será que quem eu sou de verdade é essa casca que eu encontro quando ninguem está perto? sem vida, sem vontade e desejo, nada.
eu não sei quem eu sou.

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será que quem eu sou de verdade é essa casca que eu encontro quando ninguem está perto? sem vida, sem vontade e desejo, nada.
eu não sei quem eu sou.
carta aberta - mas somente para mim mesma.
eu não te odeio. é a unica coisa nítida que me vem na mente depois de um mês sem nada de você. eu nunca pensei que estaria onde estou se eu fosse considerar as minhas perspectivas no nosso namoro e o tanto que eu te amava. e te queria perto. e te queria bem acima de tudo, acima de mim mesma em qualquer possibilidade. capaz de fazer tudo ao contrario e do avesso pra ver se te encontrava me querendo um pouco mais de alguma forma. pra ver se eu poderia ouvir você dizendo que me ama, que eu sou importante, que sou especial sem ser nos meus piores pesadelos - onde eu ainda preciso de você pra me salvar do sofrimento que você mesmo me fez passar. onde eu estou correndo de novo e de novo atrás de você, tentando te buscar sem saber nem onde eu estou, porque já me deixei para trás há muitos quilômetros e meses sem nem perceber. fatigada, eu te buscava. mas eu não te odeio. não te odeio por ter me deixado muito antes de terminarmos, muito antes de você soltar a minha mão, muito antes daquele ultimo beijo, muito antes de eu estar cansada e exigente. você já não estava mais ali, e eu amava a ideia de você e a lembrança de como era sentir o seu amor da forma mais intensa, onde você também me buscaria e correria quilômetros e nadaria por meses em um barco a remo por mim e só por mim. eu amava te amar. acho que sinto um vazio no peito agora que você se foi e eu nunca admiti isso para mim mesma porque eu tenho medo de estar. eu tenho medo de encarar a minha dor depois de tantas vezes ter tentado, e ainda mais agora, que a dor é nova mas ainda assim capaz de dar um gostinho de nostalgia. é dificil quando as coisas dão errado. mas eu não te odeio. só não quero mais lembrar de você. nunca mais.
vivo pelas profundezas, não nasci para a superfície.
Em cada parte da minha vida, em cada canto eu poetizo “sem querer querendo”. Me pergunto se isso é fruto de uma infância idealizadora, aquela velha história de princesas, sapos e… um grande amor verdadeiro. Eu nunca confiei em poetas. Hoje eu sou uma e me surpreendo com os segredos que à mim mesma revelo. É incrível, o meu Eu não é quem a minha personalidade é. Bom, pelo menos não na totalidade do meu ser. E por muitos anos eu confiei em quem eu mostrava aos outros, sem me dar a chance de conhecer quem eu sou quando a madrugada vem e eu não tenho pra onde ir. Hoje eu sei que não tenho como fugir da imensidão do ser, da essência e do existir. É assustador porque percebo que sou impotente e trivial perante a vida. Mesmo sendo parte do Todo. Quero ter a consciência de que eu não tenho controle, mas vou vivendo e mostrando o que eu sou, sendo o que eu posso ser em cada estrofe das minhas poesias. Por isso eu não nasci para a superfície. O raso não me pertence, e voar baixo não me satisfaz. Eu sou esse turbilhão de pensamentos ambulante, e eu quero tudo o que eu dou. Eu quero ser o amor quando ele não está, e também quero ter essa doçura quando as coisas desmoronam, e eu posso descansar tranquila. Tenho costume de amar mais que a mim, e assim me deixo ir, vir, fluir e até mesmo me aquietar. Mas como esse turbilhão que sou, nada poderia estar quieto demais por muito tempo. É como se eu tivesse essa necessidade da Ação, e de mergulhar no outro, de buscar e renovar. É como um compasso acelerado, mas não atrapalhado, por mais que talvez seja quase inconsciente e inato. Eu fluo dentro de mim e fora do meu corpo até encontrar esse espaço em que eu me sinto confortável de estar, e ver que o que eu amo também se agrada com o meu ritmo. Eu sou incansável na minha poesia, mas meu corpo não acompanha a minha alma, e eu me sinto sobrecarregada em tanto querer e pouco poder. Tanto dar e pouco receber. Talvez seja uma questão de perspectiva. Uma questão de não olhar para o que eu quero e o que falta, mas sim, ver as dádivas que me enchem de sentimentos nesse grande fluxo de vida e morte sem fim.
quando o amor se manifesta.
o meu amor não está sempre presente. eu sempre achei que o amor de verdade estaria sempre ali, a passos de mim, pronto para atacar. mas não. o meu amor me deixa lembranças de que ele não pode suportar tudo, e que precisa descansar. mas quando ele sai, eu sei que estou preparada para ser forte e tentar ao máximo. o meu amor perdoa todos os dias, e nunca se esquece de cuidar, mesmo quando está em apuros. eu lembro do que é essencial pra mim, toda vez que a adrenalina sobe. sempre me acho um tanto idiota por fazer isso, sabendo que muitas vezes eu não vou receber de volta tanto cuidado. esse constante amor que reconhece que eu preciso das pessoas que estão à minha volta, que eu as amo e sei quem cada uma delas é em sua essência, me faz encontrar de volta o caminho de perdoar. perdoar a mim, e aos outros. me deixa forte de novo, mas também me deixa muito vulnerável. o amor me faz acreditar, e é por ele que eu vivo todos os dias. é pra reconhecer em outros quando ele não está em mim, e encontrar novos jeitos de amar e me deslumbrar com a vida. é para criar forças de novo e me reerguer. é disso que eu vivo, e essa é a minha sede. mas quando me falta, eu sofro na pele. Eu não tenho medo de ser amor quando ele vai embora.
i wish i could start again and find this sweet love everytime i fall apart.
só queria desistir de tudo. absolutamente tudo.
eu estou exausta, e as madrugadas são as partes mais cruéis do meu dia. é duro acordar todos os dias e saber que eu não tenho nenhuma perspectiva de mudança, nem esperança para dias melhores, e me sentir sozinha é a pior parte disso. eu sinto como se eu fosse desaparecer a qualquer momento, e ninguem sentiria falta, mas mais do que isso tudo, se eu desaparecesse, iria ser um alivio pra mim, porque eu nao aguento mais sentir tanta culpa só por ser quem eu sou, me sentir pesada em todas as relaçoes que eu tenho, e por isso me machucar, e machucar os outros. eu sinto minha força se esvaindo e eu não tenho pra quem falar isso. escrever é a minha unica saída para não acabar de vez com esse sofrimento. o meu corpo não aguenta mais o peso de tantos pensamentos, de tanto sentimento. eu fujo de mim o dia inteiro, e quando me encontro, estou sempre em pedaços, sempre afundando no mar de ser, mas não ser nada além dessa carcaça podre e pesada.
Photo by Leslie Zhang.
I miss the bests parts of me.
Coração, O encontro de dois mundos. Escureceu, O vento parou. Apareceu, A ignorância se tornou visível. Doeu, E foi embora.
Débora (via florescera-em-ti)