Há uma parte em nós que ainda espera aplausos, como se cada gesto precisasse de um “muito bem” para existir de verdade. Crescemos, mas essa parte infantil segue à espreita sorrindo quando alguém aprova, murchando quando o olhar do outro se desvia. E talvez seja por isso que amadurecer assusta, não porque o mundo muda, mas porque ele fica mais silencioso. Os passos deixam de ser comemorados, as vitórias passam sem fogos de artifício, e a vida, pouco a pouco, pede que a gente caminhe sem plateia. O medo surge aí, no vazio que sobra quando ninguém mais está assistindo. Será que o que eu faço vale, mesmo sem testemunhas? Será que sou suficiente, mesmo sem olhares que confirmem? Abandonar esse papel de criança não é perder doçura, é ganhar um espaço íntimo para respirar. É descobrir que a validação pode e deve vir de dentro. E, quando ela vem, não precisa de aplausos para ecoar.
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