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"Sou brasileiro, mas quero ganhar com a Espanha"
O avançado brasileiro da seleção espanhola negou que o selecionador brasileiro lhe tivesse telefonado, ao contrário do que fez o Vicente del Bosque. "Sou brasileiro, mas quero ganhar com a Espanha"
Pé no chão, olhos e sonhos acima das nuvens.
Oi por favor, deixa eu passar, sou discriminado mas também sou educado. Minha mãe me deu educação, e me botou pra estudar.
Descruza os braços, vai em frente, não espere nada cair do céu, porque de lá só cai chuva, fiel.
Pés no chão. Olhos e sonhos acima das nuvens.
Sou Brasileiro e não desisto nunca
(a cena começa num estilo globo reporter, com um apresentador no meio da cena, usando um tom apelativo e comovente.)
- Boa noite. O "Sou Brasileiro e não desisto nunca" traz sempre pra você a história de superação e conquista de diversos brasileiros que, mesmo sem oportunidades e com todas as intempéries da vida conseguem dar a volta por cima e vencer! Hoje nós vamos acompanhar a história de Cassio...
(enquanto a narração segue, mostramos cenas de Cássio, sempre de má vontade, mimado, reclamando, fazendo caras e bocas de insatisfeito.) Cassio Albuquerque Lins tinha tudo para ser um menino comum; nasceu em uma fazenda em Sorocaba, no interior de São Paulo. Desde pequeno enfrentou muitos problemas com sua família.
(mostrar Cássio em uma sala grande rodeado de brinquedos)
Mas as dificuldades começaram bem cedo. Cássio teve uma infância mimada ao extremo, o que deixou graves se, sem possibilidades de se transformar em um ser humano decente.
(mostar Cássio na escola com os amigos. Ele está sentado em um banco mexendo em dois ipads e, ao seu lado, no seu material escolar, um caderno com o Luciano Huck na capa)
As crianças se aproximavam dele apenas pelos seus brinquedos ultra modernos que a mãe não parava de comprar. Cassio usava doces e chocolates para manipular e comprar seus colegas durante os primeiros anos na escola. Na adolescência ficou tão insuportável que seus pais o exilaram - Cassio foi mandado aos estados unidos para terminar o colégio.
(corta pra um depoimento de Cássio hoje em dia, no seu quarto. Ao fundo, nota-se 3 pôsteres do Luciano Huck)
- Eu lembro até hoje: quando eu sentei naquela poltroninha de avião de primeira classe, foi como se minha mãe tivesse me botado de castigo sem videogame. Foi horrível (Cássio chora.)
O choque cultural foi muito grande. Cássio havia sido enviado para a casa de uma família onde cada um arrumava a própria cama e retirava seu próprio prato da mesa (mostrar Cassio arrumando a cama de má vontade, fazendo bagunça e lavando a louça de cara fechada, jogando pratos no chão quando ninguém está vendo.) A experiência foi um fracasso e a família que recebeu Cassio mandou-o de volta em menos de 2 semanas. Os pais tiveram uma conversa com o garoto e chegaram a uma conclusão boa e razoável para todos: trancá-lo em um colégio interno só para garotinhos nerds e enche-lo de remédios sempre que começava a perturbar.
(corta pra um depoimento dos pais. Cassio senta entre eles em um grande sofá de couro. Eles se espremem no sofá e sobra bastante espaço dos lados. Cássio faz sim com a cabeça sempre que um dos pais fala. Começa com a mãe)
- Eu não sei o que deu errado. A gente sempre deu tudo o que ele queria.
- São os amigos, sabe? Ele só conheceu gente ruim na vida.
- Pois é... só a gente que cuida do nosso Cacá...
- Eu amo você mãe! Eu amo você pai!
(eles se abraçam e dizem um ooohhhh, suspirando).
Mas foi na faculdade que Cassio sofreu o pior de todos os seus traumas. Após conseguir passar no Vestibular de primeira – Oceanografia na PUC, com 0,4 candidato/vaga – Cássio teve que enfrentar algo que muitos chamam de brincadeira, mas que pra outros é um crime de tortura – o trote. Cenas de um cinegrafista amador registraram os momentos de terror.
(corta pra uma cena filmada na rua, com uma qualidade comprometida, como se gravada de um celular. Três jovens estão com as caras pintadas e camisetas sujas como se fossem participar de um trote bem leve. Duas mulheres lindas estão com as tintas pintando os rapazes que parecem felizes com a brincadeira. Chega a vez de Cássio. Ele aparenta estar com medo.)
- Aê bixo. Vamos pintar essa cara aí e fazer um pedágio.
(Cássio começa a chorar)
- Calma cara, a gente não vai fazer nada demais. Só vamos fazer pedágio no farol.
- É, não é igual ao trote da odonto (a câmera vira e mostra dois jovens com cerveja na mão, arrastando um terceiro pelos pés, junto ao meio fio, gargalhando e gritando “Vai fazendo abdominal, bixo”)
- Eu não quero. Eu tenho medo. Eu não posso. Eu não gosto. Minha mãe não deixa. Meu pai não aprova...
- Calma, a gente só vai te pintar um pouco e...
(Cássio esperneia e cai no chão em posição fetal, chorando, soluçando, olhando pro nada. Volta pro narrador no estúdio.)
(a cena segue mostrando Cássio sentado de um lado de uma mesa de escritório, brincando com seu ipad, meio babando.) Um ser humano como esses tinha tudo para dar errado, mas em um momento de sorte, Cássio conseguiu uma entrevista para um cargo de direção em um dos maiores frigoríficos do interior de São Paulo. E mesmo sem experiência, formação acadêmica, aptidão, talento, jeito, jogo de cintura, ou o cacuete da coisa sabe, Cássio teve um raro momento de brilhantismo (Cássio fica animado por ter passado de fase no joguinho e mostra para a pessoa que está do outro lado da mesa) e conseguiu impressionar muito o entrevistador - seu pai (só nesse ponto a cena abre e mostra o pai de Cássio) - e ficou com a vaga desbancando outros 3 concorrentes. (o pai aplaude o sucesso do filho.)
(corta pra Cássio sentado em uma mesa de escritório, brincando no seu ipad, com o narrador.) Cássio hoje trabalha na empresa do pai, tem uma namorada linda (entra uma mulher gostosa num vestidinho apertado, estende a mão, pega uma grana, ele faz um bico de beijo e leva um tapa na cara) e assiste ao jornal hoje todos os dias!
Cássio é Brasileiro e não desiste nunca.
Meu querido Brasil!