A imprevisibilidade nas relações afetivas
É impressionante como a gente acredita que tem certezas na vida até acontecer algo inesperado e a gente se dar conta que não é bem assim. Por mais que façamos aquilo que planejamos e achemos que estamos no caminho correto (e muitas vezes estamos), a imprevisibilidade existe. E a qualquer momento tudo pode mudar completamente. Seja em relação a metas profissionais, seja em relação a relações amorosas.
E nesse segundo caso então, a gente acha que tá "seguro", imune a apaixonar-se e vai se envolvendo, saindo, conversando, compartilhando intimidades e quando vê já foi, já se apegou e não sabe dizer se é ou não recíproco. Porque é isso! Hoje o medo de se entregar e se frustrar está presente em toda nova relação. Todo mundo com medo de desilusão. E até eu que achava estar "vacinada" para novas desilusões, me mantendo sempre com "os dois pés atrás", senti tudo de novo ao saber que não era a "pessoa escolhida" de alguém com quem tanto me identifiquei.
E não é que fui enganada. Na verdade tudo sempre esteve claro (Ninguém é de ninguém). Acontece que a gente gosta de ser gostado e gosta de receber atenção. E estamos carentes de afeto. Então, mesmo os mais "fechados" para novas relações, acabam se derretendo nesse processo de encantamento (permitindo-se apaixonar). E "os sinais" sempre indicam que a gente está sim no caminho certo. "E se eu me permitir ser vulnerável? (Droga, Brene Brown!).
E tudo bem mesmo ser vulnerável! A gente se sente um pouco ridícula depois de perceber o "equívoco", mas aliviada de ter deixado claro o que sentia (não foi bem o meu caso dessa vez). E se o outro se apaixonou por outro alguém a gente não tem muito o que fazer (a não ser chorar) porque a gente sabe no fundo, que poderia ter acontecido o mesmo com a gente.
E, embora eu não tenha ainda experimentado essa posição, já experimentei a posição de "dar o fora" e não é boa a sensação. Desiludir alguém ou ser desiludido, são ambos difíceis. E a segunda coisa, não fica mais fácil com a frequência... Mas pelo menos a gente aprende como passar melhor por isso (a trilha sonora de fossa, silenciar a pessoa nas redes sociais, chorar, chocolate e sair com amigos está nessa lista!).
Enfim, eu não sei bem o que concluir a respeito. Devo me entregar e viver tudo o possível sem saber o que será depois (a tal da intensidade) ou devo seguir com o medo de confiar novamente em alguém, por medo da decepção, passando por relações rasas? É complicado. Cada vez que acontece a gente tem mais certeza de que está preparado, até que percebe que não está. A postura natural é evitar/fugir de qualquer possibilidade de viver o mesmo novamente.
Mas é isso, a vida é imprevisível. E por mais que fujamos de conhecer alguém e se apaixonar, por mais que evitemos o contato com possíveis "interesses amorosos", mesmo que seja apenas pela curtição, somos humanos e nos relacionamos diariamente com outros seres humanos, mesmo que brevemente. E estamos suscetíveis a "sofrer" um novo encantamento todos os dias. Alguns de nós mais que outros, mas todos igualmente vulneráveis.
O que podemos fazer é mesmo nos certificarmos de que estamos sendo honestos desde o início, não só com o outro, mas também conosco. Porque às vezes dizemos ao outro: "Eu não estou buscando relação estável. Estou só curtindo." (e pode até ser a princípio), quando na verdade, bem que a gente gostaria de um "chamego fixo" e alguns clichês de casal. Então é importante se observar e refletir sobre o que a gente busca de fato e o que espera do outro, pra depois não ficar também se culpando por "não ter dito".