Sober II (Melodrama) — Lorde
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Sober II (Melodrama) — Lorde
sober interlude // lorde
the Lorde has risen and damn is melodrama good
Lorde performing the Sober Interlude @ Pappy & Harriets
Inspirado na música 400 lux de Lorde.
ORANGE JUICE
Era sábado e estava anoitecendo. Meus amigos estavam espalhados no píer e eu estava tonta segurando na cerca de metal que separava o asfalto onde eu estava sentada do mar. Me aventurei a tomar uns goles a mais do que tomei da última vez. O céu mostrava seu lado mais artístico pintado num tom alaranjado que se misturava com azul e roxo.
Lábios secos, língua molhada. Eu ouvia música e gritos, sentia o movimento e conseguia ver outros adolescentes dançando pelo canto do olho. Dava para sentir que eu não estava bem de forma alguma porque a diversão dos outros não me contagiava.
Meus amigos me seguraram e tentaram me levantar, mas meu corpo sentia uma dependência enorme de ficar colado ao chão. Eu ouvia suas vozes me dizendo que dessa vez eu exagerei, mas quando não exagero?! Eles podiam ter imaginado que eu faria isso de novo. Foi uma longa caminhada do píer à estação de ônibus, quer dizer, para mim pareceu longa, mas não devia ser. Já havia anoitecido e as luzes da cidade estavam no auge de seu brilho.
Um dos meus amigos percebeu minha situação e disse que ia me ajudar, logo em seguida saiu da estação, eu confiei naquelas palavras porque ele era o único que estava próximo da sobriedade. Dava para vê-lo através das paredes de vidro dando seus passos trôpegos em direção a um mercado. Avistei suas pernas voltando à estação. Ele chegou até mim, entregou nas minhas mãos uma garrafa de suco de laranja e me mandou beber dizendo que eu ia melhorar. Eu agradeci quase sem enunciar uma palavra, mas eu tinha certeza que ele ia entender.
O ônibus chegou poucos minutos depois e meu suco de laranja estava quase no final. Meus amigos entraram prontamente ao avistar lugares vazios, me deixando para trás. Ele foi o único que me ajudou a entrar e me deixou sentar na janela. Eu tenho certeza que ele só me deixou lá por medo de eu vomitar no ônibus … ou talvez não, quer dizer, ele sabia que eu sempre amei ver as luzes da cidade grande se dispersando até restar apenas as luzes suburbanas das casas praticamente imutáveis da nossa vizinhança. E foi isso que aconteceu. Igual a um roteiro seguido monotonamente, mas era um tipo de monotonia que eu amava.
Desci do ônibus junto com uma amiga enquanto os outros continuaram no veículo que os levaria para seus determinados pontos. Ele me mandou um tímido adeus balançando uma das mãos enquanto meus pés trêmulos analisavam o chão e eu retribuí acenando com uma mão ainda mais trêmula.