Sempre me incomodei quando as pessoas dizem pra alguém que estar sozinho é sinônimo de amor próprio, mas pra explicar o motivo, preciso expor meu ponto de vista. Ou seja, por algum motivo essa questão do ''quase'' sempre me deixou muito triste. Todo relacionamento que acaba antes de virar um relacionamento de verdade. Todo envolvimento que é jogado fora por medo de se envolver. E é por isso que sempre fiquei muito triste com os términos. Sou intensa. Não da maneira que as pessoas dizem ser intensas pra que sejam ''fofinhas'' na internet mas na vida real seguem em frente como se nunca tivessem sentido tudo aquilo que disseram sentir. Sou intensa de verdade, daquelas que precisa dar tudo de si pra perceber quando não está sendo valorizada e não correr atrás, pois o que sinto de positivo pela pessoa se tornou algo tão grande que não consigo mais a esse ponto enxergar tudo de ruim que ela possa me causar ou esteja me causando. Sou intensa ao ponto de ficar dias e horas tentando pensar numa solução pra que tudo aquilo que criei na minha cabeça ainda se torne real, e logo depois percebo que não tem solução então choro bastante e sinto raiva do universo por ter arrancado algo de mim que na minha mente fazia eu me sentir tão bem. Eu me entrego por inteiro e de todas as maneiras possíveis. E quando isso não é recíproco, dói. Quando a pessoa não te pede pra ficar e tenta te machucar de propósito após dizer que não faria isso, e em todos os aspectos as ações dela não combinam com suas palavras, é pior ainda. Eu sempre questionei o universo sobre esse tipo de relação porque achava que se eu tinha uma lição pra aprender com a situação, já teria aprendido, pois já passei por muitas coisas parecidas. Mas acontece que percebi que a gente não tá aqui só pra aprender, estamos aqui pra ensinar. Então talvez fosse minha vez de ensinar algo. Com o tempo, eu percebo que talvez não fosse tão forte a conexão real quanto a que existiu dentro de mim, na minha tempestade interna onde tudo é mais intenso e cru. Talvez eu não fosse tão especial na vida daquela pessoa quanto ela disse que eu era, pois quando alguém reconhece teu valor (e sim, esse valor existe e é bem alto), essa pessoa vai te querer na vida dela de alguma maneira. Ela vai te pedir desculpas por ter te causado tanta dor e vai pedir pelo menos pela sua amizade, porque ela sabe a sorte que é ter alguém como você por perto. Se essa pessoa não vem atrás, pode ter certeza que tem algo de errado. Eu costumava criar esse pensamento de que existia algo de errado, mas nunca pensei na possibilidade dessa coisa errada não estar presente em mim. Hoje, percebo que não temos como forçar alguém a reconhecer tudo aquilo que somos, mas isso não significa que somos insuficientes ou defeituosos. Acredito muito nesse lance de energia, e sei que uma pessoa num nível energético diferente do teu não consegue corresponder toda a luz que você emana. É como se um estivesse no quinto andar de um prédio, e o outro está no nono andar do prédio vizinho. O do quinto andar não te enxerga se não fizer um esforço pra subir até você, mas você consegue ver ele, pois tua frequência está mais elevada. Isso não quer dizer que um é melhor que o outro. Ninguém é superior a ninguém. Mas percebi que quando estamos verdadeiramente felizes com nossas vidas e nos sentimentos realizados, esse é o momento em que queremos e estamos prontos pra compartilhar todas essas alegrias com outra pessoa. Estar sozinho e feliz, com o coração vazio, é possível sim. Mas não é a única possibilidade. Quando a pessoa não está com ninguém ocupando aquele espaço, o saudável é que ela realmente não fique procurando alguém, e isso inclui pessoas que dizem não estarem desesperadas por amor mas que não sabem passar 1 mês sem beijar várias bocas e tocar vários corpos, porque convenhamos, estar bem sozinho, é estar bem SOZINHO, e não ''solteiro'', isso é só um rótulo. Também não estou dizendo que quem está solteiro e ficando com pessoas diferentes não se ama, mas se ignora uma conexão muito especial por várias fúteis, ou se não tem equilíbrio entre isso e momentos de introspecção, se essa pessoa PRECISA estar toda hora com alguém diferente... Ela não se ama. Só que quando estamos nesse momento bom e tranquilo, e encontramos alguém que nos fornece essa conexão, alguém que nos traz paz interior e calmaria, alguém por quem criamos carinho e consideração... É nesse momento que a gente deseja que aquela pessoa se envolva nos outros aspectos da nossa vida pra que a felicidade seja compartilhada e amplificada. Então, encontrar essa pessoa, criar laços com ela e depois desistir da conexão por medo, isso sim representa insegurança, ou traumas mal resolvidos. Seja o que for, uma pessoa saudável e emocionalmente estável não afasta pra longe aquilo que a faz feliz, aquilo que faz falta quando distante. Nesse ponto é que percebo que o problema não é e nunca foi comigo. Existem, nesse caso, duas possibilidades: Alguém que mentiu pra mim sobre o que sentia, ou alguém que gosta muito de mim e está me deixando partir. Isso é covardia. Seja o que for que gerou qualquer uma dessas duas situações, é algo que precisa ser identificado, tratado e curado. Não dá pra viver nesse ''shallow now'' pra sempre né, ligações superficiais são super tediosas quando a gente se torna um ser humano mais completo e maduro, já que não acrescentam nada, não ensinam lições e por isso não conseguimos evoluir como ser humano. E o que isso tudo tem a ver com amor próprio e autoestima? TUDO. Uma pessoa realizada em sua vida individual não precisa ir contra aquilo que o coração pede, não precisa se forçar a ignorar o que sente. Não precisa mentir pra ninguém sobre o que sente, também. Como eu disse, se você está só e não sente nada por ninguém, não tem motivos pra procurar um relacionamento. Não devemos nunca ir à procura de conexões, elas devem acontecer naturalmente. Mas quando estamos felizes sozinhos e aparece alguém em nossas vidas que faz essa conexão acontecer, a gente não tem motivos pra correr dela, pra evitar envolvimento, pra bloquear o que nosso corpo diz que quer, e o que ele quer é que essa pessoa esteja por perto pra compartilhar os momentos em que nos sentimos bem, pois ela tem a capacidade de ser um exponente pra felicidade que já existe em ti. Então é por isso que não gosto quando as pessoas dizem que por querer algo mais profundo com alguém que despertou esses sentimentos em você, você está com o potinho do amor próprio vazio. Se humilhar e se diminuir pra conseguir isso talvez seja falta de amor próprio, mas apenas sofrer por querer o que não aconteceu... Isso é só ser humano. Elas dizem ''você tem que se amar em primeiro lugar'' como se isso já não fosse uma realidade. Só que pra sermos capazes de amar os outros, a gente TEM que se amar primeiro. Aquela pessoa que é incapaz de dividir seu amor com outras, que sai correndo na direção oposta quando o coração bate mais forte por alguém, essa é a pessoa que precisa trabalhar a autoestima. A insegurança dela em relação ao amor que reside em si é tão grande que ela pensa que se tentar dividir esse amor com alguém, ele vai acabar e ela vai se perder na relação. É como se o amor próprio ficasse guardado em um potinho e o amor combinado em outro, e essa pessoa vê o relacionamento como algo que tira o amor do potinho ''próprio'' e deposita ele no outro potinho. Quando a gente tá com o potinho do amor próprio transbordando e seguros de si, é que estamos prontos pra amar o outro sem medo de que ele esvazie. Amar outras pessoas não significa amar menos a si mesmo. E principalmente, não significa que preciso dessa pessoa em minha vida, mas que a quero aqui, por escolha própria e não por desespero, não por medo de ficar sozinha. Se eu tivesse medo de ficar sozinha poderia me envolver com qualquer pessoa disposta a me oferecer o relacionamento que desejo, e essas pessoas existem. Então o fato de que eu que eu quero isso com uma pessoa específica de quem eu gosto, e caso isso não ocorra, prefira ficar sozinha até conhecer alguém com quem também tenha essa conexão... Isso tá longe de ser indicador de que eu não reconheço meu próprio valor. Reconhecer teu valor tá também no ato de respeitar o que você quer e sente, e então agir de acordo. E o desespero tá no ato de podar os sentimentos verdadeiros pra não perder todos aqueles contatinhos que você sabe que não podem te oferecer a mesma coisa que aquela pessoa que te recebeu de braços abertos no mundo dela, só pra você fingir que não viu. No fim das contas, eu ainda tinha algo pra aprender. Eu me amo e me basto. Não preciso de alguém pra me completar. Sendo completa, gostaria de compartilhar minhas conquistas com a pessoa que gosto. E quando não gostar mais, tudo bem. Mas tá tudo bem porque dei meu melhor, e quando você perceber que a oportunidade passou e não se entregou como desejava, espero que não seja tarde demais, ou vai se arrepender. Eu sempre preferi me arrepender de algo que tentei fazer e não deu certo do que daquilo que deixei de viver. Mas de um jeito ou de outro, se tuas escolhas te levarem ao arrependimento, saiba que ele também é uma forma de aprendizagem.