O que é uma bruxa de sebe (hedgewitch)?
Este artigo foi publicado originalmente em inglês por Crystal R. Miller no Shadowdrake. Como qualquer material do meu arquivo pessoal, ele está disponível para ser enviado na íntegra por e-mail.
Uma bruxa voando para Aleppo em uma peneira (1807) | Charles Turner
Uma bruxa de sebe é um caminho dentro de uma tradição que tem uma natureza um tanto xamânica, na falta de um termo melhor. Existem muitos títulos diferentes para aqueles que seguem essa tradição interior: myrk-riders, gandreið, Badb (nome de uma Deusa, bem como um título) e Andarilhos do Vento. São aqueles que praticam o voo espiritual e viajam para o Outro Mundo. É esse caminho interior que utiliza coisas como bálsamos e unguentos voadores para obter acesso ao Outro Mundo. No entanto, existem certos pré-requisitos que devem ser cumpridos antes que alguém possa aprender esse caminho em particular.
Uma bruxa de sebe é capaz de ir ao Outro Mundo e chamar de volta as almas daqueles que estão prestes a morrer. Nessa capacidade, elas podem ser curadoras muito poderosas. Elas também são capazes de falar com aqueles que já partiram.
Uma ave de um tipo ou outro geralmente é associada ao caminho da cerca. Duas das aves mais comumente associadas são o corvo e o ganso. É importante mencionar que a cerca viva simbolizava o limite da aldeia. A cerca ou sebe representa a fronteira que existe entre este mundo e o reino espiritual. Nem todas as culturas possuíam cercas vivas, porém. Algumas tinham muros de pedra ou construções de terra. Independentemente disso, este termo é adotado como uma forma comum de identificar esses caminhos.
Deve-se enfatizar que nem todas as bruxas seguem este caminho específico.
Em relação ao caminho da cerca viva, o aspecto mais importante é o do voo espiritual. No século XII, há uma referência a uma Myrkríða na Äldre Västgötalagen:
Mulher, eu a vi cavalgando em uma cerca viva com os cabelos soltos e cinto, vestindo uma pele de troll, na hora em que o dia e a noite têm a mesma intensidade.
Este trecho se refere a uma bruxa de sebe. Ela está usando uma pele de troll, ou máscara, como parte de um ritual para que os habitantes do Outro Mundo a reconheçam. A liminaridade de sua posição entre os dois mundos é ainda mais acentuada pelo momento do ritual, que ocorre em um equinócio, quando o dia e a noite têm a mesma duração.
A bruxa portuguesa, Bruxsa, aventura-se durante a noite como uma grande e sinistra ave noturna. Na Alemanha, o noitibó é chamado de hexe e, no folclore local, é considerado uma bruxa metamorfa que sai para sugar o leite das cabras à noite.
Frequentemente, essas bruxas eram vistas montadas em vassouras ou varas de montaria, voando pelo ar. Em alemão antigo, uma das palavras para bruxo era Gabelreiterinnen, que significava cavaleiro de forcado.¹
Para alcançar a sensação de voar, eram utilizados compostos venenosos conhecidos como unguentos voadores. Esses unguentos continham alcaloides fortes, como acônito, beladona e cicuta. O efeito desses unguentos era fisiológico, causando confusão mental, mobilidade reduzida, batimentos cardíacos irregulares, tontura e falta de ar.²
O propósito de alcançar esse voo espiritual variava desde falar com os ancestrais até curar aqueles que estavam à beira da morte e "trazê-los de volta".
Acredita-se que, nos Cross Quarter-Days (dias que marcam o meio do caminho entre um solstício e um equinócio, comumente conhecidos como Samhain, Imbolc, Beltaine e Lughnasadh), os espíritos ancestrais viajavam por linhas invisíveis que interligavam locais de sepultamento, cemitérios e túmulos antigos. Cada cultura tinha seu próprio nome para essas linhas:
Celta: faery-roads (estradas das fadas) Holandês: death-roads (estradas da morte) Inglês: church-ways (caminhos da igreja) Inglês: coffin-paths (trilhas do caixão) Inglês: corpse-roads (estradas dos cadáveres) Alemão: geisterwege (caminhos dos espíritos) Holanda: doodwegen (caminhos da morte) Saxão: daeda-waeg (caminho dos mortos)
Durante esses períodos, acredita-se que as fronteiras entre os dois mundos se tornam menos nítidas, facilitando a comunicação. Em Samhain, no entanto, acredita-se que as fronteiras entre os dois mundos estejam em seu ponto mais tênue, tornando a interação entre eles muito mais fácil.
Notas e correções: ¹ - Segue-se um parágrafo que menciona brevemente como os cabos de vassoura seriam símbolos fálicos. É uma completa bobagem — um mito propagado por Gerald Gardner (o criador da Wicca) e Margaret Murray (a senhorinha que criou o mito do "antigo" culto das bruxas). Tenho uma aversão especial por conjeturas fálicas da era vitoriana, e isso realmente desvaloriza um texto que, de outra forma, seria bom e informativo, então removi essa parte. Como sempre, se quiser ler o artigo completo, basta me enviar uma mensagem. ² - A ingestão dessas plantas é altamente letal.












