ainda que aquele gesto fosse um sinal de respeito. Uma farsa, um disfarce para com o desejo que já ardia em seus olhos.
O estado de Signa era deplorável, contudo Kahriye ainda sentia vontade de abraçá-la, senti-la junto a si e confortá-la. Até se aproximou mais, mas parou devido aos olhares de todos os presentes. Um “não” se formou nos lábios da rainha quando a guerreira fez sua reverência, porém a jovem ainda não tinha encontrado sua voz. Tinha medo do que poderia denunciar quando falasse... entretanto, quem ousaria desconfiar de qualquer coisa a respeito da rainha? Sequer pensar já era uma traição.
— Por favor, não se preocupe com tais formalidades. — respondeu de maneira doce, pois mesmo naquele momento, depois de uma batalha, Signa parecia mais linda do que nunca. O sentimento que percorria seu corpo fazia o coração acelerar e a pele formigar. Incomodava, ao mesmo tempo em que era quente e agradável. Diferente. Tirou os olhos do corpo de loira e então os voltou para o leito ao lado. Aproximou-se mais, um tanto hesitante, e pegou uma mão de Signa na sua. Novamente, uma onda do mesmo sentimento agradável que a fazia tremer da cabeça aos pés. Guiou a mulher de volta ao lugar onde estava sentada e tomou o lugar da cuidadora. Tomou um pedaço de pano úmido nas mãos e começou a limpar a mão de Signa. E então se lembrou dos outros. Ergueu a cabeça e lançou um olhar de alerta para todos. Não estava sozinha, mas ao menos queria sentir um pouco de privacidade. As enfermeiras saíram do lado e os outros voltaram a distrair-se com outras coisas. E Kahriye continuou, de maneira delicada, a limpar a mão da loira, ao mesmo tempo em que a segura, sentindo o calor agradável do corpo da oura mulher.
— Você está bem? — questionou com a voz baixa e trêmula. — Por favor, diga-me se há algo que posso fazer para se sentir melhor. — pediu, querendo de alguma forma amenizar o sofrimento da amiga. Amiga. Era amizade o que sentia? — Preciso saber também o que aconteceu. Precisamos relatar este... ataque para todos. Quero estes bandidos presos imediatamente. — proferiu com raiva, então percebendo que havia direcionado esse sentimento para suas mãos e que já não limpava mais o ferimento com tanta delicadeza. — Desculpe. — murmurou.