vivo pelas profundezas, não nasci para a superfície.
Em cada parte da minha vida, em cada canto eu poetizo “sem querer querendo”. Me pergunto se isso é fruto de uma infância idealizadora, aquela velha história de princesas, sapos e… um grande amor verdadeiro. Eu nunca confiei em poetas. Hoje eu sou uma e me surpreendo com os segredos que à mim mesma revelo. É incrível, o meu Eu não é quem a minha personalidade é. Bom, pelo menos não na totalidade do meu ser. E por muitos anos eu confiei em quem eu mostrava aos outros, sem me dar a chance de conhecer quem eu sou quando a madrugada vem e eu não tenho pra onde ir. Hoje eu sei que não tenho como fugir da imensidão do ser, da essência e do existir. É assustador porque percebo que sou impotente e trivial perante a vida. Mesmo sendo parte do Todo. Quero ter a consciência de que eu não tenho controle, mas vou vivendo e mostrando o que eu sou, sendo o que eu posso ser em cada estrofe das minhas poesias. Por isso eu não nasci para a superfície. O raso não me pertence, e voar baixo não me satisfaz. Eu sou esse turbilhão de pensamentos ambulante, e eu quero tudo o que eu dou. Eu quero ser o amor quando ele não está, e também quero ter essa doçura quando as coisas desmoronam, e eu posso descansar tranquila. Tenho costume de amar mais que a mim, e assim me deixo ir, vir, fluir e até mesmo me aquietar. Mas como esse turbilhão que sou, nada poderia estar quieto demais por muito tempo. É como se eu tivesse essa necessidade da Ação, e de mergulhar no outro, de buscar e renovar. É como um compasso acelerado, mas não atrapalhado, por mais que talvez seja quase inconsciente e inato. Eu fluo dentro de mim e fora do meu corpo até encontrar esse espaço em que eu me sinto confortável de estar, e ver que o que eu amo também se agrada com o meu ritmo. Eu sou incansável na minha poesia, mas meu corpo não acompanha a minha alma, e eu me sinto sobrecarregada em tanto querer e pouco poder. Tanto dar e pouco receber. Talvez seja uma questão de perspectiva. Uma questão de não olhar para o que eu quero e o que falta, mas sim, ver as dádivas que me enchem de sentimentos nesse grande fluxo de vida e morte sem fim.












