0.1 A MOTHERFUCKIN’ CHAINSAW (what!?)- Enjin x Spherite!Reader.
Linguagem imprópria, breve descrição física da protagonista(nada que influencie na história depois) linguagem sexual, relação sexual(entre maiores de idade), tentativa de assassinato, uso de ferramentas perigosas, assédio, machismo/misoginia, relacionamento estabelecido.
Nota :: lendo o capítulo através da tradução do Google, percebi como algumas palavras e frases foram traduzidas de maneira errônea😩 Enjin e a leitora não são casados ainda, eles apenas namoram e a leitora definitivamente é uma MULHER!!!(a tradução quer que a protagonista seja trans e está mudando os pronomes femininos para masculinos💔)
Os quartos familiares eram uma subdivisão de alojamentos dentro do QG dos Zeladores, destinados para aqueles funcionários que tivessem família ou parceiros e considerassem os dormitórios tradicionais pequenos demais para viver. Ainda assim, os quartos continuavam humildes e apenas um pouco maiores do que os outros. Tinham espaço o suficiente para uma cama de casal e duas camas de solteiro para filhos ou irmãos. O banheiro conseguia acomodar um guarda-roupas de tamanho aceitável e uma banheira mediana entre paredes descascando e azulejos meio soltos.
Nenhum luxo além do necessário.
Teoricamente, para os adultos sem filhos, apenas aqueles que apresentassem certidões de casamento poderiam se estabelecer nos alojamentos e os outros deveriam se contentar em viverem em dormitórios separados. Mas, felizmente, você sempre gostou de se gabar sobre como Corvus sempre teve um lado fraco para você, e como Semiu era a coisa mais próxima de uma melhor amiga que você já tinha tido.
E também, para Enjin, ser líder da Akuta deveria vir com algum privilégio além do salário.
O quarto que vocês conseguiram era bom. A cama de casal era espaçosa o suficiente para o corpo grande do seu namorado poder se esticar sem te empurrar de cima dela, e a luz da janela iluminava os cobertores em determinadas horas do dia. Vocês tinham uma poltrona velha ao lado de uma planta artificial e o banheiro era bem melhor do que o anterior - nesse você nem conseguia escutar o barulho estranho e gorgolejante que vinha do encanamento sempre que a pia era ligada.
E então, havia a banheira. O bloco de porcelana branca meio lascada mas beiradas, mas que era a única coisa que você ou Enjin conseguiam ver depois de um dia estressante onde o seu único desejo era relaxar e esquecer da pilha de lixo que se acumulava do lado de fora todos os dias. A água quente servia como placebo para todos os problemas deixados do lado de fora.
“E então?” Você enrolou uma mecha de cabelo entre dois dedos, os fios úmidos pingando sobre a pele aquecida pelo vapor da água. Enjin, atrás de você, fumava um baseado enquanto um braço descansava na outra borda da banheira, dedos tatuados tamborilando o mármore em um ritmo aleatório de uma banda de rock que ele tinha conhecido em Canvas Town. “O spherite…?” Você continuou.
“Ah, o garoto.” Ele soltou a fumaça e você se sentiu relaxar por tabela. “Ele se chama Rudo. O encontrei lutando contra quatro feras maculadas em uma zona proibida.” Você arqueou uma sobrancelha.
“O que ele estava fazendo lá? E como sobreviveu à queda?” Você virou o rosto olhá-lo melhor, sua bochecha se apoiando contra o peito molhado dele. Há alguns anos, você só tinha sobrevivido a ser jogada no abismo por uma fração ínfima de sorte em uma série de circunstâncias difíceis de se repetir. De qualquer forma, a taxa de sobreviventes certamente tinha mudado.
“Nós dois sabemos tanto quanto ele.” Continuou. “Aparentemente, ele só acordou quando já estava na superfície. Não se lembra de nada durante a queda.” Os lábios dele se envolveram ao redor do baseado mais uma vez antes de soltar a fumaça em um redemoinho que se misturava ao vapor de água. “Vocês, spherites, são mesmo um mistério daqueles.”
“Como você descobriu que ele era um geaver?” Você ergueu uma mão para traçar a linha colorida das tatuagens dele com a ponta da unha. Um suspiro baixo escapou dos lábios do loiro, que te envolveu com o braço livre.
“Não é qualquer um que consegue derrotar uma fera maculada.” Ele deu de ombros com indiferença, mas os olhos dourados se iluminaram como duas moedas de ouro. “E eu também fiz um pequeno teste com ele depois disso.” Você sentiu a pequena pontada de animação na voz dele e arqueou uma sobrancelha.
“Nada que fosse machucá-lo. Não se preocupe.” Ele gesticulou com a mão e você preferiu não questionar tanto, se remexendo no colo dele e espalmando uma mão contra o peito largo. A mão de Enjin se esticou para arremessar a bituca apagada no lixo, sem se importar com as suas repreensões sobre o perigo do papel inflamável lá dentro e te puxando para mais perto.
“Agora, eu acho que a gente devia deixar o assunto do moleque um pouco de lado e focar em algo mais… divertido.”
Você suspirou, mas não conteve um sorriso quando ele esmagou os lábios contra os seus.
O cheiro de carne e cerveja inundou os seus sentidos como um soco assim que você abriu as portas da sala comum. Zeladores e Auxiliares brindavam e riam, alegres e, em sua maioria, alheios ao verdadeiro motivo da festa. Alguns deles te cumprimentaram com sorrisos e apertos de mão, enquanto algumas cabeças se curvavam rapidamente em respeito a Enjin que caminhava ao seu lado com uma mão descansando preguiçosamente na curva da sua cintura.
Riyo e Zanca se aproximaram de vocês assim que os viram. Você mordeu os lábios para não rir muito quando notou as bochechas já coradas da garota ruiva. Ainda era estranho para você como as pessoas da superfície tinham acesso tão fácil a álcool. Nas favelas da Sphere, bebidas como vodka, champanhe e até mesmo cerveja eram privilégios da elite. “[Nome], Enjin!” Você acenou para os dois em reconhecimento.
“Puxa vida, essa reunião deve ter sido um porre, ein?” Riyo arqueou uma sobrancelha ruiva ao olhar para a expressão de puro cansaço e tédio no rosto do seu namorado.
“Ugh. Nem me fale.” O loiro gemeu de forma dramática enquanto se jogava em cima de você momentaneamente. “Eu senti que ia morrer de tédio a qualquer segundo.”
“São os malefícios da profissão.” Você apoiou as mãos na cintura, seu olhar passando do loiro para Riyo outra vez. “O Enjin me disse que você saiu em uma missão mais cedo com…” a ideia ainda era estranha. Você não via nenhum dos seus há… bom, muito tempo. Como ele reagiria ao te ver? Os modos em Sphere tinham mudado muito desde que você caiu? Será que ele te acharia estranha por acenar com a cabeça? Será que ele te veria como concorrência ou aliada? Será que você tinha chegado a conhecê-lo ainda lá em cima? Deus, eram tantas perguntas.
“O outro spherite? Sim, sim. Bom, ele é um cara legal.” Ela bebericou a cerveja e acenou com indiferença. “Ele com certeza é bem habilidoso, mas não conseguiu usar bem o jinki hoje e tá super pra baixo ali no canto.” Ela apontou para a mesa mais afastada onde um menino pálido de olhos rubros estava sentado. Pela estatura, você julgou que ele não tivesse muito mais do que dezesseis anos de idade. Gris estava sentado na frente dele, um sorriso amigável nos lábios enquanto afagava a cabeleira preta e branca do rapaz.
“Acho que vocês dois deveriam conversar. Eu não sei sobre quais assuntos vocês gostavam de falar lá em Sphere mas… acho que pode dar uma animada nele.” Enjin sugeriu ao seu lado, um braço jogado de maneira preguiçosa sobre o seu ombro enquanto observava a sua expressão atenta e curiosa. Não que você já não estivesse pensando em fazer isso. - ele pensou.
Rudo desviou o olhar de Gris ao sentir seu corpo pequeno ser esmagado por oitenta e dois quilos de um homem loiro e reclamão que havia decidido usá-lo como apoio de braço. “Enjin?” Ele tentava a todo custo se desvencilhar do abraço do homem loiro, você riu baixinho enquanto se aproximava e o escutava reclamar novamente sobre como a reunião havia sido entediante.
Gris, ainda sentado, percebeu a sua presença e sorriu amigavelmente, se levantando para te cumprimentar. Atrás de vocês, Riyo, Enjin e Zanka discutiam sobre comida e como o garoto ainda não tinha pegado nada. Olhando de perto, você podia perceber apenas pelas bochechas chupadas e o qual volumosas as roupas daquele garoto pareciam em seu corpo que ele com certeza não tinha muita massa muscular ou gordura. Se não soubesse, você até poderia dizer que ele tem onze ou doze anos por conta da desnutrição.
“Você deve ser o Rudo.” Você disse finalmente.
Toda a conversa parou e os olhares se viraram para vocês dois. Os olhos vermelhos dele te encararam dos pés a cabeça, tão arregalados que você temeu que eles fossem saltar para fora das órbitas a qualquer momento.
Você percebeu como o olhar se demorou no seu peito e braços.
Na visão de Rudo, você tinha uma aparência completamente normal e que facilmente se passaria por uma Zeladora qualquer da superfície, se não fosse por um único detalhe:as suas roupas. Você usava sapatos simples e um short comum de um modelo que ele já tinha visto pelo menos quinze mulheres usando por aqui, mas o seu casaco… ele reconheceria aquele estilo de roupa em qualquer lugar.
Um moletom claro de tecido grosso cobria todo o seu corpo. Padrões eram costurados no tecido desde as costas até a gola bufante e as mangas longas, adornando o tecido com um tom levemente mais escuro. O casaco tinha uma leve camada de desgaste; alguns pequenos furos aqui e fios descosturados ali. Além disso, a peça era grande demais para você. O seu corpo era praticamente engolido pelo tecido que você tinha dobrado nas mangas para que suas mãos ficassem livres.
Não havia dúvidas. Você era uma spherite como ele e aquele casaco não era seu.
Por um instante, Rudo se perguntou se havia um terceiro de vocês na superfície, mas descartou o pensamento tão rápido quanto ele veio. Enjin provavelmente teria contado, e essa pessoa provavelmente teria vindo junto com você até ele. Mas nada disso diminuiu o choque.
“Ah!” Enjin retirou o peso de cima do garoto e ergueu uma mão na sua direção. “Rudo, essa é a outra spherite de quem eu te falei. Ela caiu aqui na superfície há alguns anos, assim como você. Ela se chama-”
“[Nome].” Você o interrompeu, se sentando ao lado de Gris e de frente para o garoto. “É um prazer te conhecer, Rudo.”
Você podia ver as engrenagens rodando e soltando fumaça por trás dos olhos vidrados dele. Suas mãos enluvadas tremiam em punho e ele parecia prestes a explodir. Você se perguntou se também estava assim quando apareceu nessa sala pela primeira vez, cinco depois de ser resgatada por Enjin e entrar oficialmente para os zeladores, ainda tão perdida e assustada.
Em um movimento rápido, Rudo se ergueu na mesa.
“VOCÊ SABE COMO VOLTAR PARA SPHERE?!” Ele gritou. Algumas dezenas de rostos se viraram na direção da mesa de vocês enquanto Enjin apertava o pescoço dele em uma chave de braço e resmungava sobre não sair gritando por aí de onde ele tinha vindo.
“Ele tem… fogo.” Você pigarreou e Gris riu ao seu lado. “Eu não sei como voltar para Sphere. Sinto muito, garoto.” Você deitou o rosto no braço apoiado em cima da mesa e viu Rudo se acalmando no braço de Enjin depois de mais alguns segundos de sufocamento. Ele parecia decepcionado com as suas palavras, quase… triste, se você fosse dar um palpite.
“Você… é mesmo da Sphere?” Ele ergueu o olhar para o seu rosto. Você assentiu com a cabeça e piscou lentamente. “Como nós sobrevivemos à queda? E por que só nós dois? Tem certeza de que não há nenhum jeito-”
“Rudo.” Você esticou a sua mão sobre a mesa para tocar a dele, seus dedos vibrando sobre a textura áspera das luvas dele. “Eu sei tanto ou até menos do que você sobre tudo isso. Eu caí há muitos anos, e só sobrevivi porque o meu jinki se ativou durante a queda e me protegeu. E, até onde temos conhecimento, eu e você somos os únicos spherites vivos que chegaram à superfície.” A cada uma das suas palavras, Rudo parecia se apagar como uma vela fraca.
“Eu sinto muito, garoto. Não posso te ajudar com nenhuma informação relevante.” Você se calou, esperando que ele absorvesse todas as informações antes de continuar. “Mas…” e a vela reacendeu. Você teve que conter um riso com o quão rápido a cabeça dele se levantou. “Nós não temos nenhuma informação porque nunca procurei. Eu nunca tive o menor interesse em voltar para Sphere, então não procurei nada a respeito disso durante todo esse tempo.”
Ao lado dele, Enjin entendeu a sua linha de raciocínio e cutucou o garoto com o cotovelo, um sorriso largo aprofundando as covinhas no rosto dele. “O que ela tá querendo dizer, Rudo, é que não é porque nós não temos nenhuma informação que não exista alguma por aí. Você não pode nem pensar em desistir!”
O garoto apertou as mãos e acenou com a cabeça, seus olhos agora tinham um certo brilho determinado e corajoso por trás daquelas órbitas escuras. Ele não era como a maioria das pessoas de Sphere, sempre contentes com o que lhes era dado e sem nunca questionar ou tentar mudar alguma coisa. Havia algo a mais em Rudo, algo que você ainda não sabia como determinar.
“Isso nem me passou pela cabeça.” Ele respondeu. Você sorriu.