Cap.03 _ Como se já fosse
Você diz que não precisa de nome.
Que basta o que a gente vive.
Que a gente pode só continuar…
Mas às vezes eu me pergunto: se já tem o cheiro, o gosto, os cuidados, o ciúme, a rotina…
A gente fala como se já fosse.
A gente sente como se já fosse.
A gente se entrega como se já fosse.
E, de certo modo, é isso que somos — mesmo sem ninguém ter dito em voz alta.
Mas eu sou feita de certezas.
E mesmo quando finjo estar distraída, estou reparando em tudo que a gente tem construído sem perceber.
Você quer me ver no seu único dia livre — domingo.
Se incomoda com a minha amiga.
Se sente provocada com o que eu visto pra dormir.
Fica mal quando lembro que "não somos nada".
E ainda diz que, se eu quiser, posso adiantar e fingir que já somos o que eu quero que sejamos.
Quero te chamar de minha sabendo que você vai sorrir e dizer que é.
Quero que saiba que isso que temos já ultrapassou todas as linhas do talvez.
Quero ser a resposta que não te deixa dúvida.
Não é por carência, nem por carimbo.
Porque eu me conheço — e sei que, com você, eu não tô jogando.
E quando esse pedido vier, ele vai ser com tudo que você merece:
com palavras escolhidas, surpresa pensada e o tipo de carinho que não se desfaz.
Até lá, pode continuar fingindo que não somos.